Inverno do Mundo
Capítulo VIII
– Você.
– Nós explodim os o trem – disse Lloy d.
Boy parecia incapaz de m over qualquer coisa além dos olhos e da boca.
– Que m undo pequeno – falou.
– Não é?
– Quem é esse? – perguntou Cigare.
Lloy d hesitou antes de responder:
– Meu irm ão.
– Meu Deus!
Boy fechou os olhos.
– Precisam os de um m édico – disse Lloy d a Légionnaire.
O francês fez que não com a cabeça.
– Tem os que sair daqui. Os alem ães vão aparecer em poucos m inutos para investigar o acidente com o trem .
Lloy d sabia que ele tinha razão.
– Então terem os que levá-lo.
Boy abriu os olhos e disse:
– William s.
– O que foi, Boy ?
Boy pareceu sorrir.
– Pode se casar com aquela vadia agora.
E então m orreu.
VIII
Daisy chorou ao ouvir a notícia. Boy tinha sido um filho da m ãe e a tratara m uito m al, m as ela o am ara um dia, e ele lhe ensinara m uito sobre sexo. Ficou triste com sua m orte.
O irm ão m ais novo de Boy, Andy, era agora o visconde e herdeiro do título do pai; sua esposa, May, era viscondessa. Segundo as com plexas regras da aristocracia britânica, o título de Daisy agora era viúva viscondessa de Aberowen – isso até ela se casar com Lloy d, quando ficaria aliviada em se tornar apenas a Sra. William s.
Mas talvez isso ainda fosse dem orar m uito. Durante o verão, a esperança de um fim rápido para a guerra não se cum priu. Em 20 de j ulho, um com plô de oficiais alem ães para m atar Hitler fracassou. O Exército alem ão estava agora em franca derrocada no front oriental, e os Aliados conquistaram Paris em agosto, m as Hitler estava decidido a lutar até o terrível fim . Daisy não fazia ideia de quando voltaria a ver Lloy d, quanto m ais se casar com ele.
Num a quarta-feira de setem bro, quando foi passar a noite em Aldgate, Eth Leckwith a recebeu radiante.
– Ótim as notícias! – disse Ethel quando Daisy entrou na cozinha. – Lloy d foi aprovado com o pré-candidato ao Parlam ento por Hoxton!
Millie, irm ã de Lloy d, estava na casa dos pais com os dois filhos, Lennie e Pam m ie.
– Não é m aravilhoso? – indagou ela. – Aposto que ele vai ser prim eiro-m inistro.
– É – disse Daisy , antes de se sentar, desanim ada.
– Bem , estou vendo que você não ficou m uito feliz com a notícia – com entou Ethel. – Com o diria m inha am iga Mildred, você está com cara de quem chupou lim ão. Qual é o problem a?
– É que estar casado com igo não vai aj udar Lloy d a ser eleito.
Justam ente porque o am ava tanto ela se sentia tão m al. Com o poderia prej udicar seu futuro? Por outro lado, com o poderia desistir dele? Quando pensava nisso, sentia o coração pesado, e a vida lhe parecia sem graça.
– Porque você é um a herdeira? – perguntou Ethel.
– Não só por isso. Antes de Boy m orrer, ele m e disse que Lloy d j am ais seria eleito se estivesse casado com um a ex-fascista. – Ela olhou para Ethel, que sem pre dizia a verdade, m esm o que fosse dura. – Ele estava certo, não estava?
– Não totalm ente – respondeu Ethel. Ela pôs a chaleira no fogo para fazer um chá e então se sentou à m esa da cozinha de frente para Daisy. – Não vou dizer que não sej a um problem a. Mas não acho que você deva se desesperar.
Você é igualzinha a m im , pensou Daisy. Sem pre diz o que pensa. Não é de espantar que Lloy d m e am e: sou um a versão m ais j ovem da m ãe dele.
– O am or tudo vence, não é? – disse Millie. Ela viu que seu filho de 4 anos, Lennie, estava batendo com um soldadinho de m adeira na pequena Pam m ie, de 2 anos. – Não bata na sua irm ã! – ralhou. Virando-se novam ente para Daisy, continuou: – E o m eu irm ão é louco por você. Para falar a verdade, acho que ele nunca am ou outra pessoa.
– Eu sei – disse Daisy, com vontade de chorar. – Mas ele está decidido a m udar o m undo, e não consigo suportar a ideia de ficar em seu cam inho.
Pam m ie estava chorando, então Ethel pôs a m enina no colo e ela se acalm ou na hora.
– Vou dizer o que você tem que fazer – falou para Daisy. – Estej a preparada para perguntas, espere hostilidade, m as não fuj a da questão nem esconda seu passado.
– O que devo dizer?
– Você pode afirm ar que foi enganada pelo fascism o, assim com o m ilhões de outras pessoas; m as que trabalhou com o m otorista de am bulância na Blitz e espera ter pagado as suas dívidas. Ensaie o discurso com Lloy d. Sej a confiante, sej a você m esm a, essa m ulher encantadora e irresistível, e não deixe que isso a abale.
– Vai dar certo?
Ethel hesitou.
– Não sei – respondeu, depois de um a pausa. – Não sei m esm o. Mas você precisa tentar.
– Seria horrível se ele tivesse que desistir do que am a por m inha causa. Um a coisa dessas pode destruir um casam ento.
Daisy estava m eio que torcendo para Ethel negar isso, m as ela não o fez.
– Não sei – lim itou-se a repetir.