Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 129 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo VII

Um rapaz de paletó de tweed se aproxim ou de Vasili. Zoy a parecia conhecê-lo e ouviu com atenção o que ele dizia. A notícia pareceu deixá-la chocada.

Vasili e o assessor saíram do salão. Volody a foi até Zoy a e perguntou:

– Pelo am or de Deus, o que está acontecendo?

A voz dela trem ia:

– Os am ericanos j ogaram um a bom ba nuclear no Japão. – Seu lindo rosto pálido parecia ainda m ais branco que o norm al. – De início, o governo j aponês não conseguiu entender o que acontecera. Levou horas para se dar conta do que tinha sido.

– Tem os certeza disso?

– Treze quilôm etros quadrados de construções foram arrasados. Segundo as estim ativas, 75 m il pessoas m orreram na hora.

– Quantas bom bas foram ?

– Um a.

– Um a bom ba só?

– Sim .

– Meu Deus! Não é de espantar que Stalin tenha ficado branco daquele j eito.

Am bos se calaram . A notícia se espalhava visivelm ente pelo salão. Algum as pessoas pareciam atordoadas; outras se reuniam em grupos e saíam para seus escritórios, telefones, m esas de trabalho.

– Isso m uda tudo – disse Volody a.

– Inclusive nossos planos para a lua de m el – disse Zoy a. – Com certeza m inha folga vai ser cancelada.

– Acham os que a União Soviética estivesse segura.

– Seu pai acabou de fazer um discurso dizendo com o a Revolução nunca esteve tão firm e.

– Agora nada m ais está firm e.

– Não – concordou Zoy a. – Só quando tiverm os a nossa própria bom ba.

 

VII

Jacky Jakes e Georgy estavam em Buffalo, hospedados pela prim eira vez no apartam ento de Marga. Greg e Lev tam bém estavam lá e, no dia da vitória sobre o Japão – quarta-feira, 15 de agosto –, foram todos ao Hum boldt Park. As trilhas do parque estavam cheias de casais eufóricos e centenas de crianças brincavam no lago.

Greg estava feliz e orgulhoso. A bom ba havia funcionado. Os dois artefatos lançados sobre Hiroshim a e Nagasaki tinham causado um a devastação nauseante, m as tam bém haviam abreviado a guerra e salvado m ilhares de vidas am ericanas. Greg tivera um papel nisso. Por causa do seu trabalho e do de seus colegas, Georgy iria crescer num m undo livre.

– Georgy j á está com 9 anos – disse ele a Jacky .

Os dois estavam sentados num banco, conversando, enquanto Lev e Marga levavam o neto para com prar um sorvete.

– Mal consigo acreditar.

– Fico m e perguntando o que ele vai fazer da vida.

– Com certeza nada tão idiota quanto ser ator ou tocar trom pete – respondeu Jacky, arrebatada. – Ele é um m enino inteligente.

– Você gostaria que ele fosse professor universitário com o o seu pai?

– Sim .

– Nesse caso... – Greg estava m esm o preparando o terreno para abordar essa questão e ficou nervoso, sem saber com o Jacky iria reagir. – ...ele deveria estudar num a boa escola.

– Em que você está pensando?

– Que tal um colégio interno? Ele poderia estudar na m esm a escola em que estudei.

– Mas ele seria o único aluno negro.

– Não necessariam ente. Quando eu era de lá, tínham os um colega indiano, de Délhi, cham ado Kam al.

– Um só.

– Sim .

– E os outros pegavam no pé dele?

– Claro. Nós o cham ávam os de Cam elo. Mas os m eninos se acostum aram , e ele fez alguns am igos.

– E você sabe que fim ele levou?

– Virou farm acêutico. Ouvi dizer que j á tem duas drogarias em Nova York.

Jacky assentiu. Greg viu que ela não se opunha ao plano. Vinha de um a fam ília letrada. Em bora ela m esm a houvesse se rebelado e largado os estudos, acreditava no valor da educação.

– E a anuidade?

– Eu poderia pedir ao m eu pai.

– E ele pagaria?

– Olhe só para eles. – Greg apontou para a trilha do parque. Lev, Marga e Georgy estavam voltando da barraquinha de sorvete. Lev e Georgy cam inhavam lado a lado, de m ãos dadas, cada um com endo um sorvete de casquinha. – Meu pai conservador de m ãos dadas com um m enino negro num parque público. Acredite em m im : ele vai pagar!

– Na verdade, Georgy não se encaixa em lugar nenhum – disse Jacky, parecendo preocupada. – É um m enino negro com um pai branco.

– Eu sei.

– Os vizinhos do prédio da sua m ãe acham que eu sou a em pregada... você sabia?

– Sabia.

– Tom ei o cuidado de não corrigi-los. Se eles soubessem que negros estão no prédio com o convidados, poderia haver confusão.

Greg deu um suspiro.

– É... eu sinto m uito, m as você tem razão.

– A vida de Georgy vai ser difícil.

– Eu sei – concordou Greg. – Mas ele tem a nós.

Jacky lançou-lhe um raro sorriso.

– É – disse ela. – Já é algum a coisa.