Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 140 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo IV

– Este hom em alim entou você, o vestiu e durante três décadas nunca deixou de am á-lo – prosseguiu Katerina. – Se a palavra pai tem algum significado, seu pai é ele.

– Sim – disse Volody a. – Eu sei.

 

IV

Lloy d William s se dava bem com Ernie Bevin. Apesar da diferença de idade, os dois tinham m uita coisa em com um . Durante os quatro dias de viagem de trem pela Europa coberta de neve, Lloy d confidenciara ao m inistro que, assim com o ele, tam bém era filho ilegítim o de um a em pregada dom éstica. Am bos eram anticom unistas ferrenhos: Lloy d por causa da experiência na Espanha, Bevin por ter testem unhado as táticas com unistas no m ovim ento sindicalista.

– Eles são escravos do Krem lin e tiranos para todos os outros – dizia Bevin, e Lloy d sabia exatam ente do que ele estava falando.

Não tinha ido com a cara de Greg Peshkov, que sem pre parecia ter se vestido às pressas: cam isa com punhos desabotoados, sobretudo com a gola torta, cadarços desam arrados. Greg era astuto, e Lloy d tentou gostar dele, m as sentia que sob o charm e casual do am ericano havia um a crueldade im placável. Daisy lhe dissera que Lev Peshkov era um gângster, e Lloy d podia im aginar que Greg tivesse os m esm os instintos.

Mas Bevin adorou a ideia de Greg para a Alem anha.

– Você acha que ele estava falando em nom e de Marshall? – perguntou o corpulento m inistro das Relações Exteriores com seu sotaque carregado do sudoeste da Grã-Bretanha.

– Ele disse que não – respondeu Lloy d. – Mas o senhor acha que poderia dar certo?

– Acho que é a m elhor ideia que ouvi em três sem anas nesta m aldita Moscou. Se ele estiver falando sério, organize um alm oço inform al: só Marshall, esse rapaz, você e eu.

– Farei isso agora m esm o.

– Mas não conte a ninguém . Não querem os que os soviéticos fiquem sabendo. Eles vão nos acusar de conspirar contra eles, e estarão certos.

O encontro foi no dia seguinte, no núm ero 10 da praça Spasopeskovskay a, residência do em baixador am ericano, um extravagante palacete neoclássico construído antes da Revolução. Alto e m agro, Marshall tinha porte de soldado; Bevin, por sua vez, era roliço e m íope, e m uitas vezes trazia um cigarro pendurado na boca. Apesar das diferenças, os dois sim patizaram na hora. Am bos diziam as coisas com sim plicidade. Certa vez Stalin acusara Bevin de fazer um discurso descortês, distinção da qual este m uito se orgulhava. Debaixo dos tetos pintados e dos lustres, os dois deram início à tarefa de fazer reviver a Alem anha sem a aj uda da União Soviética.

Concordaram rapidam ente em relação aos princípios: a nova m oeda, a unificação dos setores britânico, am ericano e – se possível – francês; a desm ilitarização da parte ocidental da Alem anha; eleições; e um a nova aliança m ilitar transatlântica. Então Bevin disse, incisivo:

– Nada disso vai funcionar, o senhor sabe.

Marshall se espantou.

– Então não entendo por que estam os tendo esta conversa – retrucou, ríspido.