Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 110 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo dezoito

 

1944

 

Woody estava em pé diante do espelho de seu quarto, no apartam ento dos pais em Washington. Vestia um uniform e de segundo-tenente do 501 o Regim ento de Paraquedistas do Exército am ericano.

Apesar de ter sido feito sob m edida por um bom alfaiate, o uniform e não lhe caía bem . A cor cáqui o deixava com um aspecto abatido, e as insígnias e os galões da túnica davam um a im pressão desalinhada.

Talvez ele pudesse ter evitado o alistam ento obrigatório, m as decidira não fazer isso. Parte dele queria seguir trabalhando com o pai, que aj udava o presidente Roosevelt a planej ar um a nova ordem global a fim de evitar outras guerras m undiais. Tinham conseguido um a vitória em Moscou, m as Stalin era um hom em inconstante e parecia se com prazer em criar dificuldades. Na Conferência de Teerã, em dezem bro de 1943, o líder soviético ressuscitara a ideia interm ediária dos conselhos regionais, e Roosevelt precisara dissuadi-lo. Estava claro que as Nações Unidas iriam exigir um a vigilância constante.

Mas Gus podia fazer isso sem o filho. E Woody sentia-se cada vez pior por deixar outros hom ens lutarem em seu lugar.

Apesar de sua aparência não agradá-lo, era a m elhor possível com aquele uniform e, então foi à sala m ostrá-lo à m ãe.

Rosa tinha visita: um rapaz de uniform e branco da Marinha. Woody levou alguns instantes para reconhecer o atraente e sardento Eddie Parry. Sentado ao lado de sua m ãe no sofá, ele segurava um a bengala. Levantou-se com dificuldade para apertar a m ão de Woody .

Rosa tinha um a expressão triste.

– Eddie estava m e contando sobre o dia em que Chuck m orreu – falou.

O rapaz tornou a se sentar e Woody se acom odou em frente a ele e sua m ãe.

– Quero ouvir tam bém – falou.

– Não é um a história m uito longa – com eçou Eddie. – Fazia uns cinco segundos que tínham os desem barcado na praia de Bougainville quando um artilheiro abriu fogo de algum lugar no pântano. Correm os para nos proteger, m as fui atingido no j oelho. Chuck deveria ter continuado a correr até as árvores. É isso que aprendem os nos treinos: deixar os feridos para trás, para que sej am recolhidos pelas equipes m édicas. Mas é claro que Chuck desobedeceu a essa regra. Ele parou e voltou para m e buscar.

Eddie fez um a pausa. Havia um a xícara de café na m esinha à sua frente, e ele a pegou e tom ou um gole.

– Ele m e pegou no colo – prosseguiu. – Que tolo... Virou um alvo fácil. Mas acho que ele queria m e levar de volta para a barcaça. Essas em barcações têm laterais bem altas e são feitas de aço. Ficaríam os seguros lá, e eu receberia cuidados m édicos logo em seguida, no navio. Mas Chuck não devia ter feito isso. Assim que ele se levantou, foi atingido por um a raj ada de balas... nas pernas, nas costas, na cabeça. Acho que deve ter m orrido antes m esm o de cair na areia. De toda form a, quando consegui levantar a cabeça para olhar, ele sim plesm ente j á havia partido.