Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 25 de 153

Páginas do PDF

Inverno do Mundo

Capítulo V

Então se aj oelhou.

 

V

Foi o casam ento do ano. Daisy e Boy se tornaram m arido e m ulher no dia 3 de outubro de 1936, um sábado, na igrej a de Santa Margarida, em Westm inster. Daisy ficou decepcionada por não ter sido na Abadia de Westm inster, m as ficou sabendo que só a fam ília real se casava lá.

Coco Chanel fez seu vestido de noiva. A m oda da Depressão favorecia as linhas sim ples e quase nenhum a extravagância. O vestido de cetim de Daisy, cortado no viés do tecido, ia até o chão, tinha graciosas m angas borboleta e um a cauda curta que podia ser carregada por um paj em só.

Seu pai, Lev Peshkov, atravessou o Atlântico para a cerim ônia. Pelo bem das aparências, sua m ãe aceitou se sentar ao lado dele na igrej a e fingir que os dois form avam um casal razoavelm ente feliz. O pesadelo de Daisy era que, em algum m om ento, Marga aparecesse de braços dados com Greg, seu m eio-irm ão bastardo, m as isso não aconteceu.

As gêm eas Westham pton e May Murray foram as dam as de honra e Eva Murray, a m adrinha. Boy havia reclam ado um pouco por Eva ser m eio j udia – não queria nem convidá-la para o casam ento –, m as Daisy insistira.

No altar da antiquíssim a igrej a, consciente de que estava linda de m orrer, entregou-se com alegria e de corpo e alm a a Boy Fitzherbert.

Assinou o registro m atrim onial com o “Daisy Fitzherbert, viscondessa de Aberowen”. Vinha treinando essa assinatura havia m uitas sem anas, em seguida rasgando cuidadosam ente o papel em pedacinhos, para que as letras ficassem ilegíveis. Agora tinha direito a assinar assim . Aquele era o seu nom e.

Na procissão que saiu da igrej a, Fitz deu o braço a Olga, sim pático, m as a princesa Bea se m anteve a um m etro de distância de Lev.

A princesa não era um a pessoa agradável. Mostrava-se razoavelm ente sim pática com a m ãe de Daisy e, ainda que seu tom contivesse um forte traço de superioridade, Olga não percebia, por isso a relação era am igável. Mas Bea não gostava de Lev.

Daisy agora percebia que seu pai não tinha o verniz da respeitabilidade social. Ele cam inhava, falava, com ia, bebia, fum ava, ria e se coçava com o um gângster, e não se im portava com o que os outros pensavam . Fazia o que queria porque era um m ilionário am ericano, da m esm a form a que Fitz fazia o que queria porque era um conde inglês. Daisy sem pre soubera disso, m as o fato a atingiu com força total quando viu o pai no m eio de todos aqueles aristocratas ingleses, no salão de baile do Hotel Dorchester, durante o café da m anhã no dia seguinte ao casam ento.

Porém aquilo j á não tinha im portância. Daisy agora era lady Aberowen, e ninguém poderia lhe tirar isso.

Ainda assim , a constante hostilidade de Bea com Lev era irritante, com o um cheiro levem ente desagradável ou um zum bido distante, que provocava em Daisy um leve sentim ento de insatisfação. Sentada ao lado de Lev na m esa principal, Bea sem pre m antinha as costas ligeiram ente viradas para ele. Quando ele lhe dirigia a palavra, ela respondia com m onossílabos, sem encará-lo. Lev sorria e tom ava cham panhe, parecendo não notar, m as Daisy, sentada do outro lado do pai, sabia que este não poderia ter deixado de perceber os sinais. Seu pai era grosso, m as não burro.