Inverno do Mundo
Capítulo IV
Daisy se sentiu estranha ao entrar na casa em que havia m orado com Boy . Um m ês antes, aquilo tudo lhe pertencia. Ela era livre para ir e vir quando quisesse; para entrar em qualquer côm odo sem pedir licença. Os criados obedeciam a todas as suas ordens sem questioná-la. Agora, era um a estranha naquela casa. Não tirou as luvas nem o chapéu e teve que seguir o velho m ordom o até a sala íntim a.
Boy não apertou sua m ão nem a beij ou no rosto. Parecia tom ado por um a indignação j ustificada.
– Ainda não contratei um advogado – disse Daisy, sentando-se. – Queria falar com você pessoalm ente antes. Espero que possam os fazer isso sem nos odiar. Afinal de contas, não há filhos para disputarm os a guarda, e nós dois tem os dinheiro de sobra.
– Você m e traiu! – exclam ou ele.
Daisy suspirou. Era óbvio que aquilo não iria correr do j eito que ela esperava.
– Nós dois com etem os adultério – falou. – Você prim eiro.
– Eu fui hum ilhado. Todo m undo em Londres sabe!
– Tentei im pedi-lo de fazer papel de bobo lá no Claridge... m as você estava ocupado dem ais tentando m e hum ilhar! Espero que tenha dado um a surra naquele m arquês detestável.
– Com o eu poderia ter feito um a coisa dessas? Ele m e fez um favor.
– Poderia ter feito um favor m aior ainda conversando com você discretam ente no clube.
– Não entendo com o você pôde se apaixonar por um pé-rapado sem classe com o aquele William s. Descobri algum as coisas sobre ele. A m ãe dele era um a criada!
– Ela provavelm ente é a m ulher m ais im pressionante que j á conheci.
– Espero que você estej a ciente de que ninguém sabe direito quem é o pai dele.
Aquilo era o cúm ulo da ironia, pensou Daisy .
– Eu sei quem é o pai dele – falou.
– Quem ?
– Com certeza não vou lhe contar.
– Então pronto.
– Isso não vai nos levar a lugar nenhum , não acha?
– Acho.
– Talvez sej a m elhor eu pedir a um advogado que lhe escreva. – Ela se levantou. – Eu am ei você um dia, Boy – falou, com tristeza. – Você era divertido. Sinto m uito se não fui suficiente para satisfazê-lo. Desej o que sej a feliz. Espero que se case com um a m ulher m ais adequada, e que ela lhe dê m uitos filhos. Eu ficaria feliz se isso acontecesse.
– Só que não vai acontecer – retrucou ele.
Ela j á tinha se virado para a porta, m as deu m eia-volta.
– Por que está dizendo isso?
– Recebi o resultado daqueles exam es que fizem os.
Ela havia esquecido a consulta com o m édico. Com o fim do casam ento, isso lhe parecera irrelevante.
– E qual foi o resultado?
– Não há nada de errado com você... Pode ter um a ninhada de filhotes. Mas eu, não. Caxum ba em adultos às vezes causa infertilidade. – Ele deu um a risada am arga. – Todos aqueles m alditos alem ães atirando em m im durante anos, e fui derrubado pelos três pirralhos de um vigário.