Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 52 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo oito

 

1941 (I)

 

Num dom ingo frio de inverno, Carla von Ulrich acom panhou a criada da fam ília, Ada, num a visita a seu filho Kurt, no Sanatório Infantil Wannsee, que ficava à beira do lago de m esm o nom e a oeste de Berlim . Levaram um a hora para chegar lá de trem . Durante essas visitas, Carla sem pre usava seu uniform e de enferm eira, pois a equipe do sanatório conversava com m ais franqueza sobre Kurt com um a colega de profissão.

No verão, a região do lago ficaria repleta de fam ílias e crianças brincando na praia e rem ando na parte rasa, m as nesse dia havia apenas algum as pessoas cam inhando, bem agasalhadas contra o frio, e um nadador coraj oso cuj a esposa, ansiosa, aguardava na m argem .

A instituição, especializada no cuidado de crianças com deficiências graves, ficava num a casa im ponente cuj os elegantes salões tinham sido subdivididos, pintados de verde-claro e m obiliados com cam as e berços de hospital.

Kurt estava com 8 anos. Conseguia andar e com er com a m esm a desenvoltura de um m enino de 2, m as não falava e ainda usava fraldas. Havia m uitos anos que não dava nenhum sinal de m elhora. Apesar disso, não restava dúvida quanto à alegria que sentiu ao ver Ada. Seu rosto se ilum inou de felicidade, ele com eçou a em itir ruídos de anim ação e estendeu os braços para que ela o pegasse no colo, o abraçasse e beij asse.

O m enino tam bém reconheceu Carla. Sem pre que o via, ela se lem brava das circunstâncias assustadoras de seu nascim ento, quando fizera o parto sozinha enquanto Erik corria para cham ar o Dr. Rothm ann.

As duas passaram m ais ou m enos um a hora brincando com Kurt. Ele gostava de trenzinhos e carrinhos de brinquedo, e de livros com ilustrações bem coloridas. Então foi chegando a hora de seu cochilo da tarde, e Ada cantou para o filho dorm ir.

Quando estavam de saída, um a enferm eira cham ou Ada.

– Frau Hem pel, por favor, queira m e acom panhar até a sala do Herr Professor Doutor Willrich. Ele gostaria de falar com a senhora.

Willrich era o diretor do sanatório. Carla nunca o encontrara, e não tinha certeza se Ada j á o vira.

– Algum problem a? – indagou a criada, nervosa.

– Tenho certeza de que o diretor só quer conversar com a senhora sobre a evolução de Kurt – respondeu a enferm eira.

– Fräulein Von Ulrich vai m e acom panhar – disse Ada.

A enferm eira não gostou disso.

– O professor Willrich m andou cham ar só a senhora.

Mas Ada sabia ser teim osa quando necessário.

– Fräulein Von Ulrich vai com igo – repetiu com firm eza.

– Venham com igo – respondeu a enferm eira, dando de om bros.

As duas foram conduzidas até um a sala agradável. Aquele côm odo não fora subdividido. Havia um a lareira a carvão acesa, e um a bay window dava para o lago Wannsee. Carla viu que alguém velej ava: a em barcação cortava as águas im pulsionada por um a brisa forte. Willrich estava sentado atrás de um a escrivaninha de tam po de couro. Sobre a m esa, um a lata de fum o e um suporte com cachim bos de tam anhos variados. O m édico tinha cerca de 50 anos, era alto e corpulento. Todos os seus traços pareciam grandes: nariz avantaj ado, m axilar quadrado, orelhas im ensas e um a cabeça calva em form a de dom o. Ele olhou para Ada e perguntou:

– Frau Hem pel, suponho? – Ada assentiu. Willrich virou-se para Carla. – E Fräulein...

– Carla von Ulrich, professor. Sou m adrinha de Kurt.

O m édico arqueou as sobrancelhas.

– A senhorita não é um pouco j ovem para ser m adrinha?

– Ela fez o parto de Kurt! – respondeu Ada com indignação. – Tinha apenas 11 anos, m as saiu-se m elhor do que o m édico, que não estava lá!

Willrich ignorou esse com entário. Sem tirar os olhos de Carla, prosseguiu em tom de desdém :

– E estou vendo que pretende ser enferm eira.

Carla usava um uniform e de iniciante, m as se considerava m ais do que um a sim ples aspirante.

– Sou um a enferm eira em treinam ento – falou. Não gostou de Willrich.

– Sentem -se, por favor. – Ele abriu um a pasta fina. – Kurt está com 8 anos, m as só alcançou o desenvolvim ento de um m enino de 2.

Fez um a pausa. Nenhum a das duas disse nada.

– É insatisfatório – disse ele.

Ada olhou para Carla. A j ovem não entendia aonde o m édico queria chegar, e indicou isso dando de om bros.

– Existe um novo tratam ento disponível para casos com o esse. Mas para isso Kurt precisa ser transferido para outro hospital. – Willrich fechou a pasta. Olhou para Ada e, pela prim eira vez, sorriu. – Tenho certeza de que a senhora gostaria que Kurt recebesse um tratam ento que talvez possa m elhorar sua situação.

Carla não gostou daquele sorriso, que lhe pareceu sinistro.

– Pode nos explicar um pouco m elhor o tratam ento, professor? – pediu.

– Tem o que as explicações estej am além do seu nível de com preensão – respondeu ele. – Mesm o a senhorita sendo um a enferm eira em treinam ento.

Mas Carla não iria deixá-lo escapar.

– Tenho certeza de que Frau Hem pel gostaria de saber se o tratam ento incluiria cirurgias, rem édios ou eletrochoques, por exem plo.

– Rem édios – disse ele, com evidente relutância.

– Para onde ele teria que ir? – perguntou Ada.

– O hospital fica em Akelberg, na Bavária.

Ada não entendia m uito de geografia, e Carla percebeu que ela não fazia ideia de com o isso era longe.

– A 300 quilôm etros daqui – esclareceu.

– Ah, não! – reclam ou Ada. – Com o irei visitá-lo?

– De trem – respondeu Willrich, im paciente.

– Levaria um as quatro ou cinco horas – disse Carla. – Ela provavelm ente teria que passar a noite lá. E o custo da passagem ?

– Não posso m e preocupar com esse tipo de coisa! – respondeu Willrich, zangado. – Sou m édico, não agente de viagens!

Ada estava quase chorando.

– Se isso significa que Kurt vai m elhorar, aprender a dizer algum as palavras e a não se suj ar... um dia talvez possam os trazê-lo para casa.

– Exatam ente – disse Willrich. – Eu tinha certeza de que a senhora não negaria ao seu filho um a chance de m elhorar só por causa de suas m otivações egoístas.

– É isso que o senhor está nos dizendo? – indagou Carla. – Que Kurt talvez possa levar um a vida norm al?

– A m edicina não dá garantias – respondeu ele. – Até m esm o um a enferm eira em treinam ento deveria saber disso.

Carla tinha aprendido com os pais a ser im paciente com quem não respondia diretam ente às perguntas.

– Não estou pedindo um a garantia – retrucou, seca. – Mas um prognóstico. Coisa que o senhor deve ter, ou então não estaria propondo o tratam ento.

O m édico enrubesceu.

– É um tratam ento novo. Espero que m elhore a condição de Kurt. É isso que estou lhe dizendo.

– Um tratam ento experim ental?

– Toda a m edicina é experim ental. Qualquer terapia funciona para alguns pacientes e não para outros. A senhorita deveria prestar atenção no que estou lhe dizendo: a m edicina não dá garantias.

Carla quis contradizê-lo pelo sim ples fato de ele se m ostrar tão arrogante, m as percebeu que não deveria avaliar um m édico por causa disso. Além do m ais, não sabia m uito bem se Ada tinha alternativa. Se a saúde da criança estivesse em risco, os m édicos podiam contrariar a vontade dos pais: na verdade, tinham o poder de fazer o que bem entendessem . Willrich não estava pedindo a perm issão de Ada – não precisava disso. Só estava falando com ela para evitar confusão.

– O senhor pode dizer a Frau Hem pel em quanto tem po Kurt vai voltar para Berlim ? – perguntou Carla.

– Em breve – respondeu Willrich.

Aquilo não era resposta, m as Carla sentiu que, se o pressionasse, ele tornaria a se zangar.

Ada tinha um ar im potente. Carla sentiu pena da m ãe do m enino: ela própria não sabia bem com o agir. Elas não tinham recebido inform ações suficientes. Já percebera que os m édicos m uitas vezes eram assim : pareciam querer guardar seu conhecim ento para si. Preferiam responder com lugares-com uns e, quando questionados, adotavam um a postura defensiva.

– Bom , se houver um a chance de ele m elhorar... – disse Ada, com lágrim as nos olhos.

– Assim é que se fala – incentivou Willrich.

Mas Ada ainda não tinha term inado.

– O que você acha, Carla?

Willrich pareceu indignado por ela pedir a opinião de um a reles enferm eira.

– Concordo com você, Ada – respondeu Carla. – Tem os que aproveitar essa oportunidade pelo bem de Kurt, m esm o que sej a difícil para você.

– Muito sensato – disse Willrich, pondo-se de pé. – Obrigado por terem vindo conversar com igo.

Ele foi até a porta e a abriu. Carla teve a sensação de que o m édico estava com pressa de se livrar delas.

As duas saíram do sanatório e voltaram a pé para a estação. O trem estava vazio e, quando ele com eçou a andar, Carla pegou um folheto que fora deixado em cim a do banco. O título era COMO FAZER OPOSIÇÃO AOS NAZISTAS , e o texto listava dez coisas que a população podia fazer para apressar o fim do regim e, a com eçar por dim inuir seu ritm o de trabalho.

Já vira publicações desse tipo, em bora não com frequência. Eram distribuídas por algum m ovim ento clandestino de resistência.

Ada arrancou o folheto de suas m ãos, am assou-o e o j ogou pela j anela.

– Você pode ser presa por ler um a coisa dessas! – falou.

Ela havia sido sua babá e às vezes se com portava com o se Carla não tivesse crescido. A j ovem não se im portava com esse ocasional com portam ento m andão, pois sabia que era prova de am or.

Nesse caso, porém , Ada não estava exagerando. Pessoas podiam ser presas não apenas por ler publicações com o aquela, m as pelo sim ples fato de não denunciarem um folheto encontrado. Ada poderia ter problem as só por ter j ogado o papel pela j anela. Felizm ente, não havia m ais ninguém no vagão para ver o que ela fizera.

A criada ainda estava nervosa por causa do que ouvira no sanatório.

– Você acha que fizem os a coisa certa? – perguntou a Carla.

– Na verdade, não sei – respondeu Carla com sinceridade. – Acho que sim .

– Você é enferm eira, entende m ais dessas coisas que eu.

Carla estava gostando da enferm agem , m as ainda se sentia frustrada por não a terem deixado estudar m edicina. Agora, com tantos rapazes no Exército, a atitude em relação às m ulheres havia m udado, e m ais m oças estavam entrando na faculdade para se tornarem m édicas. Carla poderia ter se candidatado novam ente a um a bolsa – m as sua fam ília era tão pobre que dependia de seu parco salário. O pai não tinha trabalho nenhum , a m ãe sobrevivia dando aulas de piano, e Erik m andava para casa o m áxim o que podia do soldo m ilitar. A fam ília não pagava Ada havia m uitos anos.

Ada era naturalm ente estoica e, ao chegar em casa, j á tinha superado sua aflição. Entrou na cozinha, pôs o avental e com eçou a preparar o j antar para a fam ília. A rotina pareceu consolá-la.

Carla não iria j antar em casa. Tinha planos para aquela noite. Achou que estava abandonando Ada à própria tristeza e sentiu um pouco de culpa, m as não o suficiente para com prom eter sua saída.

Pôs um vestido na altura do j oelho, parecido com os que se usavam para j ogar tênis, que ela m esm a fizera, dim inuindo a bainha puída de um velho vestido da m ãe. Mas não estava indo j ogar tênis: ia dançar, e seu obj etivo era parecer am ericana. Passou batom , cobriu o rosto com pó de arroz e desem baraçou os cabelos, desafiando a preferência do governo por tranças.

O espelho refletiu a im agem de um a m oça m oderna, de rosto bonito e ar desafiador. Ela sabia que sua segurança e autoconfiança deixavam m uitos rapazes intim idados. Às vezes, desej ava ser, além de inteligente, sedutora – algo que a m ãe sem pre fora, m as que não era parte da natureza de Carla. Já fazia m uito tem po que ela havia parado de tentar ser cativante: isso só a fazia se sentir boba. Os rapazes precisavam aceitá-la com o ela era.

Alguns a tem iam , outros, porém , se sentiam atraídos, e nas festas ela sem pre acabava cercada por um pequeno grupo de adm iradores. Gostava dos rapazes, sobretudo quando eles se esqueciam de tentar im pressionar os outros e com eçavam a falar de m odo norm al. Seus preferidos eram os que a faziam rir. Em bora j á tivesse beij ado vários garotos, ainda não tivera nenhum nam orado sério.

Para com pletar o visual, vestiu um blazer listrado que havia com prado num a carroça de roupas de segunda m ão. Sabia que os pais não aprovariam aqueles traj es e tentariam fazê-la se trocar, dizendo que era perigoso contrariar os preconceitos dos nazistas. Por isso precisava sair de casa sem ser vista. Não deveria ser m uito com plicado. Sua m ãe estava dando um a aula de piano: Carla podia ouvir o som irritante produzido pelo dedilhar canhestro do aluno. Seu pai devia estar lendo o j ornal na m esm a sala, pois eles não podiam arcar com os custos de aquecer m ais de um côm odo. Erik estava no Exército, em bora no m om ento se encontrasse estacionado perto de Berlim e em breve devesse receber um a licença para visitar a fam ília.

Ela se cobriu com um a capa de chuva convencional e guardou os sapatos brancos nos bolsos.

Desceu até o hall, abriu a porta da frente e gritou:

– Tchau, j á volto! – E saiu correndo.

Encontrou Frieda na estação da Friedrichstrasse. A am iga estava vestida de form a sem elhante à sua: vestido listrado debaixo de um sobretudo bege sim ples e cabelos soltos. A principal diferença era que as roupas de Frieda eram novas e caras. Na plataform a, dois rapazes usando uniform es da Juventude Hitlerista encararam as duas com um m isto de reprovação e desej o.

Elas desceram no subúrbio de Wedding, bairro de classe trabalhadora que era um bastião da esquerda. Seguiram em direção ao Salão Pharus, onde antes costum avam acontecer as reuniões dos com unistas. Agora, naturalm ente, não havia m ais nenhum a atividade política ali. Mesm o assim , o prédio se tornara o centro de um m ovim ento cham ado Jovens do Swing.

Jovens entre 15 e 25 anos de idade j á com eçavam a se reunir nas ruas ao redor do salão. Os garotos usavam paletós listrados e carregavam guarda-chuva a fim de parecerem ingleses. Deixavam os cabelos crescerem , num a dem onstração de desprezo pelas Forças Arm adas. As garotas, por sua vez, usavam m aquiagem e roupas esportivas ao estilo am ericano. Todos achavam a Juventude Hitlerista um a bobagem e um a chatice, com suas m úsicas folclóricas e seus bailes com unitários.

Carla pensava que aquilo era um a ironia. Quando pequena, as outras crianças im plicavam com ela e a cham avam de estrangeira porque sua m ãe era inglesa. Agora um pouco m ais velhas, essas m esm as crianças achavam que ser inglês era o auge da m oda.

Carla e Frieda entraram no salão. O lugar era sede de um clube j uvenil convencional e inocente, com garotas de saias de pregas e garotos de calças curtas j ogando pingue-pongue e bebendo um licor de laranj a espesso. Mas o quente m esm o eram as salas laterais.

Rapidam ente, Frieda conduziu Carla até um am plo espaço que servia de depósito, com cadeiras em pilhadas j unto às paredes. Ali seu irm ão Werner tinha ligado um toca-discos. De cinquenta a sessenta rapazes e m oças dançavam o jitterbug. Carla reconheceu a m úsica que estava tocando: “Ma, He’s Making Ey es at Me”. Ela e Frieda com eçaram a dançar.

Com o a m aioria dos m úsicos de j azz era negra, os discos desse estilo m usical eram proibidos na Alem anha. Os nazistas eram obrigados a denegrir tudo o que os não arianos fizessem bem , pois isso am eaçava sua teoria da superioridade. Infelizm ente para eles, os alem ães am avam o j azz tanto quanto qualquer outro povo. Viaj antes que visitavam outros países traziam discos para casa e tam bém era possível com prá-los de m arinheiros am ericanos em Ham burgo. O m ercado negro funcionava a todo vapor.

Werner, é claro, tinha m uitos discos. Ele tinha tudo: um carro, roupas m odernas, cigarros, dinheiro. Continuava sendo o rapaz dos sonhos de Carla, em bora sem pre escolhesse m oças m ais velhas do que ela. Moças, não: m ulheres, na verdade. Todos im aginavam que ele as levasse para a cam a. Carla ainda era virgem .

Heinrich von Kessel, o anim ado am igo de Werner, aproxim ou-se delas assim que chegaram e com eçou a dançar com Frieda. Usava paletó e colete pretos que, j unto com seus cabelos escuros e m eio com pridos, produziam um efeito vistoso. Ele era louco por Frieda. Ela tam bém gostava dele – adorava conversar com hom ens inteligentes –, m as não queria sair com ele porque o achava velho dem ais: tinha 25 ou 26 anos.

Em pouco tem po, um rapaz que Carla não conhecia cham ou-a para dançar, e a noite com eçou a se m ostrar prom issora.

Ela se deixou levar pela m úsica: a percussão irresistível e sensual, as letras cantadas de form a sugestiva, os em ocionantes solos de trom pete, o arroubo vivaz da clarineta. Ela rodopiava, dava chutes, fazia a saia rodar escandalosam ente alto, caía nos braços de seu par e tornava a se afastar.

Quando j á havia m ais ou m enos um a hora que estavam dançando, Werner pôs um a m úsica lenta. Frieda e Heinrich com eçaram a dançar de rosto colado. Não havia nenhum rapaz disponível de quem Carla gostasse o suficiente para dançar um a m úsica lenta, por isso ela saiu da pista e foi pegar um a Coca-Cola. Seu país não estava em guerra com os Estados Unidos, então o xarope da Coca-Cola continuava a ser im portado e engarrafado na Alem anha.

Para sua surpresa, Werner a seguiu até o lado de fora da sala, deixando outra pessoa em seu lugar para trocar os discos por algum tem po. Ela ficou lisonj eada com o fato de o hom em m ais atraente da festa querer falar com ela.

Carla lhe contou sobre a transferência de Kurt para Akelberg, e Werner disse que o m esm o acontecera com Axel, seu irm ão caçula de 15 anos que tinha nascido com espinha bífida.

– Será que o m esm o tratam ento poderia funcionar para os dois? – indagou ele, com o cenho franzido.

– Duvido, m as na verdade não sei dizer – respondeu Carla.

– Por que será que os m édicos nunca explicam o que estão fazendo? – questionou Werner, irritado.

Ela deu um a risadinha sem graça.

– Eles acham que, se as pessoas com uns entenderem a m edicina, não vão m ais reverenciá-los com o deuses.

– É o m esm o princípio de um vidente: fica m ais im pressionante se você não souber qual é o truque – com entou Werner. – Os m édicos são tão egocêntricos quanto qualquer outra pessoa.

– São m uito m ais – disse Carla. – Sou enferm eira, sei do que estou falando.

Ela lhe contou sobre o folheto que tinha lido no trem .