Inverno do Mundo
Capítulo IV
A tem porada social londrina term inou em m eados de agosto, m as Boy Fitzherbert ainda não havia pedido Daisy Peshkov em casam ento.
Ela estava m agoada e confusa. Todos sabiam que os dois estavam nam orando. Viam -se quase todos os dias. O conde Fitzherbert tratava Daisy com o se fosse um a filha, e até a desconfiada princesa Bea se afeiçoara a ela. Boy a beij ava sem pre que tinha oportunidade, m as não falava nada sobre o futuro.
A longa série de alm oços e j antares fartos, de festas e bailes cintilantes, de eventos esportivos tradicionais e de piqueniques regados a cham panhe teve um fim abrupto. Muitos dos novos am igos que Daisy tinha feito deixaram Londres de um a hora para outra. A m aioria foi para casas de cam po em que, até onde ela conseguira entender, passaria o tem po caçando raposas, perseguindo cervos e atirando em pássaros.
Daisy e Olga ficaram em Londres para o casam ento de Eva Rothm ann. Ao contrário de Boy, Jim m y Murray teve pressa em se casar com a m ulher que am ava. A cerim ônia foi celebrada na igrej a da paróquia frequentada pelos pais do noivo, em Chelsea.
Daisy sentia que tinha feito um ótim o trabalho com Eva. Ensinara a am iga a escolher roupas que lhe caíam bem , estilos elegantes e sem m uitos detalhes, em cores fortes que realçavam seus cabelos escuros e seus olhos castanhos. Cada vez m ais confiante, Eva aprendera a usar sua sim patia natural e sua inteligência rápida para encantar hom ens e m ulheres. E Jim m y se apaixonara por ela. Ele não era nenhum astro de cinem a, m as era alto e suas feições brutas tinham um certo charm e. Vinha de um a fam ília de m ilitares dona de um a m odesta fortuna, de m odo que Eva teria um a vida confortável, em bora não fosse ficar rica.
Os britânicos eram tão preconceituosos quanto qualquer outro povo e, no início, o general Murray e sua esposa não tinham ficado nada satisfeitos com a ideia de seu filho se casar com um a refugiada alem ã filha de um j udeu. Eva não dem orara a conquistá-los, m as m uitos dos am igos do casal ainda tinham reservas veladas. No casam ento, Daisy ouvira Eva ser cham ada de “exótica”, Jim m y de “coraj oso”, e os Murray de “incrivelm ente liberais”: eram form as variadas de se referir do m odo m ais elogioso possível a um enlace inadequado.
Jim m y tinha escrito um a carta form al ao Dr. Rothm ann, em Berlim , e recebera dele a perm issão de pedir a m ão de Eva em casam ento. Mas as autoridades alem ãs não haviam perm itido que a fam ília Rothm ann fosse à cerim ônia. Chorosa, Eva com entara:
– Eles odeiam tanto os j udeus que deveriam ficar felizes em vê-los sair do país!
Fitz, pai de Boy , ouvira esse com entário e depois conversara com Daisy a respeito.
– Diga à sua am iga Eva para, se possível, não falar m uito sobre j udeus – alertara, com o tom de quem dá um conselho de am igo. – Ser casado com a filha de um j udeu não vai aj udar em nada a carreira m ilitar de Jim m y , você sabe.
Daisy não tinha passado adiante esse conselho desagradável.
O casal foi passar a lua de m el em Nice. Daisy percebeu, com um a pontada de culpa, que estava aliviada por não ser m ais responsável por Eva. Boy e seus colegas políticos tinham tanta antipatia pelos j udeus que a am iga estava se tornando um problem a. A am izade entre Boy e Jim m y j á havia term inado: Boy não aceitara ser seu padrinho de casam ento.
Depois do evento, Daisy e Olga foram convidadas pelos Fitzherbert para caçar em sua casa de cam po, no País de Gales. Daisy voltou a ter esperança. Agora que Eva estava fora do cam inho, nada im pedia Boy de pedi-la em casam ento. O conde e a princesa com certeza deviam achar que o pedido era im inente. Talvez o esperassem para aquele m esm o fim de sem ana.
Num a sexta-feira de m anhã, Daisy e Olga foram até a estação de Paddington e pegaram um trem para oeste. Atravessaram o coração da Inglaterra, um a zona rural rica e extensa pontuada por pequenos vilarej os, cada um deles com sua torre do cam panário de pedra despontando em m eio a um bosque de árvores ancestrais. Tinham um vagão de prim eira classe só para elas, e Olga perguntou a Daisy o que a filha achava que Boy fosse fazer.
– Ele deve saber que gosto dele – disse Daisy. – Já o deixei m e beij ar um núm ero suficiente de vezes.
– Você dem onstrou interesse por m ais alguém ? – perguntou-lhe a m ãe, astuta.
Daisy reprim iu a lem brança cheia de culpa daquele breve instante de tolice com Lloy d William s. Boy não tinha com o saber disso e, de toda form a, ela não tornara a encontrar Lloy d nem respondera às três cartas que ele lhe enviara.
– Não – respondeu.
– Então é por causa de Eva – disse Olga. – E agora ela não está m ais aqui.
O trem passou por um túnel com prido sob o estuário do rio Severn e, quando saiu, j á estavam no País de Gales. Ovelhas desgrenhadas pastavam pelas colinas, e no sulco de cada vale havia um a pequena cidade m ineira, com o elevador que descia para dentro da m ina se destacando entre um punhado de feias construções industriais.
O Rolls-Roy ce preto e crem e do conde Fitzherbert esperava por elas na estação de Aberowen. Daisy achou a cidadezinha deplorável, com pequenas casas de pedra cinzentas enfileiradas ao longo das encostas íngrem es das colinas. Elas se afastaram uns dois quilôm etros da cidade até chegarem à propriedade, que se cham ava Tŷ Gwy n.
Quando passaram pelos portões, Daisy soltou um arquej o de prazer. Tŷ Gwy n era um a im ensa e esplendorosa m ansão, com longas fileiras de j anelas altas num a fachada clássica perfeita. Erguia-se em m eio a elaborados j ardins de flores, arbustos e árvores que obviam ente enchiam o conde de orgulho. Que alegria seria ser dona daquela casa, pensou ela. A aristocracia britânica podia não dom inar m ais o m undo, m as havia aperfeiçoado a arte de viver, e Daisy ansiava por fazer parte dela.
Tŷ Gwy n significava “casa branca”, m as a construção na verdade era cinza, e Daisy entendeu por que ao tocar as pedras da fachada e ficar com as pontas dos dedos suj as de fuligem de carvão.
Ela foi acom odada na Suíte Gardênia.
Nessa noite, antes do j antar, Daisy e Boy foram se sentar na varanda para ver o sol se pôr atrás do cum e roxo da m ontanha. Ele fum ava um charuto e ela bebericava um cham panhe. Passaram algum tem po sozinhos, m as Boy não falou nada sobre casam ento.
Ao longo do fim de sem ana, Daisy foi ficando m ais ansiosa. Boy teve m uitas outras oportunidades de falar com ela a sós – ela fez de tudo para que isso acontecesse. No sábado, os hom ens saíram para caçar, m as Daisy foi encontrá-los no fim da tarde, e ela e Boy voltaram cam inhando j untos pela floresta. No dom ingo de m anhã, os Fitzherbert e a m aioria de seus hóspedes foram à igrej a anglicana da cidade. Depois da m issa, Boy levou Daisy a um pub cham ado Two Crowns, onde m ineiros atarracados de om bros largos com boinas chatas a encararam , vestida com seu sobretudo de caxem ira lilás, com o se Boy estivesse conduzindo um leopardo na coleira.
Ela lhe disse que logo teria que voltar para Buffalo com a m ãe, m as ele não entendeu a indireta.
Será que ele sim plesm ente não gostava dela o suficiente para torná-la sua esposa?
Na hora do alm oço de dom ingo, Daisy j á estava desesperada. Ela e a m ãe voltariam para Londres no dia seguinte. Se Boy não tivesse feito o pedido até lá, seus pais com eçariam a pensar que ele não estava levando a relação a sério, e não haveria m ais convites para visitar Tŷ Gwy n.
Essa ideia assustava Daisy. Ela estava decidida a se casar com Boy. Queria se tornar a viscondessa de Aberowen e, um dia, a condessa Fitzherbert. Sem pre fora rica, m as ansiava pelo respeito e pela deferência que o status social oferecia. Ansiava por ser cham ada de “Sua Graça”. Cobiçava a tiara de diam antes da princesa Bea. Queria ter am igos na realeza.
Sabia que Boy gostava dela, e não havia dúvida quanto ao desej o que sentia ao beij á-la.
– Ele precisa de um em purrãozinho – cochichou Olga para Daisy enquanto as duas tom avam seu café da tarde na sala íntim a com as outras senhoras.
– Mas qual?
– Existe um a coisa que nunca falha com os hom ens.
Daisy arqueou as sobrancelhas.
– Sexo? – Ela e a m ãe conversavam sobre quase tudo, m as em geral evitavam esse assunto.
– Um a gravidez daria conta do recado – disse Olga. – Mas isso só acontece com certeza quando você não quer.
– Então o quê?
– Você precisa dar a ele um vislum bre da Terra Prom etida, m as sem deixá-lo entrar.
Daisy balançou a cabeça e disse:
– Não tenho certeza, m as acho que talvez ele j á tenha estado na Terra Prom etida de outra pessoa.
– Quem ?
– Não sei... Algum a criada, atriz, ou quem sabe um a viúva... É só um a suposição, m as é que ele não tem aquele ar virginal.
– Tem razão, não tem m esm o. Sendo assim , você precisa oferecer algo que ele não possa obter das outras. Algo que ele faria qualquer coisa para ter.
Por um breve instante, Daisy se perguntou de onde a m ãe tirava tanta sabedoria, um a vez que passara a vida inteira presa a um casam ento frio. Talvez ela tivesse refletido m uito sobre com o seu m arido, Lev, fora roubado pela am ante, Marga. De toda form a, não havia nada que Daisy pudesse oferecer a Boy que ele não conseguisse obter de outra m oça, havia?
As m ulheres estavam term inando o café e se encam inhando para seus respectivos quartos, onde tirariam um cochilo vespertino. Os hom ens ainda estavam na sala de j antar fum ando charutos, m as iriam fazer o m esm o dali a 15 m inutos. Daisy se levantou.
– O que você vai fazer? – perguntou Olga.
– Não tenho certeza ainda – respondeu ela. – Vou pensar em algum a coisa.
Ela saiu da sala. Estava decidida a ir ao quarto de Boy, m as não queria dizer nada, pois sua m ãe poderia se opor. Estaria à sua espera quando ele subisse para a sesta. Os criados tam bém faziam um a pausa a essa hora do dia, de m odo que era im provável alguém entrar no quarto.
Assim , teria Boy só para si. Mas o que diria, o que faria? Ainda não sabia m uito bem . Teria que im provisar.
Foi até a Suíte Gardênia, escovou os dentes, passou um pouco de colônia Jean Naté no pescoço e percorreu silenciosam ente o corredor até o quarto de Boy .
Ninguém a viu entrar.
Era um quarto espaçoso, com vista para os cum es enevoados das colinas. Parecia ser seu havia m uitos anos. Era decorado com poltronas estofadas de couro em estilo m asculino, quadros de aviões e cavalos de corrida nas paredes, um um idificador de cedro cheio de charutos olorosos e um a m esinha lateral com decantadores de uísque e conhaque e um a bandej a de copos de cristal.
Ela abriu um a das gavetas e viu folhas de papel tim brado de Tŷ Gwy n, um frasco de tinta, canetas e lápis. O papel era azul, enfeitado com o brasão dos Fitzherbert. Será que aquele brasão um dia seria seu?
Perguntou-se o que Boy diria ao encontrá-la ali. Será que ficaria feliz, a tom aria nos braços e a beij aria? Ou será que ficaria zangado por ter tido sua privacidade invadida e a acusaria de estar bisbilhotando? Era um risco que ela precisava correr.
Foi até o quarto de vestir contíguo. Havia um a pequena pia encim ada por um espelho. Os apetrechos de barbear de Boy repousavam sobre a borda de m árm ore. Daisy pensou que gostaria de aprender a fazer a barba do m arido. Seria tão íntim o...
Abriu as portas do arm ário e exam inou as roupas dele: um fraque, ternos de tweed, roupas de m ontaria, um a j aqueta de piloto de couro forrada de pele, dois sm okings.
Aquilo lhe deu um a ideia.
Lem brou-se de com o Boy ficara excitado em j unho, na casa de Bing Westham pton, ao vê-la vestida de hom em com as outras m oças. Naquela noite ele a beij ara pela prim eira vez. Daisy não tinha certeza do que causara tanto desej o – essas coisas em geral eram inexplicáveis. Segundo Lizzie Westham pton, alguns hom ens gostavam que as m ulheres dessem palm adas em seus traseiros: que explicação havia para isso?
Talvez ela devesse vestir as roupas dele.
Algo que ele faria qualquer coisa para ter, dissera sua m ãe. O que poderia ser?
Ela encarou a fileira de ternos pendurados em cabides, a pilha de cam isas brancas dobradas, os sapatos de couro engraxados, cada um com sua form a de m adeira no interior. Será que daria certo? Será que ela teria tem po?
E por acaso tinha algum a coisa a perder?
Podia pegar as roupas de que precisasse, levá-las até a Suíte Gardênia, trocar-se lá e voltar depressa, torcendo para que ninguém a visse no cam inho...
Não. Não havia tem po para isso. Fum ar um charuto não dem orava tanto assim . Ela precisava se trocar ali m esm o, e rápido – ou desistir da ideia.
Tom ou um a decisão.
Tirou o vestido.
Agora estava correndo perigo. Até esse m om ento, poderia ter explicado sua presença ali de m aneira m ais ou m enos plausível, fingindo que havia se perdido nos m uitos quilôm etros de corredores de Tŷ Gwy n e entrado no quarto errado por engano. Mas reputação de m oça nenhum a sobreviveria ao fato de ser flagrada só de com binação no quarto de um hom em .
Pegou a prim eira cam isa da pilha. Soltou um grunhido ao ver que o colarinho precisava ser preso com um a abotoadura. Encontrou um a dúzia de colarinhos engom ados dentro de um a gaveta ao lado de um a caixa de abotoaduras e prendeu um deles à cam isa, vestindo-a em seguida por cim a da cabeça.
Ouviu passos pesados de hom em no corredor do lado de fora e congelou, com o coração batendo feito um enorm e tam bor, m as os passos se distanciaram .
Resolveu vestir o fraque. A calça de listras não tinha suspensórios no cós, m as ela encontrou suspensórios avulsos em outra gaveta. Descobriu com o prendê-los à calça e em seguida a vestiu. A cintura era larga o suficiente para caberem duas dela ali.
Enfiou os pés calçados com m eias finas dentro de um par de sapatos pretos lustrosos e am arrou os cadarços.
Abotoou a cam isa e pôs um a gravata prateada. O nó ficou feio, m as pouco im portava – de toda form a, ela não sabia m esm o com o dar o nó, então deixou com o estava.
Vestiu um colete bege de abotoam ento duplo e o paletó preto. Então se olhou no espelho de corpo inteiro afixado à parte interna da porta do arm ário.
As roupas estavam largas, m as m esm o assim ela estava um a graça.
Agora que tinha tem po, fechou os punhos da cam isa com abotoaduras de ouro e pôs um lenço branco no bolso da frente do paletó.
Estava faltando algo. Ela continuou se olhando no espelho até se dar conta do que m ais precisava.
Um chapéu.
Abriu outro arm ário e viu um a fileira de caixas de chapéu sobre um a prateleira alta. Encontrou um a cartola cinza e a pôs no topo da cabeça.
Então se lem brou do bigode.
Não tinha um lápis de sobrancelha ali consigo. Voltou ao quarto de dorm ir de Boy e se debruçou sobra a lareira. Com o ainda era verão, não havia nenhum fogo aceso. Ela recolheu um pouco de fuligem com a ponta do dedo, voltou ao espelho e, com cuidado, desenhou um bigode acim a do lábio superior.
Estava pronta.
Sentou-se em um a das poltronas de couro para esperar por ele.
Seu instinto lhe dizia que estava fazendo a coisa certa, m as, de um ponto de vista racional, aquilo parecia bizarro. O desej o, porém , não tinha explicação. Ela própria havia ficado toda m olhada quando ele a levara para voar em seu avião. Tinha sido im possível os dois trocarem carícias enquanto ele estava concentrado pilotando a aeronave, e fora m elhor assim , pois subir em direção às nuvens tinha sido tão excitante que ela provavelm ente o teria deixado fazer tudo que quisesse.
Mas os rapazes podiam ser im previsíveis, e ela tem ia que ele ficasse zangado. Quando isso acontecia, seu rosto bonito se contorcia até se transform ar num a careta feia, ele batia com o pé no chão bem depressa e podia se tornar bastante cruel. Certa vez, quando um garçom m anco lhe trouxera a bebida errada, ele dissera:
– Volte m ancando até o bar e traga-m e o uísque que pedi. Você é aleij ado, m as não é surdo, ou é? – O pobre coitado chegara a corar de tanta vergonha.
Ela se perguntou o que Boy lhe diria caso ficasse bravo por encontrá-la em seu quarto.
Cinco m inutos depois, ele chegou.
Ela o ouviu cam inhando do lado de fora e se deu conta de que j á o conhecia bem o bastante para identificar o som de seus passos.
A porta se abriu e ele entrou sem notar sua presença.
Forçando um a voz grave, ela falou:
– Oi, m eu chapa, com o vai?
Ele olhou para ela e exclam ou:
– Meu Deus do céu! – Então a encarou com m ais atenção. – Daisy ?
Ele se levantou.
– A própria – falou, com sua voz natural. Boy a encarava, surpreso. Ela ergueu a cartola, fez um a leve m esura e com pletou: – Ao seu dispor. – Tornou a pôr a cartola, ligeiram ente de viés.
Depois de um longo intervalo, ele se recuperou do choque e sorriu.
Graças a Deus, pensou Daisy .
– Essa cartola ficou bem em você, sabia? – disse ele.
Ela chegou m ais perto.
– Eu a pus para agradá-lo.
– Que gentileza a sua.
Ela ergueu o rosto convidativam ente. Gostava de beij á-lo. Na verdade, gostava de beij ar a m aioria dos hom ens. Nutria um a vergonha secreta por gostar tanto disso. Tinha gostado até de beij ar outras m oças no colégio interno, quando elas passavam m uitas sem anas sem ver um só rapaz.
Ele abaixou a cabeça e encostou os lábios nos dela. A cartola caiu no chão, e os dois riram . Ele logo pôs a língua dentro da boca de Daisy. Ela relaxou para saborear o beij o. Boy era um grande entusiasta de todos os prazeres sensuais e essa disposição a deixava excitada.
Daisy lem brou a si m esm a de que tinha um propósito. As coisas estavam evoluindo bem , m as ela queria que ele fizesse o pedido. Será que ficaria satisfeito só com um beij o? Ela precisava fazê-lo querer m ais. Muitas vezes, quando os dois dispunham de m ais do que alguns instantes apressados, deixava que ele acariciasse seus seios.
Muita coisa dependia de quanto vinho ele tivesse bebido no alm oço. Boy tinha m uita resistência à bebida, m as chegava um ponto em que perdia o desej o.
Ela m oveu o corpo, apertando-o de encontro ao dele. Boy pôs um a das m ãos em seu peito, m as ela estava usando um colete largo de lã, e ele não conseguiu encontrar seus seios m iúdos. Frustrado, soltou um grunhido.
Então deslizou a m ão pela barriga dela até entrar pelo cós da calça larga.
Até esse m om ento, ela nunca o havia deixado tocá-la lá em baixo.
Por baixo da calça, Daisy ainda usava um a com binação de seda e um a volum osa calcinha de algodão, de m odo que ele certam ente não podia sentir m uita coisa, m as ele arrastou a m ão até o m eio das pernas dela e apertou com força através das m uitas cam adas de pano. Ela sentiu um arrepio de prazer.
Afastou-se dele.
Ofegante, ele perguntou:
– Avancei o sinal?
– Tranque a porta – pediu ela.
– Ai, m eu Deus. – Ele foi até a porta, girou a chave na fechadura e voltou para j unto de Daisy. Os dois tornaram a se abraçar e ele prosseguiu de onde havia parado. Ela tocou a frente da calça dele, encontrou seu pênis ereto sob o tecido e segurou com firm eza. Boy gem eu de prazer.
Ela tornou a se afastar.
Um a som bra de raiva atravessou o sem blante dele. Daisy teve um a lem brança desagradável. Certa vez, depois de fazer um rapaz cham ado Theo Coffm ann tirar a m ão de seu seio, ele ficara violento e a cham ara de putinha sacana. Ela nunca m ais tornara a ver aquele rapaz, m as o xingam ento havia lhe provocado um a vergonha inexplicável. Por um instante, tem eu que Boy estivesse a ponto de fazer a m esm a acusação.
Então sua expressão se suavizou e ele disse:
– Eu sou louco por você, sabia?
Aquele era o m om ento de Daisy . É agora ou nunca, pensou ela.
– Não deveríam os estar fazendo isso – falou, com um arrependim ento que não era m uito exagerado.
– Por que não?
– Ainda nem estam os noivos.
A frase pairou no ar por vários segundos. Um a m oça dizer isso era praticam ente um pedido em casam ento. Ela ficou observando seu rosto, m orta de m edo de que ele se assustasse, virasse as costas, balbuciasse um a desculpa qualquer e pedisse a ela que fosse em bora.
Mas ele não disse nada.
– Eu quero fazer você feliz – continuou ela. – Mas é que...
– Eu am o você, Daisy , de verdade – disse Boy .
Aquilo não era o suficiente. Ela sorriu para ele e perguntou:
– Am a m esm o?
– Muito, am o dem ais.
Ela não disse nada, m as o encarou com um ar de expectativa.
Por fim , ele perguntou:
– Quer se casar com igo?
– Sim . Quero, sim – disse ela, e tornou a beij á-lo. Com a boca colada à dele, desabotoou-lhe a braguilha, enfiou a m ão por dentro de sua cueca, encontrou o pênis e o puxou para fora. A pele era sedosa e quente. Ela o alisou, lem brando-se de um a conversa com as gêm eas Westham pton.
– Você pode alisar o negócio dele – dissera Lindy .
– Até esguichar – acrescentara Lizzie.
A ideia de fazer isso com um hom em deixava Daisy intrigada e excitada. Ela apertou com um pouco m ais de força.
Então lem brou-se do com entário seguinte de Lindy .
– Ou então pode chupar... é do que eles m ais gostam .
Afastou a boca da de Boy e sussurrou em seu ouvido:
– Vou fazer tudo pelo m eu m arido.