Inverno do Mundo
Capítulo III
Lloy d tirou as botas. Abriu furos nos bicos, depois fez cortes nos tornozelos. Retirou os cadarços e tornou a colocá-los, tortos e frouxos. Agora pareciam sapatos de um vagabundo, m as ainda serviam bem e tinham solas grossas que durariam m uitos quilôm etros.
– Para onde está indo? – perguntou Maurice.
– Tenho duas alternativas – respondeu Lloy d. – Posso ir para o norte, até a costa, e tentar convencer um pescador a m e deixar atravessar com ele o canal da Mancha. Ou posso ir para sudoeste e cruzar a fronteira com a Espanha. – A Espanha era um país neutro e ainda tinha consulados britânicos na m aioria das cidades. – Conheço o cam inho para lá... j á o fiz duas vezes.
– O canal da Mancha é bem m ais perto que a Espanha – disse Maurice. – Mas acho que os alem ães vão fechar todos os portos e ancoradouros.
– Onde está o front agora?
– Os alem ães invadiram Paris.
Lloy d ficou em choque por um instante. Paris j á havia caído!
– O governo francês se transferiu para Bordeaux – contou Maurice, dando de om bros. – Mas estam os derrotados. Nada pode salvar a França agora.
– A Europa inteira vai ser fascista – disse Lloy d.
– Menos a Grã-Bretanha. Então você tem que ir para casa.
Lloy d refletiu um pouco. Norte ou sudoeste? Não conseguia decidir qual das duas opções seria m elhor.
– Eu tenho um am igo, ex-com unista, que vende ração para criadores de gado – disse Maurice. – Sei que ele tem um a entrega hoj e à tarde num lugar a sudoeste daqui. Se resolver ir para a Espanha, ele pode levá-lo por uns trinta quilôm etros.
Isso aj udou Lloy d a se decidir.
– Vou com ele.
III
Daisy enfrentara um a longa j ornada que a fizera andar em círculo e, no fim , a levara ao m esm o lugar.
Quando Lloy d fora m andado para a França, ela ficara com o coração partido. Tinha perdido a chance de lhe dizer que o am ava – nem sequer o havia beij ado!
E talvez nunca m ais houvesse outra oportunidade. Ele tinha sido dado com o desaparecido em com bate depois de Dunquerque. Isso significava que seu corpo não tinha sido encontrado e identificado, m as ele tam pouco estava registrado com o prisioneiro de guerra. O m ais provável era que estivesse m orto, destroçado por um a bom ba em pedaços im possíveis de identificar, ou talvez enterrado sob os escom bros de algum a casa destruída, sem que ninguém soubesse. Daisy chorou por m uitos dias.
Passou outro m ês peram bulando por Tŷ Gwy n, esperando ter m ais notícias, porém não soube de m ais nada. Então com eçou a se sentir culpada. Havia m uitas m ulheres na m esm a situação que ela, ou pior. Algum as precisavam enfrentar a possibilidade de criar dois ou três filhos sem um hom em para sustentar a fam ília. Ela não tinha o direito de sentir pena de si m esm a só porque o hom em com quem pretendia ter um caso extraconj ugal havia desaparecido.
Precisava assum ir novam ente o controle de sua vida e fazer algo positivo. Estava claro que o destino não quisera que ela e Lloy d ficassem j untos. Ela j á tinha um m arido, e ele arriscava a vida todos os dias. Seu dever era cuidar de Boy , disse a si m esm a.
Voltou para Londres. Levando em conta o núm ero reduzido de criados, reabriu a casa de May fair da m elhor m aneira que pôde e a transform ou num lar agradável para Boy visitar quando estivesse de licença.
Precisava esquecer Lloy d e ser um a boa esposa. Quem sabe até engravidasse de novo.
Muitas m ulheres se j untaram ao esforço de guerra, alistando-se no Corpo Auxiliar Fem inino da Real Força Aérea ou indo trabalhar na agricultura com o Exército Territorial Fem inino. Outras colaboravam no Serviço Voluntário Fem inino para a Precaução contra Ataques Aéreos. Mas não havia trabalho suficiente para a m aioria dessas m ulheres, e o The Times publicou cartas ao editor reclam ando que a precaução contra ataques aéreos era um desperdício de dinheiro.
A guerra no continente parecia ter chegado ao fim . A Alem anha vencera. A Europa agora era fascista da Polônia à Sicília, e da Hungria a Portugal. Não havia m ais com bates em lugar algum . Segundo os boatos, o governo britânico estava negociando a paz.
Mas Churchill não assinou paz nenhum a com Hitler e, no verão desse ano, teve início a batalha da Grã-Bretanha.
No início, os civis não foram m uito afetados. Os sinos das igrej as pararam de tocar, e suas badaladas foram reservadas para anunciar a esperada invasão alem ã. Daisy seguiu as instruções do governo e pôs baldes de areia e água em todos os patam ares das escadas de casa, para com bater possíveis incêndios, m as não precisou usá-los. Esperando conseguir interrom per as linhas de abastecim ento britânicas, a Luftwaffe bom bardeou os portos. Depois com eçou a atacar bases aéreas para tentar destruir a Real Força Aérea. Boy pilotava um Spitfire e enfrentava aviões inim igos em batalhas assistidas por agricultores boquiabertos de regiões com o Kent e Sussex. Num a das raras cartas que m andou para casa, inform ou com orgulho ter abatido três aeronaves alem ãs. Passou m uitas sem anas sem tirar licença, e Daisy ficava sozinha na casa repleta de flores para o m arido.
Por fim , na m anhã de sábado, 7 de setem bro, Boy apareceu em um a licença de fim de sem ana. O tem po estava esplendoroso, quente e ensolarado; era o que as pessoas costum avam cham ar de “veranico”, um últim o suspiro de calor antes do outono.
Por coincidência, foi tam bém o dia em que a Luftwaffe m udou de tática.
Daisy recebeu o m arido com um beij o e certificou-se de que havia cam isas lim pas e cuecas lavadas nas gavetas de seu quarto de vestir.
Pelo que as outras m ulheres diziam , achava que com batentes de licença desej avam sexo, álcool e com ida decente, nessa ordem .
Boy e ela não dorm iam j untos desde o aborto. Aquela seria a prim eira vez. Sentiu-se culpada por não estar m uito anim ada com essa perspectiva. Mas com certeza não iria se recusar a cum prir seu dever.
Quase esperava que ele a j ogasse na cam a assim que chegasse, m as Boy não estava tão desesperado assim . Tirou o uniform e, tom ou banho, lavou os cabelos e tornou a se vestir, dessa vez com um terno de civil. Daisy instruiu a cozinheira a não poupar cupons de racionam ento para preparar um bom alm oço, e Boy trouxe da adega um a de suas m ais antigas garrafas de vinho tinto.
Ela ficou surpresa e m agoada quando, depois de com er, ele disse:
– Vou sair por algum as horas. Volto para o j antar.
Ela queria ser um a boa esposa, m as não passiva.
– Mas esta é a sua prim eira licença em m eses! – protestou. – Aonde você vai?
– Vou ver um cavalo.
Ela não via problem a naquilo.
– Ah, tudo bem ... vou com você.
– Não, não venha. Se eu aparecer com um a m ulher a tiracolo, eles vão achar que sou um banana e aum entarão o preço.
Ela não conseguiu esconder a decepção.
– Sem pre sonhei que faríam os isto j untos... Com prar e criar cavalos de corrida.
– Na verdade, esse não é um universo fem inino.
– Ah, até parece! – exclam ou ela, indignada. – Sei tanto sobre cavalos quanto você.
Ele fez cara de irritado.
– Talvez saiba, m as m esm o assim não quero você por perto quando estiver negociando com esses salafrários... assunto encerrado.
Ela cedeu.
– Com o preferir – falou, e saiu da sala de j antar.
Seu instinto lhe dizia que ele estava m entindo. Com batentes em licença não pensavam em com prar cavalos. Pretendia descobrir o que ele estava tram ando. Até m esm o os heróis tinham de ser fiéis às esposas.
No quarto, vestiu um a calça com prida e calçou um par de botas. Quando Boy desceu a grande escadaria que conduzia à porta da frente, ela desceu correndo a dos fundos, passou pela cozinha, atravessou o quintal e entrou nos estábulos desativados. Ali, vestiu um a j aqueta de couro, pôs óculos de m otociclista e um capacete. Abriu a porta da garagem que dava para o beco atrás da casa e saiu em purrando sua m oto, um a Trium ph Tiger 100, assim batizada porque sua velocidade m áxim a era de 100 m ilhas – 160 quilôm etros – por hora. Pisou no pedal para dar a partida no m otor e saiu do beco sem nenhum a dificuldade.
Tinha com eçado a andar de m oto após o início do racionam ento de gasolina, em setem bro de 1939. Era com o andar de bicicleta, só que m ais fácil. Adorava a liberdade e a independência que aquele m eio de transporte lhe proporcionava.
Chegou à rua bem a tem po de ver o Bentley Airline crem e de Boy desaparecer na esquina seguinte.
Ela o seguiu.
Ele passou pela Trafalgar Square e pelo bairro dos teatros. Daisy se m anteve a um a distância discreta, pois não queria despertar suspeitas. Ainda havia bastante tráfego na região central de Londres, percorrida por centenas de carros em m issão oficial. Além disso, o racionam ento de gasolina para veículos particulares não era tão severo, principalm ente para quem quisesse apenas passear pela cidade.
Boy continuou na direção leste, passando pelo bairro financeiro. O tráfego ali estava leve naquele sábado à tarde, e Daisy ficou m ais preocupada que ele notasse sua presença. No entanto, não era fácil reconhecê-la com os óculos e o capacete. Além do m ais, Boy prestava pouca atenção ao que acontecia à sua volta: com a j anela aberta, dirigia fum ando um charuto.
Ele chegou a Aldgate, e Daisy teve o terrível pressentim ento de que sabia por que ele estava ali.
Boy entrou com o carro num a das ruas m enos pobres do East End e estacionou em frente a um a agradável residência do século XVIII. Nenhum estábulo à vista: aquele não era um local de com pra e venda de cavalos de corrida. Ele havia m entido.
Daisy parou a m oto no final da rua e ficou observando. Boy desceu do carro e bateu a porta. Não olhou em volta nem verificou os núm eros das casas. Claro que j á estivera ali antes e sabia exatam ente aonde ir. Andando de m odo descontraído, o charuto na boca, ele foi até a porta da frente e a abriu com um a chave.
Daisy teve vontade de chorar.
Boy desapareceu dentro da casa.
Em algum lugar a leste dali, ouviu-se um a explosão.
Daisy olhou naquela direção e viu aviões no céu. Será que os alem ães tinham escolhido j usto esse dia para com eçar a bom bardear Londres?
Ela não se im portava. Não iria deixar Boy saborear sua infidelidade em paz. Aproxim ou-se da casa e estacionou a m oto atrás do carro dele. Tirou o capacete e os óculos, m archou decidida até a porta e bateu.
Ouviu um a nova explosão, dessa vez m ais perto; então as sirenes de ataque aéreo iniciaram sua triste cantilena.
A porta se entreabriu e Daisy a em purrou com força. Um a j ovem usando um vestido preto de criada gritou e cam baleou para trás. Daisy entrou batendo a porta atrás de si. Viu-se no hall de um a típica casa de classe m édia londrina, só que decorada em um estilo exótico, com tapetes orientais, cortinas pesadas e um quadro retratando m ulheres nuas num a casa de banhos.
Abriu a porta m ais próxim a e entrou na antessala. O am biente estava fracam ente ilum inado, pois as cortinas de veludo não deixavam entrar a luz do sol. Havia três pessoas ali. De pé, encarando-a com um a expressão chocada, estava um a m ulher de m ais ou m enos 40 anos vestida com um roupão de seda frouxo, cuidadosam ente m aquiada com um batom verm elho – a m ãe, supôs Daisy . Atrás dela, sentada num sofá, um a adolescente de seus 16 anos só de roupa de baixo e m eias fum ava um cigarro. Boy estava sentado ao lado da m enina, com a m ão sobre sua coxa, acim a do ponto em que a m eia acabava. Ao ver Daisy, ele retirou a m ão, culpado. Era um gesto absurdo, com o se aquilo pudesse dar à cena um ar inocente.
Daisy se esforçou para conter as lágrim as.
– Você m e prom eteu que não iria m ais vê-las! – falou.
Queria se m ostrar fria e zangada, com o um anj o vingador, m as sua voz soava apenas m agoada e triste.
Boy enrubesceu e seu rosto adquiriu um a expressão de pânico.
– Que diabo você está fazendo aqui?
– Porra, é a esposa dele – exclam ou a m ulher m ais velha.
O nom e dela era Pearl, lem brou Daisy, e a filha se cham ava Joanie. Que coisa horrível ela saber o nom e de m ulheres assim .
A criada apareceu na porta da sala e disse:
– Eu não deixei essa piranha entrar, ela sim plesm ente m e em purrou e foi passando!
– Eu m e esforcei tanto para deixar a nossa casa bonita e aconchegante... m as você prefere isto aqui! – gritou Daisy para Boy .
Ele com eçou a dizer algum a coisa, m as não conseguiu encontrar as palavras. Passou um ou dois segundos balbuciando coisas incoerentes. Então um a forte explosão ali perto fez o chão estrem ecer e chacoalhou as j anelas.
– Vocês estão surdos? – gritou a criada. – É um ataque aéreo! – Ninguém lhe deu atenção. – Vou para o porão – disse ela, e desapareceu.
Eles todos precisavam buscar abrigo. Mas Daisy tinha algo a dizer a Boy antes de sair.
– Não volte para a m inha cam a nunca m ais. Eu m e recuso a ser contam inada.
A adolescente no sofá, Joanie, falou:
– É só um pouco de diversão, querida. Por que não se j unta a nós? Talvez você até goste.
Pearl, a m ais velha, olhou Daisy de cim a a baixo.
– Ela até que tem um corpo bonito.
Daisy percebeu que aquelas duas iriam hum ilhá-la ainda m ais se ela perm itisse. Ignorando-as, dirigiu-se a Boy :
– Você fez sua escolha. E eu tom ei m inha decisão. – Apesar de estar se sentindo aviltada e rej eitada, saiu da sala de cabeça erguida.
– Droga, que confusão – disse Boy .
Confusão?, pensou Daisy . Só isso?
Ela saiu pela porta da frente.
Foi então que olhou para cim a.
O céu estava repleto de aviões.
A visão a deixou trêm ula de pavor. Os aviões voavam alto, a uns três m il m etros de altitude, e pareciam obscurecer o sol. Eram centenas, entre grandes bom bardeiros e caças esguios, um a frota que parecia ter uns trinta quilôm etros de extensão. A leste, na direção das docas e do arsenal de Woolwich, colunas de fum aça subiam do chão onde as bom bas caíam . As explosões se sucediam , form ando um rugido contínuo feito as ondas de um m ar revolto.
Daisy lem brou que Hitler fizera um discurso no Parlam ento alem ão, na quarta-feira anterior, protestando contra a crueldade dos bom bardeios da Real Força Aérea a Berlim e am eaçando devastar cidades britânicas em retaliação. Aparentem ente, ele tinha falado sério. Eles pretendiam arrasar Londres.
Aquele j á era o pior dia da vida de Daisy . Então ela percebeu que talvez fosse o últim o.
Mas não se sentia capaz de voltar àquela casa e dividir com eles o m esm o abrigo no porão. Tinha que sair dali. Precisava estar em casa, onde poderia chorar em paz.
Pôs o capacete e os óculos às pressas. Resistiu a um im pulso irracional m as poderoso de j ogar-se atrás do m uro m ais próxim o. Pulou na m oto e foi em bora.
Não chegou m uito longe.
A duas ruas dali, bem na sua frente, um a bom ba caiu sobre um a casa, e ela freou de repente. Viu o rom bo no telhado, sentiu o baque da explosão e, segundos depois, vislum brou as cham as lá dentro, com o se o querosene de um aquecedor tivesse vazado e se inflam ado. Após alguns instantes, um a m enina de uns 12 anos saiu correndo da casa, com os cabelos em cham as, e veio direto para cim a de Daisy .
Ela saltou da m oto, tirou a j aqueta de couro e a usou para cobrir a cabeça da m enina, enrolando-a bem apertado em volta dos cabelos para cortar o oxigênio das cham as.
Os gritos cessaram . Daisy retirou a j aqueta. A m enina soluçava. Não sentia m ais dor, só que estava careca.
Daisy olhou para os dois lados da rua. Um hom em de capacete de aço e braçadeira da ARP – Air Raid Precautions, Precaução contra Ataques Aéreos – chegou correndo, carregando um a caixa de m etal com um a cruz de prim eiros socorros pintada na lateral.
A m enina olhou para Daisy , abriu a boca e gritou:
– Minha m ãe está lá dentro!
– Calm a, m eu bem , vam os dar um a olhada em você – disse o hom em da ARP.
Daisy deixou a m enina com ele e correu até a porta da frente. Aquilo lhe pareceu um a velha casa dividida em apartam entos baratos. Os de cim a estavam em cham as, m as ela conseguiu entrar no hall. Teve um palpite, correu até os fundos e chegou a um a cozinha. Ali, encontrou um a m ulher inconsciente no chão e um a criança pequena dentro de um berço. Pegou a m enina e correu para a rua outra vez.
A garota de cabelos queim ados gritou:
– É m inha irm ã!
Daisy pôs a criança nos braços da m enina e tornou a entrar às pressas.
A m ulher desacordada era pesada dem ais para que Daisy a carregasse. Ela se posicionou atrás da m ulher, a pôs sentada, segurou-a pelas axilas e a arrastou pelo chão da cozinha e pelo corredor até a rua.
Um a am bulância havia chegado: um sedã adaptado, cuj a parte posterior da lataria fora substituída por um a tenda de lona aberta na traseira. O hom em da ARP aj udava a m enina queim ada a entrar no carro. O m otorista veio correndo até Daisy e a aj udou a pôr a m ãe na am bulância.
– Tem m ais alguém lá dentro? – perguntou o m otorista a Daisy .
– Não sei!
Ele correu para o hall de entrada. Nesse m om ento, o prédio inteiro desabou. Os andares superiores que estavam pegando fogo desm oronaram . O m otorista da am bulância desapareceu dentro daquele inferno de cham as.
Daisy se ouviu gritar.
Cobriu a boca com a m ão e ficou encarando o fogo, à procura do m otorista, em bora não pudesse tê-lo aj udado, e tentar fosse suicídio.
– Ah, m eu Deus, Alf está m orto – disse o voluntário da ARP.
Outra explosão soou quando um a bom ba caiu cerca de cem m etros adiante na rua.
– Não tenho m ais m otorista e não posso sair daqui – disse o hom em .
Ele olhou para os dois lados da rua. Havia pequenas aglom erações de pessoas reunidas diante de algum as das casas, m as a m aioria dos m oradores devia estar nos abrigos.
– Eu posso dirigir – disse Daisy . – Para onde?
– Você sabe dirigir?
A m aioria das britânicas não sabia dirigir: naquele país, isso ainda era coisa de hom em .
– Não faça perguntas idiotas – retrucou Daisy . – Para onde devo levar a am bulância?
– Para o St. Bart’s. Sabe onde fica?
– Claro. – O Hospital St. Bartholom ew’s era um dos m aiores da cidade e Daisy j á m orava em Londres havia quatro anos. – West Sm ithfield – acrescentou, para provar a ele que sabia.