Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 45 de 153

Páginas do PDF

Inverno do Mundo

Capítulo VIII

– Nesse caso – disse Attlee –, direi a Cham berlain que o nosso partido aceita fazer parte da coalizão, m as só se ele renunciar e um novo prim eiro-m inistro for nom eado.

Um m urm úrio de aprovação percorreu a m esa.

Lloy d reparou que, espertam ente, Attlee evitara perguntar quem eles achavam que deveria ser o novo prim eiro-m inistro.

– Então agora vou telefonar para o núm ero 10 da Downing Street – disse o líder trabalhista.

E saiu da sala.

 

VIII

Nessa noite, Winston Churchilll foi convocado ao Palácio de Buckingham , com o m andava a tradição, e o rei o convidou a ocupar o cargo de prim eiro-m inistro.

Ainda que Churchill fosse conservador, Lloy d tinha grandes esperanças em relação a ele. Durante o fim de sem ana, o novo prim eiro-m inistro j á havia tom ado algum as providências. Form ara um Conselho de Guerra com cinco integrantes que incluíam Clem Attlee e Arthur Greenwood, respectivam ente presidente e vice-presidente do Partido Trabalhista. O líder sindicalista Ernie Bevin foi nom eado m inistro do Trabalho. Estava claro que Churchill pretendia m ontar um governo realm ente pluripartidário.

Ele fez a m ala a tem po de pegar o trem de volta a Aberowen. Ao chegar lá, im aginava que logo seria m obilizado, provavelm ente enviado para a França. Mas precisava de apenas um a ou duas horas. Estava louco para saber a explicação do com portam ento de Daisy na terça-feira anterior. A ideia de vê-la em breve aum entava sua im paciência para com preender o que acontecera.

Enquanto isso, o Exército alem ão avançava pela Holanda e pela Bélgica, derrotando a oposição enérgica com um a rapidez que deixou Lloy d chocado. No dom ingo à noite, Billy falou ao telefone com um contato seu no Ministério da Guerra. Em seguida ele e Lloy d pegaram em prestado um atlas escolar com a dona da pensão e puseram -se a estudar o m apa do noroeste da Europa.

Com o indicador, Billy traçou um a linha que ia de leste a oeste, de Düsseldorf até Lille, passando por Bruxelas.

– Os alem ães estão atacando a parte m ais vulnerável das defesas francesas: a m etade norte da fronteira com a Bélgica. – Seu dedo desceu pelo m apa. – No sul da Bélgica situava-se a floresta das Ardenas, um a grande faixa de florestas m ontanhosas praticam ente intransponível para os exércitos m otorizados m odernos. Pelo m enos é o que diz m eu am igo do Ministério da Guerra. – Seu dedo prosseguiu. – Ainda m ais ao sul, a fronteira franco-alem ã é defendida por um a série de sólidas fortificações cham ada Linha Maginot, que se estende até a Suíça. – Seu dedo voltou ao alto da página. – Mas entre a Bélgica e o norte da França não há fortificações.

Lloy d ficou intrigado.

– Ninguém havia pensado nisso até agora?

– É claro que pensam os. E tem os um a estratégia. – Billy baixou a voz. – Cham a-se Plano D. Não deve ser m ais segredo, pois j á está sendo im plem entado. A m aior parte do Exército francês e tam bém toda a Força Expedicionária Britânica que j á está na França irão atravessar a fronteira com a Bélgica. Eles vão form ar um a sólida linha defensiva no rio Dy le. Isso vai deter o avanço dos alem ães.

Lloy d não ficou m uito m ais seguro com essa inform ação.

– Quer dizer que vam os com prom eter m etade das nossas forças com esse tal Plano D?

– Tem os que garantir que dê certo.

– É m elhor que dê certo m esm o.

Eles foram interrom pidos pela dona da pensão, que entregou um telegram a a Lloy d.

Devia ser do Exército. Ele dera aquele endereço ao coronel Ellis-Jones antes de sair de licença. Ficou surpreso por não ter tido notícias até esse m om ento. Rasgou o envelope. O telegram a dizia:

NÃO VOLTAR ABEROWEN PONTO APRESENTAR-SE IMEDIATAMENTE DOCAS

SOUTHAMPTON PONTO À BIENTÔT ASS ELLISJONES

 

Ele não voltaria a Tŷ Gwy n. Southam pton era um dos m aiores portos da Grã-Bretanha, ponto de em barque para o continente, e ficava a poucos quilôm etros de Bournem outh seguindo pelo litoral, a m ais ou m enos um a hora de trem ou de ônibus.

Com um aperto no peito, Lloy d se deu conta de que não veria Daisy no dia seguinte. Talvez j am ais viesse a saber o que ela queria lhe dizer.

O À BIENTÔT do coronel Ellis-Jones confirm ava sua dedução.

Lloy d iria para a França.