Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 147 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo II

– Graças a m im o quê?

– Graças a você o com unism o foi salvo – respondeu ele.

 

II

– A bom ba russa foi baseada nos desenhos da Fat Man, a que lançam os sobre Nagasaki – disse o agente especial Bill Bicks. – Alguém entregou o desenho a eles.

– Com o você sabe? – perguntou-lhe Greg.

– Um desertor nos contou.

Os dois estavam sentados na sala acarpetada de Bicks em Washington, na sede do FBI; eram nove da m anhã. Bicks estava sem paletó. Em bora o ar-condicionado desse ao prédio um a tem peratura agradável, tinha a cam isa m anchada de suor nas axilas.

– Segundo esse cara – prosseguiu ele –, um coronel da Inteligência do Exército Verm elho conseguiu os desenhos com um dos cientistas da equipe do Proj eto Manhattan.

– Ele disse quem foi?

– Ele não sabe. Por isso cham ei você. Precisam os encontrar o traidor.

– O FBI verificou todos eles na época.

– E a m aioria representava risco! Não havia nada que pudéssem os fazer. Mas você os conhecia pessoalm ente.

– Quem era o tal coronel do Exército Verm elho?

– Eu j á ia chegar a essa parte. Você o conhece. O nom e dele é Vladim ir Peshkov.

– Meu m eio-irm ão!

– É.

– Se eu fosse vocês, suspeitaria de m im .

Greg disse isso com um a risada, m as estava m uito incom odado.

– Ah, nós suspeitam os, pode acreditar – respondeu Bicks. – Você foi subm etido à investigação m ais com pleta que j á vi nos m eus trinta anos de casa.

Greg lançou-lhe um olhar cético.

– É m esm o?

– Seu filho está indo bem na escola, não está?

A pergunta deixou Greg chocado. Quem poderia ter contado ao FBI sobre Georgy ?

– Meu afilhado, você quer dizer? – indagou.

– Greg, eu disse completa. Sabem os que ele é seu filho.

Greg ficou irritado, m as se conteve. Já havia desencavado segredos pessoais de m uitos suspeitos durante o tem po em que trabalhara na inteligência do Exército. Não tinha o direito de reclam ar.

– Você está lim po – continuou Bicks.

– Fico aliviado em saber.

– De toda form a, nosso desertor insistiu em que os desenhos foram entregues por um cientista, e não por um dos funcionários m ilitares regulares que estavam trabalhando no proj eto.

– Quando encontrei Volody a em Moscou, ele m e disse que não conhecia os Estados Unidos – disse Greg, pensativo.

– Ele m entiu – disse Bicks. – Esteve aqui em setem bro de 1945. Passou um a sem ana em Nova York. Então nós o perdem os por oito dias. Ele reapareceu por um breve período e depois voltou para casa.

– Oito dias?

– É. Um a vergonha.

– É tem po suficiente para ir até Santa Fé, passar um ou dois dias lá e voltar.

– É. – Bicks se curvou para a frente por cim a da m esa. – Mas pense bem . Se o cientista j á tivesse sido recrutado com o espião, por que não foi contatado pelo interm ediário habitual? Por que trazer alguém de Moscou para conversar com ele?

– Você acha que o traidor foi recrutado durante essa visita de dois dias? Parece rápido dem ais.

– É possível que ele j á houvesse trabalhado para os russos, m as tivesse desistido. De toda form a, estam os im aginando que os soviéticos precisavam m andar alguém que o cientista já conhecesse. Isso significa que deve haver algum a ligação entre Volody a e um dos cientistas. – Bicks fez um gesto em direção a um a m esa lateral coberta de pastas am arelas. – A resposta está ali em algum lugar. São as nossas pastas sobre todos os cientistas que tiveram acesso aos desenhos.

– O que você quer que eu faça?

– Exam ine as pastas.

– Esse trabalho não é seu?

– Já exam inam os. Não encontram os nada. Estam os torcendo para que você encontre algo que deixam os passar. Vou ficar sentado aqui lhe fazendo com panhia, assim aproveito para arrum ar um pouco de papelada.

– Vai ser um trabalho dem orado.

– Você tem o dia inteiro.

Greg franziu o cenho. Será que eles sabiam ...?

– Não tem nada m arcado para o restante do dia – disse Bicks, seguro.

Greg deu de om bros.

– Tem café?

Ele tom ou um café e com eu rosquinhas, depois tom ou m ais café, com eu um sanduíche na hora do alm oço e um a banana no m eio da tarde. Já conhecia todos os detalhes sobre a vida dos cientistas, suas esposas e parentes: infância, escolaridade, carreira, am or e casam ento, conquistas, excentricidades e pecados.

Estava com endo o últim o pedaço de banana quando exclam ou:

– Puta que pariu!

– O que foi? – indagou Bicks.

– Willi Frunze estudou na Academ ia para Meninos de Berlim . – Greg fez a pasta estalar em cim a da m esa, com um gesto triunfante.

– E daí?

– Volody a tam bém estudou lá... ele m e contou.

Anim ado, Bicks socou a m esa.