Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 106 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo III

– Nesta foto parece que as árvores vão até a beira da água. A m aré lá varia m uito? Caso contrário, a areia talvez estivesse coberta com algas quando a foto foi tirada. Algas podem brotar de repente e m orrer com a m esm a rapidez.

– O senhor não estaria tratando o assunto de m odo tão casual se tivesse que lutar por esse território – reclam ou Donegan.

Talvez fosse verdade, pensou Chuck. Donegan era agressivo e m al-educado, e estava sendo incitado pelo m aldoso Vanderm eier, m as isso não significava que estivesse errado.

– É, Dewar – disse o capitão. – Quem sabe você e seu nam orado m aricas devessem acom panhar os fuzileiros navais na próxim a ofensiva? Para ver com o seus m apas são usados durante um a ação.

Chuck tentava pensar num a resposta inteligente quando lhe ocorreu levar a sugestão a sério. Talvez devesse participar de algum a ação. Era mesmo fácil ter um a atitude blasé sentado atrás de um a m esa. A reclam ação de Donegan m erecia ser levada a sério.

Por outro lado, isso significaria arriscar a vida.

Ele encarou Vanderm eier.

– Parece um a boa ideia, capitão – falou. – Gostaria de m e voluntariar para esse serviço.

Donegan pareceu surpreso, com o se estivesse com eçando a achar que tinha avaliado m al aquela situação.

Eddie então se m anifestou pela prim eira vez:

– Tam bém quero ir.

– Ótim o – disse Vanderm eier. – Vão voltar m ais sábios... Se é que vão voltar.

 

III

Volody a não estava conseguindo em bebedar Woody Dewar.

No bar do Hotel Moskva, pôs um copo de vodca na frente do rapaz am ericano e disse, com seu inglês capenga:

– Você vai gostar... é a m elhor que tem .

– Muito obrigado – disse Woody . E deixou o copo intocado.

Alto e desengonçado, Woody era tão direto que chegava a parecer ingênuo. Justam ente por isso Volody a o tinha escolhido com o alvo.

Com a aj uda do intérprete, Woody falou:

– Peshkov é um nom e russo com um ?

– Não m uito – respondeu Volody a em sua própria língua.

– Sou de Buffalo. Há um em presário conhecido lá cham ado Lev Peshkov. Estava im aginando se vocês dois seriam parentes.

Volody a ficou espantado. O irm ão de seu pai se cham ava Lev Peshkov, e tinha em igrado para Buffalo antes da Prim eira Guerra Mundial. Mas a cautela o fez desconversar.

– Tenho que perguntar ao m eu pai – respondeu.

– Estudei em Harvard com o filho dele, Greg. Talvez ele sej a seu prim o.

– É possível.

Nervoso, Volody a relanceou os olhos para os espiões da polícia em volta da m esa. Woody não entendia que qualquer vínculo com alguém nos Estados Unidos podia lançar suspeitas sobre um cidadão soviético.

– Sabe, Woody , neste país é um a ofensa recusar bebida.

Woody abriu um sorriso agradável e retrucou:

– Nos Estados Unidos, não.

Volody a pegou o próprio copo e correu os olhos pela m esa, ocupada por diversos agentes da polícia secreta fazendo-se passar por funcionários públicos e diplom atas.

– Um brinde! – exclam ou. – À am izade entre Estados Unidos e União Soviética!

Os outros ergueram seus copos bem alto. Woody os im itou.

– À am izade! – entoaram em coro.

Todos beberam , m enos Woody , que tornou a pousar o copo sobre a m esa.

Volody a com eçou a desconfiar que o rapaz não fosse tão ingênuo quanto parecia.

Woody se inclinou por cim a da m esa.

– Volody a, você precisa entender que não sei segredo nenhum . Sou novato dem ais.

– Eu tam bém – retrucou Volody a. O que estava longe de ser verdade.

– O que estou tentando explicar é que você pode sim plesm ente m e fazer perguntas – prosseguiu Woody. – Eu responderei, se souber. Posso fazer isso porque nada do que eu saiba será segredo. Então não precisa m e em bebedar nem m andar prostitutas ao m eu quarto. Pode m e perguntar e pronto.

Aquilo devia ser algum tipo de truque, concluiu Volody a. Ninguém podia ser tão inocente. Mesm o assim , decidiu fazer o que Woody pedia. Por que não?

– Está bem – falou. – Preciso saber quais são as suas intenções. Não as suas pessoalm ente, claro. Da sua delegação, do secretário Hull e do presidente Roosevelt. O que vocês esperam desta conferência?

– Que vocês apoiem o Pacto das Quatro Potências.

Aquela era a resposta-padrão, m as Volody a resolveu insistir:

– É isso que nós entendem os. – Ele agora estava sendo sincero, talvez m ais do que devesse, m as o instinto lhe dizia para correr o risco de se abrir um pouco. – Que im portância pode ter um pacto com a China? Nós precisam os derrotar os nazistas na Europa. Querem os sua aj uda para fazer isso.

– E vam os aj udar.

– É o que estão dizendo. Mas falaram tam bém que iriam invadir a Europa neste verão.

– Bem , invadim os a Itália.

– Não é suficiente.

– E vam os invadir a França no ano que vem . Já prom etem os isso.

– Então por que precisam do pacto?

– Bem ... – Woody fez um a pausa, botando os pensam entos em ordem . – Tem os que m ostrar ao povo am ericano que é do interesse do país invadir a Europa.

– Por quê?

– Por que o quê?

– Por que precisam explicar isso ao povo? Roosevelt é o presidente, não é? Ele deveria sim plesm ente agir!