Inverno do Mundo
Capítulo II
– Estava pensando: onde eu poderia com prar um Jack Russell?
II
Lev Peshkov era o m elhor pai que um rapaz poderia ter – pelo m enos seria, se fosse m ais presente. Era rico, generoso, m ais inteligente do que qualquer outra pessoa, e até sabia se vestir. Devia ter sido bonito quando j ovem e ainda hoj e as m ulheres se atiravam em cim a dele. Greg Peshkov adorava o pai e sua única reclam ação era não vê-lo com frequência suficiente.
– Eu deveria ter vendido essa droga de fundição quando tive oportunidade – com entou Lev enquanto os dois passeavam pela fábrica silenciosa e deserta. – Mesm o antes daquela m aldita greve, j á estava dando prej uízo. Deveria m e concentrar em cinem as e bares. – Ele sacudiu o dedo para o filho, didático. – As pessoas nunca deixam de com prar bebida, não im porta se os tem pos são fáceis ou difíceis. E vão ao cinem a m esm o quando não têm dinheiro para pagar o ingresso. Nunca se esqueça disso.
Greg tinha quase certeza de que o pai j am ais com etia erros profissionais.
– Então por que você m anteve a fábrica?
– Valor sentim ental – respondeu Lev. – Quando eu tinha a sua idade, trabalhei num lugar assim em São Petersburgo, a Metalúrgica Putilov. – Correu os olhos pelos guindastes, fornalhas, m oldes, tornos e bancadas de trabalho. – Na verdade, era bem pior do que isto aqui.
A Metalúrgica de Buffalo fabricava ventiladores de todos os tam anhos, incluindo grandes hélices para navios. Greg era fascinado pela m atem ática das pás curvas. Era o m elhor aluno da turm a em m atem ática.
– Você era engenheiro? – perguntou ao pai.
Lev sorriu.
– Eu digo isso às pessoas quando preciso im pressioná-las – respondeu. – Mas na verdade eu cuidava dos pôneis. Era cavalariço. Nunca fui m uito bom com m áquinas. Quem tinha talento para isso era m eu irm ão, Grigori. Você puxou a ele. De toda form a, nunca com pre um a fundição.
– Não com prarei.
Greg iria passar o verão acom panhando o pai para aprender tudo sobre os negócios. Lev acabara de chegar de Los Angeles e as aulas de Greg tinham com eçado naquele m esm o dia. Só que o garoto não queria aprender nada sobre a fundição. Era bom em m atem ática, m as o que lhe interessava m esm o era o poder. Queria que o pai o levasse em um a de suas frequentes viagens a Washington, onde fazia lobby para a indústria do cinem a. Era lá que as verdadeiras decisões eram tom adas.
Estava ansioso pela hora do alm oço. Ele e o pai iriam se encontrar com o senador Gus Dewar. Greg queria pedir um favor ao senador. No entanto, ainda não pedira perm issão ao pai. Estava nervoso, com m edo de pedir, e em vez disso falou:
– Você tem notícias do seu irm ão em Leningrado?
Lev fez que não com a cabeça.
– Nenhum a desde a guerra. Não m e espantaria se ele tivesse m orrido. Muitos antigos bolcheviques sum iram .
– Falando em parentes, encontrei m inha m eia-irm ã no sábado. Ela estava no piquenique na praia.
– Vocês se divertiram ?
– Ela está zangada com você, sabia?
– O que eu fiz desta vez?
– Prom eteu levá-la à Casa Branca, m as foi com Glady s Angelus.
– É verdade. Eu m e esqueci. Mas queria fazer propaganda para Paixão.
Os dois foram abordados por um hom em alto, cuj o terno listrado era exagerado m esm o para os padrões da m oda da época. Tocando a aba do chapéu Fedora, ele disse:
– Bom dia, chefe.
– Joe Brekhunov é o encarregado da segurança aqui – explicou Lev a Greg. – Joe, este é m eu filho Greg.
– Prazer – disse Brekhunov.
Greg apertou a m ão dele. Com o a m aioria das fábricas, a fundição tinha seus próprios funcionários de segurança. Brekhunov, porém , parecia m ais um capanga do que um guarda.
– Tudo tranquilo? – perguntou Lev.
– Um pequeno incidente durante a noite – respondeu Brekhunov. – Dois m aquinistas tentaram surrupiar um a barra de aço de quarenta centím etros, padrão aeronáutico. Nós os pegam os tentando passá-la por cim a da cerca.
– Cham aram a polícia? – perguntou Greg.
– Não foi preciso – respondeu Brekhunov com um sorriso. – Nós lhes dem os um pequeno serm ão sobre o conceito de propriedade privada e os m andam os para o hospital refletir sobre o assunto.
Greg não ficou surpreso ao saber que os seguranças de seu pai espancavam ladrões de form a tão brutal a ponto de m andá-los para o hospital. Em bora Lev nunca tivesse batido nele nem em sua m ãe, o garoto tinha a sensação de que a violência nunca estava m uito longe da superfície afável do pai. Im aginou que fosse por causa da infância de Lev nos barracos m iseráveis de São Petersburgo.
Um hom em corpulento, de terno azul e capacete de operário, surgiu de trás de um a fornalha.
– Este é Brian Hall, líder sindical – apresentou Lev. – Bom dia, Hall.
– Bom dia, Peshkov.
Greg arqueou as sobrancelhas. Em geral, as pessoas cham avam seu pai de Sr. Peshkov.
Lev se posicionou com os pés afastados e as m ãos nos quadris.
– Bem , tem um a resposta para m im ?
O rosto de Hall adquiriu um a expressão obstinada.
– Os hom ens não vão voltar ao trabalho com um corte de salário, se é isso que está perguntando.
– Mas eu m elhorei a proposta!
– Continua sendo um corte salarial.
Greg com eçou a ficar nervoso. Seu pai não gostava de ser contrariado e talvez perdesse a paciência.
– O gerente m e disse que não estam os recebendo nenhum a encom enda, pois ele não consegue m anter um a política de preços com petitivos por conta dos níveis salariais.
– Na verdade é porque suas m áquinas estão ultrapassadas, Peshkov. Alguns desses tornos são de antes da guerra! Você precisa se reequipar.
– No m eio de um a depressão econôm ica? Ficou louco? Não vou j ogar m ais dinheiro fora.
– É exatam ente assim que os seus hom ens se sentem – disse Hall, com ar de quem lança m ão de um trunfo. – Não vão dar dinheiro para você quando não têm nem o bastante para si m esm os.
Greg pensou que os operários eram burros por fazer greve durante um a depressão e o atrevim ento de Hall o irritou. Aquele hom em falava com Lev de igual para igual, não com o um funcionário.
– Bem , do j eito que as coisas estão, todos nós estam os perdendo dinheiro – disse Lev. – Qual é o sentido disso?
– Não está m ais nas m inhas m ãos – disse Hall. Greg achou seu tom arrogante. – O sindicato vai m andar um a equipe da sede para assum ir a situação. – Ele sacou do bolso do colete um grande relógio de aço. – O trem deles deve chegar daqui a um a hora.
O sem blante de Lev ficou som brio.
– Não precisam os de pessoas de fora criando problem as aqui.
– Se não quer problem as, basta não provocá-los.
Lev cerrou um dos punhos, m as Hall se afastou.
Então Lev se virou para Berkhunov.
– Você sabia sobre esses tais hom ens da sede do sindicato? – perguntou Lev zangado.
Berkhunov pareceu nervoso.
– Vou m e inform ar agora m esm o, chefe.
– Descubra quem são e onde vão ficar hospedados.
– Não vai ser difícil.
– E m ande-os de volta para Nova York num a porra de um a am bulância.
– Deixe com igo, chefe.
Lev se virou para ir em bora e Greg o seguiu. Aquilo sim era poder, pensou o garoto com certo assom bro. Bastava um a palavra de seu pai para que representantes de um sindicato fossem espancados.
Os dois saíram da fábrica e entraram no carro de Lev, um Cadillac sedã com capacidade para cinco passageiros, no novo estilo aerodinâm ico. Os para-choques longos e curvos faziam Greg pensar nos quadris de um a garota.
Lev percorreu a Porter Avenue até a beira do lago e estacionou no Iate Clube de Buffalo. A luz do sol reluzia nos barcos atracados na m arina, criando um belo efeito. Greg tinha quase certeza de que o pai não era sócio daquele clube de elite. Gus Dewar devia ser.
Os dois cam inharam até o píer. A sede do clube era construída sobre pilotis na água. Lev e Greg entraram e deixaram os chapéus na chapelaria. Na m esm a hora, Greg sentiu-se intim idado, sabendo que era um convidado num clube que j am ais o aceitaria com o sócio. As pessoas ali provavelm ente achavam que ele deveria se sentir privilegiado pelo sim ples fato de lhe perm itirem entrar. Pôs as m ãos nos bolsos e adotou um a postura relaxada, para lhes m ostrar que não estava im pressionado.
– Antigam ente eu era sócio deste clube – disse Lev. – Mas em 1921 o presidente disse que eu tinha que sair porque era contrabandista de bebidas. Em seguida m e pediu que lhe vendesse um a caixa de uísque escocês.
– Por que o senador Dewar quer alm oçar com você? – perguntou Greg.
– Vam os descobrir daqui a pouco.
– Você se im portaria se eu pedisse um favor a ele?
Lev franziu o cenho.
– Acho que não. O que você quer?
No entanto, antes que Greg pudesse responder, Lev cum prim entou um hom em de m ais ou m enos 60 anos.
– Este aqui é Dave Rouzrokh – disse ele a Greg. – Meu m aior rival.
– Quanta honra – disse o recém -chegado.
A Roseroque Cinem as era um a cadeia de salas caindo aos pedaços que funcionava no estado de Nova York. Seu dono, por sua vez, era tudo, m enos decrépito. Tinha um ar nobre: era alto, com os cabelos m uito brancos e um nariz que m ais parecia um a lâm ina curva. Estava usando um blazer de caxem ira azul com o escudo do clube no bolso da frente.
– Tive o prazer de ver sua filha Joanne j ogar tênis no sábado – disse Greg.
Dave ficou satisfeito ao ouvir aquilo.
– Ela j oga bem , não é?
– Muito.
– Que bom que o encontrei, Dave – disse Lev. – Estava m esm o planej ando telefonar para você.
– Por quê?
– Suas salas precisam de reform a. Estão m uito antiquadas.
Dave pareceu achar graça.
– Você pretendia m e telefonar para dar essa notícia?
– Por que não tom a um a providência?
Dave deu de om bros com elegância.
– Para quê? Ganho dinheiro suficiente. Na m inha idade, não quero ter esse trabalho.
– Você poderia dobrar seu lucro.
– Aum entando o preço dos ingressos? Não, obrigado.
– Você é louco.
– Nem todos são obcecados por dinheiro – disse Dave com leve desdém .
– Então venda as salas para m im – disse Lev.
Greg ficou surpreso. Não tinha previsto isso.
– Eu pago um bom preço – acrescentou Lev.
Dave fez que não com a cabeça.
– Não. Gosto de ser dono de salas de cinem a – disse ele. – Elas dão prazer às pessoas.
– Oito m ilhões de dólares – propôs Lev.
Isso deixou Greg estupefato. Será que acabei m esm o de ouvir m eu pai oferecer oito m ilhões de dólares a esse tal de Dave?
– É um preço j usto – reconheceu Dave. – Mas as salas não estão à venda.
– Ninguém m ais vai lhe pagar tanto – disse Lev, im paciente.
– Eu sei. – Dave parecia j á ter tido a sua cota de insolência. Engoliu o restante da bebida. – Foi um prazer ver vocês dois – falou e saiu do bar em direção ao restaurante do clube.
A expressão de Lev era de asco.
– “Nem todos são obcecados por dinheiro” – arrem edou. – O avô de Dave chegou aqui cem anos atrás, vindo da Pérsia, sem nada a não ser a roupa do corpo e seis tapetes. Ele não teria feito pouco caso de oito m ilhões de dólares.
– Eu não sabia que você tinha todo esse dinheiro – disse Greg.
– E não tenho m esm o, pelo m enos não em espécie. É para isso que existem os bancos.
– Quer dizer que você pegaria um em préstim o para pagar Dave?
Lev tornou a sacudir o indicador para o filho, dizendo:
– Nunca use seu próprio dinheiro quando puder gastar o dos outros.
Foi nessa hora que um hom em alto e cabeçudo entrou no bar: Gus Dewar. Tinha 40 e poucos anos e cabelos castanho-claros salpicados de fios brancos. Cum prim entou pai e filho com um a cortesia distante, apertando a m ão deles e lhes oferecendo um a bebida. Greg percebeu de im ediato que Gus e Lev não se gostavam . Tem eu que isso significasse que Gus não fosse fazer o favor que ele queria lhe pedir. Talvez devesse deixar para lá.
Gus era um figurão. Antes dele, seu pai tam bém havia sido senador, sucessão dinástica que, na opinião de Greg, não tinha nada a ver com os Estados Unidos. Gus aj udara Franklin Roosevelt a se tornar governador do estado de Nova York e, depois, presidente. Agora, era m em bro do poderoso Com itê de Relações Exteriores do Senado.
Seus dois filhos, Woody e Chuck, estudavam na m esm a escola que Greg. Woody era bom aluno; Chuck era bom atleta.
– O presidente lhe disse para resolver m inha greve, senador? – perguntou Lev.
Gus sorriu.
– Não... pelo m enos não ainda.
Lev virou-se para Greg:
– Da últim a vez que a fundição entrou em greve, há vinte anos, o presidente Wilson m andou Gus m e pressionar para aum entar o salário dos funcionários.
– Eu o fiz poupar dinheiro – disse Gus, com voz suave. – Eles estavam pedindo um dólar e eu os fiz aceitar m etade.
– Ou sej a, exatam ente 50 cents a m ais do que eu pretendia dar.
Gus sorriu e deu de om bros.
– Vam os alm oçar?
Os três entraram no restaurante. Depois de fazerem o pedido, o senador disse:
– O presidente ficou contente por você ter podido ir à recepção na Casa Branca.
– Eu provavelm ente não deveria ter levado Glady s – disse Lev. – A Sra. Roosevelt foi m eio fria com ela. Acho que não gosta de estrelas de cinem a.
Ela provavelm ente não gosta é de estrelas de cinem a que vão para a cam a com hom ens casados, pensou Greg, m as ficou de boca fechada.
Durante o alm oço, Gus falou am enidades. Greg procurava um a oportunidade para pedir seu favor. Ele queria trabalhar em Washington durante um verão, para aprender os m acetes e fazer contatos. Seu pai talvez pudesse lhe conseguir um estágio, que seria com um dos republicanos, m as eles não estavam no poder. Greg queria trabalhar na equipe do influente e respeitado senador Dewar, aliado e am igo pessoal do presidente.
Perguntou-se por que estava tão nervoso. O pior que poderia acontecer era Dewar dizer não.
Term inada a sobrem esa, Gus com eçou a falar sobre negócios:
– O presidente m e pediu que conversasse com você sobre a Liga da Liberdade.
Greg j á tinha ouvido falar nessa organização, um grupo de direita contrário ao New Deal.
Lev acendeu um cigarro e soprou a fum aça.
– Tem os que nos proteger do avanço do socialism o.
– O New Deal é a única coisa que está nos salvando do tipo de pesadelo que as pessoas estão vivendo na Alem anha.
– Os m em bros da Liga da Liberdade não são nazistas.
– Ah, não? Eles têm um proj eto de insurreição arm ada para derrubar o presidente. Não é um proj eto realista, naturalm ente... pelo m enos não por enquanto.
– Acho que tenho direito às m inhas opiniões.
– Nesse caso, está apoiando as pessoas erradas. A Liga não tem nada a ver com liberdade, você sabe.
– Não m e venha falar em liberdade – disse Lev com um traço de raiva na voz. – Quando eu tinha 12 anos, fui açoitado pela polícia de São Petersburgo porque m eus pais fizeram greve.
Greg não entendeu m uito bem por que o pai tinha dito isso. A brutalidade do regim e do czar parecia um argum ento a favor do socialism o, não contra.
– Roosevelt sabe que você doa dinheiro para a Liga e quer que pare – disse Gus.
– Com o ele sabe para quem eu doo dinheiro?
– Por m eio do FBI. Eles investigam esse tipo de gente.
– Estam os vivendo em um Estado vigiado! Você teoricam ente é um liberal.
Não havia m uita lógica na argum entação de Lev, percebeu Greg. Seu pai só estava fazendo o possível para levar Gus a tropeçar e pouco lhe im portava que para isso fosse preciso contradizer a si m esm o.
Mas Gus perm aneceu calm o.
– Estou tentando evitar que isso vire assunto de polícia.
Lev sorriu.
– O presidente sabe que eu roubei a sua noiva?
Aquilo era novidade para Greg, m as devia ser verdade, porque seu pai finalm ente conseguiu desestabilizar Gus. O senador pareceu chocado, desviou o olhar e corou. Ponto para o nosso tim e, pensou Greg.
– Em 1915, Gus estava noivo de Olga – explicou Lev ao filho. – Mas então ela m udou de ideia e se casou com igo.
Gus recuperou a com postura e falou:
– Éram os todos m uito j ovens.
– Você com certeza esqueceu Olga bem depressa – com entou Lev.
Gus o encarou com um olhar frio e disse:
– Você tam bém .
Greg viu que agora era o pai quem estava constrangido. O tiro de Gus tinha acertado o alvo.
Após alguns instantes de silêncio constrangedor, Gus falou:
– Lev, você e eu lutam os num a guerra. Eu fiz parte de um batalhão de m etralhadoras j unto com m eu am igo de escola Chuck Dixon. Num a cidadezinha francesa cham ada Château-Thierry, ele foi estraçalhado por um a bom ba bem na m inha frente. – O tom de Gus era casual, m as Greg se viu prendendo a respiração. Gus prosseguiu: – O que desej o para m eus filhos é que eles j am ais tenham que passar pelo que nós passam os. É por isso que grupos com o a Liga da Liberdade precisam ser elim inados logo no com eço.
Greg viu sua chance.
– Eu tam bém m e interesso por política, senador, e gostaria de aprender m ais. O senhor m e aceitaria com o estagiário durante um verão? – Ele voltou a prender a respiração.
Apesar do ar surpreso, Gus respondeu:
– Sem pre tenho lugar para um j ovem inteligente disposto a trabalhar em equipe.
Isso não queria dizer nem sim nem não.
– Sou o m elhor da m inha turm a em m atem ática e capitão do tim e de hóquei no gelo – insistiu Greg, vendendo seu peixe. – Pergunte a Woody sobre m im .
– Vou perguntar. – Gus virou-se para Lev: – E você, vai pensar no pedido do presidente? É m uito im portante, m esm o.
Quase pareceu que Gus estava sugerindo um a troca de favores. Mas será que seu pai iria concordar?
Lev hesitou por alguns instantes, então apagou o cigarro e disse:
– Acho que estam os acertados.
Gus se levantou.
– Ótim o – falou. – O presidente vai ficar satisfeito.
Consegui, pensou Greg.
Os três deixaram o clube em direção aos carros.
Quando saía com o pai do estacionam ento, Greg falou:
– Obrigado, pai. Fico m uito grato pelo que você fez.
– Você soube escolher o m om ento certo – disse Lev. – Fico feliz por ver que é tão inteligente.
O elogio agradou a Greg. Sob alguns aspectos, ele era m ais inteligente do que o pai – com certeza sabia m ais sobre m atem ática e ciências –, m as tem ia não ter a sua sagacidade nem a sua astúcia.
– Eu quero que você sej a um hom em esperto – continuou Lev. – Não com o alguns desses bobalhões. – Greg não fazia ideia de quem eram os tais bobalhões. – Você tem que estar um passo à frente o tem po todo. É só assim que se vai para a frente.
Lev dirigiu até seu escritório, localizado em um quarteirão m oderno do centro da cidade. Quando estavam passando pela portaria de m árm ore, ele disse:
– Agora vou dar um a lição naquele idiota do Dave Rouzrokh.
Enquanto os dois subiam de elevador, Greg se perguntou com o o pai faria aquilo.
A Peshkov Film es ocupava o últim o andar do prédio. Greg seguiu Lev por um corredor largo e, j untos, atravessaram um a recepção ocupada por duas secretárias j ovens e atraentes.
– Liguem para Sol Starr, sim ? – pediu Lev enquanto os dois entravam em seu escritório.
Lev sentou-se atrás da m esa.
– Solly é dono de um dos m aiores estúdios de Holly wood – explicou ele.
O telefone sobre a m esa tocou e Lev atendeu.
– Sol! – exclam ou. – Com o estão as coisas? – Greg escutou um ou dois m inutos de brincadeiras tipicam ente m asculinas e então Lev foi ao que interessava: – Um pequeno conselho – falou. – Aqui no estado de Nova York existe um a cadeia de pulgueiros cham ada Roseroque Cinem as... isso, essa m esm a... Ouça o que lhe digo: não m ande para eles seus lançam entos m ais im portantes do verão. Vocês correm o risco de não receber. – Greg se deu conta de que aquilo seria um duro golpe para Dave: sem film es novos e em polgantes para exibir, seu lucro iria despencar. – Para bom entendedor... não é m esm o? Não precisa m e agradecer, Solly, você faria a m esm a coisa por m im ... tchau.