Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 35 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo IV

– O uísque está ali – inform ou a outro convidado. – Sirva-se. Estou preparando m artínis para quem quiser.

– Tem bourbon? – perguntou Woody .

– Aqui. – O hom em lhe entregou um a garrafa. – Meu nom e é Bexforth Ross.

– Woody Dewar. – Woody encontrou um copo e se serviu.

– O gelo está naquele balde – disse Bexforth. – De onde você é, Woody ?

– Sou estagiário do Senado. E você?

– Trabalho no Departam ento de Estado. Cuido dos assuntos relacionados à Itália. – Ele com eçou a servir m artínis.

Estava claro que aquele suj eito era um a estrela em ascensão, pensou Woody. Sua segurança era tanta que chegava a ser irritante.

– Eu estava procurando Joanne.

– Ela deve estar por aí. De onde vocês se conhecem ?

Nessa questão, Woody sentiu que podia dem onstrar um a clara superioridade.

– Ah, som os velhos am igos – respondeu, em tom casual. – Na verdade, eu a conheço desde sem pre. Crescem os j untos em Buffalo. E você?

Bexforth tom ou um grande gole de m artíni e deu um suspiro satisfeito. Então exam inou Woody com um olhar atento.

– Não conheço Joanne há tanto tem po quanto você – disse ele. – Mas acho que a conheço m elhor.

– Com o assim ?

– Pretendo m e casar com ela.

Woody sentiu com o se tivesse levado um tapa na cara.

– Casar com ela?

– Sim . Não é incrível?

Woody não conseguiu esconder a consternação.

– E ela sabe?

Bexforth soltou um a risada e deu um tapinha condescendente no om bro de Woody .

– É claro que sabe, e concorda plenam ente. Sou o cara m ais sortudo do m undo.

Estava óbvio que Bexforth percebera a atração de Woody por Joanne. Ele se sentiu um bobo.

– Meus parabéns – falou, desanim ado.

– Obrigado. Agora preciso circular. Foi um prazer conversar com você, Woody .

– O prazer foi todo m eu.

Bexforth se afastou.

Woody pousou o copo sem provar a bebida.

– Que se foda – falou em voz baixa. E foi em bora.

 

IV

Prim eiro de setem bro foi um dia bem quente em Berlim . Carla von Ulrich acordou suada e desconfortável. Tinha se livrado dos lençóis durante a noite. Olhou pela j anela do quarto e viu que nuvens cinzentas baixas pairavam sobre a cidade, retendo o calor com o a tam pa de um a panela.

Aquele era um dia im portante para ela. Na verdade, iria determ inar o resto de sua vida.

Ficou de pé em frente ao espelho. Tinha o m esm o colorido da m ãe, os cabelos escuros e olhos verdes dos Fitzherbert. Porém era m ais bonita que Maud, cuj o rosto anguloso era m ais im pressionante do que propriam ente belo. A diferença entre m ãe e filha era grande. Maud atraía praticam ente todos os hom ens com quem cruzava. Carla, por sua vez, não sabia flertar. Via com o se com portavam as outras m oças de 17 anos: riam de m odo afetado, puxavam o suéter para deixá-lo m ais j usto nos seios, j ogavam os cabelos de um lado para outro e piscavam . Aquilo a deixava constrangida. Sua m ãe era m ais sutil, claro, de m odo que os hom ens m al sabiam que estavam sendo enfeitiçados, m as o j ogo era basicam ente o m esm o.

Nesse dia, porém , Carla não queria parecer sensual. Muito pelo contrário: precisava parecer prática, sensata e capaz. Escolheu um vestido sim ples de algodão cinza-escuro que batia no m eio das canelas, calçou suas sandálias de escola pouco glam ourosas e prendeu os cabelos em duas tranças, bem ao estilo das m oças alem ãs. O espelho refletiu a im agem de um a estudante ideal: conservadora, sem graça e assexuada.

Acordara e se vestira antes do restante da fam ília. Ada, a criada, j á estava na cozinha e Carla a aj udou a pôr a m esa do café da m anhã.

Seu irm ão apareceu em seguida. Com 19 anos, exibindo um bigodinho preto bem -aparado, Erik era pró-nazista, o que enfurecia sua fam ília. Estudava na Charité, a faculdade de m edicina da Universidade de Berlim , j unto com seu m elhor am igo e tam bém nazista Herm ann Braun. Os Von Ulrich naturalm ente não podiam arcar com o custo da faculdade, m as Erik tinha ganhado um a bolsa de estudos.

Carla se candidatara a essa m esm a bolsa, na m esm a instituição. Era o dia de sua entrevista. Caso se saísse bem , poderia estudar e virar m édica. Do contrário...

Não tinha a m enor ideia do que iria fazer.

A ascensão dos nazistas ao poder tinha arruinado a vida dos Von Ulrich. Seu pai não era m ais deputado no Reichstag, pois havia perdido o cargo quando o Partido Social-Dem ocrata – assim com o todos os outros, exceto o Partido Nazista – se tornara ilegal. Não havia nenhum trabalho em que pudesse usar sua experiência de político e diplom ata. Ele ganhava m al e m al a vida traduzindo artigos de j ornais alem ães para a em baixada britânica, onde ainda tinha alguns am igos. A m ãe de Carla, por sua vez, tinha sido um a fam osa j ornalista de esquerda, m as os j ornais não podiam m ais publicar suas m atérias.

Carla achava tudo aquilo um a lástim a. Era m uito dedicada à fam ília, que incluía Ada. Ficava triste ao testem unhar o declínio do pai, que durante sua infância tinha sido um hom em trabalhador e politicam ente im portante, e agora estava derrotado. Pior ainda era sua m ãe tentando se m anter coraj osa: fam osa defensora do sufrágio fem inino na Inglaterra antes da guerra, ela agora conseguia ganhar alguns m arcos dando aulas de piano.

Os dois, porém , diziam que suportariam qualquer coisa desde que os filhos tivessem vidas felizes e plenas quando crescessem .

Carla sem pre partira do princípio de que dedicaria a vida a tornar o m undo um lugar m elhor, com o os pais tinham feito. Não sabia se teria seguido a carreira política do pai ou virado j ornalista feito a m ãe, m as am bas as profissões agora estavam fora de cogitação.

O que m ais ela poderia fazer sob um governo que recom pensava acim a de tudo a violência e a brutalidade? Fora Erik que lhe dera a sugestão: m édicos tornavam o m undo um lugar m elhor independentem ente do governo. Assim , a am bição de Carla passara a ser entrar para a faculdade de m edicina. Ela havia estudado m ais do que qualquer outra m enina de sua turm a, e passara com louvor em todas as m atérias, sobretudo nas de ciências. Era m ais qualificada do que o irm ão para ganhar um a bolsa.

– Não há nenhum a garota no m eu período – disse Erik, de m au hum or.

Carla pensou que a ideia de ela seguir seus passos não agradava ao irm ão. Apesar de suas opiniões políticas abj etas, os pais tinham orgulho das conquistas de Erik. Talvez ele estivesse com m edo de ser superado.

– Todas as m inhas notas são m elhores que as suas – disse Carla. – Biologia, quím ica, m atem ática...

– Tudo bem , tudo bem .

– E, em tese, a bolsa tam bém pode ser dada a m ulheres... eu verifiquei.

Sua m ãe chegou à cozinha no final da conversa, vestida com um roupão de seda moiré cinza cuj a faixa dava duas voltas em sua cintura fina.

– Eles provavelm ente seguem as regras que quiserem – com entou. – Afinal de contas, estam os na Alem anha. – Sua m ãe dizia am ar seu país de adoção, e talvez am asse m esm o, m as, desde a ascensão dos nazistas, ela havia adquirido o hábito de fazer com entários irônicos e pessim istas.

Carla m ergulhou um pedaço de pão no café com leite.

– Mãe, com o você vai se sentir se a Inglaterra atacar a Alem anha?

– Profundam ente infeliz, com o da últim a vez – respondeu ela. – Estive casada com seu pai durante toda a Grande Guerra e, por m ais de quatro anos, passei cada dia m orrendo de m edo de que ele fosse m orto.

– Mas você vai tom ar o partido de quem ? – perguntou Erik, em tom desafiador.

– Eu sou alem ã – respondeu ela. – Na alegria e na tristeza, foi para isso que m e casei. É claro que nunca previm os nada tão ruim e opressivo quanto este regim e nazista. Ninguém previu. – Erik soltou um grunhido de protesto que sua m ãe ignorou. – Mas prom essa é dívida, e, de todo m odo, eu am o o seu pai.

– Ainda não estam os em guerra – disse Carla.

– Ainda não – concordou a m ãe. – Se os poloneses tiverem algum j uízo, vão recuar e dar a Hitler o que ele está pedindo.

– E deveriam dar, m esm o – disse Erik. – A Alem anha agora está fortalecida. Podem os pegar o que quiserm os, m esm o contra a vontade deles.

Sua m ãe revirou os olhos.

– Deus nos livre.

Um a buzina de carro soou do lado de fora. Carla sorriu. No m inuto seguinte, sua am iga Frieda Franck entrou na cozinha. Ela iria acom panhar Carla à entrevista só para lhe dar apoio m oral. Tam bém estava vestida de m aneira sóbria, com o um a colegial, em bora, ao contrário de Carla, tivesse um arm ário cheio de roupas elegantes.

O irm ão de Frieda entrou atrás dela. Carla achava Werner Franck m aravilhoso. Ao contrário de tantos rapazes bonitos, ele era gentil, atencioso e engraçado. Já fora de esquerda um dia, m as tudo isso parecia ter ficado para trás e ele agora não se envolvia m ais com a política. Tivera um a sucessão de nam oradas lindas e cheias de estilo. Se Carla soubesse flertar, teria com eçado por ele.

– Eu bem que lhes ofereceria um café – falou sua m ãe. – Mas só tem os Ersatz, um substituto da pior qualidade, e sei que em casa vocês bebem café de verdade.

– Quer que eu roube um pouco da nossa cozinha para a senhora, Frau Von Ulrich? – perguntou Werner. – A senhora m erece.

Ao ver a m ãe corar de leve, Carla percebeu, com um pouco de reprovação, que m esm o aos 48 anos ela não era im une ao charm e de Werner.

Ele olhou de relance para um relógio de ouro.

– Já está na m inha hora – falou. – Ultim am ente as coisas andam frenéticas no Ministério da Aeronáutica.

– Obrigada pela carona – disse Frieda.

– Espere aí – falou Carla para a am iga. – Se você veio com Werner, onde está sua bicicleta?

– Lá fora. Nós a prendem os na traseira do carro.

As duas m oças faziam parte do Clube de Ciclism o Mercúrio, e iam de bicicleta a toda parte.

– Boa sorte na entrevista, Carla – desej ou Werner. – Tchau, pessoal.

Carla engoliu o últim o pedaço de pão. Quando j á estava de saída, seu pai desceu. Não tinha feito a barba nem posto um a gravata. Era um hom em gordo quando Carla era m enina, m as agora estava m agro. Deu um beij o carinhoso na filha.

– Esquecem os de ouvir o noticiário! – exclam ou a m ãe, e foi ligar o rádio que ficava em cim a da prateleira.

Enquanto o aparelho esquentava, Carla e Frieda saíram , sem ouvir as notícias.

O Hospital Universitário ficava em Mitte, a parte central de Berlim , onde os Von Ulrich m oravam , por isso o traj eto de bicicleta foi curto. Carla com eçou a ficar nervosa. A fum aça dos canos de descarga dos carros a deixou enj oada, e ela desej ou não ter tom ado café da m anhã. As duas chegaram ao hospital, um prédio novo construído nos anos 1920, e foram até a sala do professor Bay er, a quem cabia recom endar um aluno para a bolsa. Um a secretária arrogante lhes disse que elas estavam adiantadas e m andou que esperassem .

Carla desej ou estar usando um chapéu e luvas. Isso a teria feito parecer m ais velha e m ais respeitável, com o alguém em quem os doentes pudessem confiar. Talvez a secretária tivesse sido m ais educada se ela estivesse de chapéu.

A espera foi longa, m as Carla lam entou quando chegou ao fim e a secretária disse que o professor estava pronto para recebê-la.

– Boa sorte! – sussurrou Frieda.

Carla entrou.

Bay er era um hom em m agro, de 40 e poucos anos, com um bigodinho grisalho. Usava um paletó de linho bege por cim a do colete de um terno cinza. Estava sentado a um a escrivaninha e, pendurada na parede atrás dele, havia um a foto sua apertando a m ão de Hitler.

Ele não cum prim entou Carla. Em vez disso, bradou:

– O que é um núm ero im aginário?

Aquele com portam ento abrupto a espantou, m as pelo m enos a pergunta era fácil.

– É a raiz quadrada de um núm ero real negativo, com o a raiz quadrada de m enos um , por exem plo – respondeu ela, com a voz trêm ula. – Não se pode atribuir um valor num érico real a um núm ero im aginário, m as ele pode ser usado em cálculos.

O professor pareceu um pouco espantado. Talvez tivesse pensado que fosse derrubá-la.

– Correto – disse ele, após um instante de hesitação.

Carla olhou em volta. Não havia cadeira para ela. Será que seria entrevistada de pé?

O professor lhe fez algum as perguntas sobre quím ica e biologia, e ela respondeu a todas com facilidade. Seu nervosism o dim inuiu. De repente ele perguntou:

– A senhorita desm aia quando vê sangue?

– Não, professor.

– Ah! – exclam ou ele, triunfante. – E com o sabe disso?

– Fiz o parto de um bebê quando tinha 11 anos – respondeu ela. – Houve bastante sangue.

– A senhorita deveria ter m andado cham ar um m édico!

– Eu m andei – respondeu ela, indignada. – Mas bebês não esperam por m édicos.

– Hum m . – Bay er se levantou. – Espere aqui. – Ele saiu da sala.

Carla não se m exeu. Estava sendo subm etida a um teste árduo, m as até ali acreditava que vinha se saindo bastante bem . Felizm ente, estava acostum ada a debater com hom ens e m ulheres de todas as idades: discussões acaloradas eram recorrentes na casa dos Von Ulrich e, até onde podia se lem brar, ela se m ostrara à altura dos pais e do irm ão.

Bay er passou vários m inutos ausente. O que estaria fazendo? Teria ido cham ar um colega para conhecer aquela candidata de inteligência ím par? Isso parecia um a esperança exagerada.

Carla ficou tentada a pegar um dos livros da estante do professor e com eçar a ler, m as teve m edo de ofendê-lo, então ficou parada e não fez nada.

Ele voltou dez m inutos depois trazendo um m aço de cigarros. Será que a tinha feito esperar aquele tem po todo no m eio da sala enquanto ia à tabacaria? Ou seria m ais um teste? Ela com eçou a ficar irritada.

Bay er acendeu o cigarro sem pressa, com o se precisasse organizar os pensam entos. Soprou a fum aça e perguntou:

– Com o é que a senhorita, sendo m ulher, trataria um hom em que estivesse com um a infecção no pênis?

Ela ficou encabulada e sentiu o rosto corar. Nunca havia conversado sobre pênis com nenhum hom em , m as sabia que, se quisesse se tornar m édica, teria que ser forte em relação a esse tipo de coisa.

– Do m esm o m odo que o senhor, sendo hom em , trataria um a infecção vaginal – respondeu. O professor pareceu horrorizado, e ela teve m edo de ter sido insolente. Em endou depressa: – Eu exam inaria a área com cuidado para tentar identificar a natureza da infecção, e provavelm ente a trataria com sulfonam ida, em bora tenha que adm itir que não estudam os isso nas aulas de biologia na escola.

– A senhorita j á viu um hom em nu? – indagou ele, cético.

– Já.

Ele fingiu indignação:

– Mas a senhorita é solteira!

– Quando m eu avô estava à beira da m orte, ficou acam ado e incontinente. Eu aj udava m inha m ãe a m antê-lo asseado... ela não conseguia dar conta sozinha, porque ele era pesado dem ais. – Ela ensaiou um sorriso. – As m ulheres fazem isso o tem po todo, professor, com os m uito j ovens e os m uito velhos, com os doentes e os incapacitados. Estam os acostum adas. Só os hom ens consideram essas tarefas constrangedoras.

Em bora ela estivesse respondendo bem , o professor parecia cada vez m ais contrariado. O que estaria saindo errado? Quase parecia que ele teria ficado m ais feliz se ela se deixasse intim idar por seu com portam ento e desse respostas idiotas.

Com ar pensativo, ele apagou o cigarro no cinzeiro sobre a m esa.

– Infelizm ente, acho que a senhorita não é um a candidata adequada para esta bolsa – falou.

Carla ficou pasm a. Com o poderia ter se saído m al? Ela havia respondido a todas as perguntas!

– Por que não? – indagou ela. – Minhas qualificações são im pecáveis.

– A senhorita é pouco fem inina. Fala abertam ente sobre vagina e pênis.

– Foi o senhor quem com eçou com essa conversa! Tudo o que fiz foi responder às suas perguntas.

– Está claro que a senhorita foi criada num am biente vulgar no qual pôde observar a nudez de seus parentes hom ens.

– O senhor por acaso acha que as fraldas dos idosos deveriam ser trocadas por hom ens? Queria vê-lo fazer isso!

– E, pior de tudo, a senhorita é desrespeitosa e insolente.

– O senhor m e fez perguntas difíceis. Se eu tivesse lhe dado respostas tím idas, teria dito que eu não era durona o bastante para ser m édica... não teria?

O professor ficou sem palavras por alguns instantes, e ela entendeu que era exatam ente isso que ele teria feito.

– O senhor desperdiçou m eu tem po – disse ela, dirigindo-se para a porta.

– Vá se casar – disse o professor. – Gere filhos para o Führer. É esse o seu papel na vida. Cum pra o seu dever!

Ela saiu e bateu a porta.

Frieda ergueu os olhos, assustada.

– O que houve?

Carla se encam inhou para a saída sem responder. Cruzou olhares com a secretária, cuj o ar satisfeito dava a entender que ela sabia exatam ente o que tinha acontecido na entrevista.

– Pode tirar esse sorrisinho da cara, sua vaca velha e ressecada – falou Carla, e teve a satisfação de testem unhar o choque e o horror da m ulher.

Do lado de fora do prédio, disse a Frieda:

– Ele não tinha nenhum a intenção de m e recom endar para a bolsa porque sou m ulher. Minhas qualificações não tinham a m enor im portância. Tive todo esse trabalho por nada. – Então desatou a chorar.

Frieda a abraçou.

Um m inuto depois, Carla com eçou a se sentir m elhor.

– Não vou criar filhos para o m aldito Führer – resm ungou.

– O quê?