Inverno do Mundo
Capítulo IV
Churchill apresentou um plano com cinco tópicos que deixou Sum ner Welles e Gus Dewar m uito satisfeitos, pois defendia um a organização internacional eficaz que garantisse a segurança de todos os países – em outras palavras, um a Liga das Nações fortalecida. No entanto, os dois ficaram decepcionados ao constatar que aquilo era dem ais para Roosevelt. Em bora fosse a favor, o presidente tem ia os isolacionistas, aqueles que ainda acreditavam que os Estados Unidos não precisavam se m eter nos problem as do restante do m undo. Ele era extrem am ente sensível à opinião pública e vivia se esforçando para não provocar a oposição.
Mas Welles e Dewar não desistiram , nem os britânicos. Eles se uniram para buscar um m eio-term o aceitável para am bos os líderes. Greg tom ou notas para Welles. O grupo form ulou um a cláusula que defendia o desarm am ento “em contrapartida à criação de um sistem a de segurança geral m ais am plo e perm anente”.
Apresentaram a nova cláusula aos dois líderes, que aceitaram .
Welles e Dewar m al couberam em si de tanta satisfação.
Mas Greg não entendia por quê.
– Parece m uito pouco – disse ele. – Todo esse esforço... Os líderes de duas grandes nações reunidos depois de viaj ar m ilhares de quilôm etros, com itivas com postas por dezenas de pessoas, 24 navios, três dias de conversas... Tudo em troca de um as poucas palavras que não dizem exatam ente o que nós querem os.
– Nós avançam os em centím etros, não em quilôm etros – respondeu Gus Dewar com um sorriso. – Política é isso.
IV
Fazia cinco sem anas que Woody estava saindo com Joanne.
Ele queria vê-la todas as noites, m as se continha. Ainda assim , na últim a sem ana tinham saído quatro vezes. No dom ingo, foram à praia; na quarta, j antaram ; na sexta, assistiram a um film e; e agora, sábado, estavam passando o dia inteiro j untos.
Ele nunca se cansava de conversar com ela. Joanne era divertida, inteligente e tinha a língua afiada. Ele adorava seu j eito de se m ostrar veem ente em relação a tudo. Os dois passavam horas falando sobre as coisas de que gostavam ou detestavam .
As notícias da Europa eram ruins. Os alem ães continuavam liquidando o Exército Verm elho. A leste de Sm olensk, haviam dizim ado o 16o e o 20o Exércitos russos, capturando 300 m il prisioneiros e deixando poucas forças soviéticas entre os alem ães e Moscou. No entanto, notícias ruins vindas de longe não dim inuíam a em polgação de Woody .
Joanne não era tão louca por Woody quanto ele por ela, m as dava para ver que tinha carinho pelo rapaz. Os dois sem pre se despediam com um beij o de boa-noite, e ela parecia gostar de beij á-lo, em bora não dem onstrasse a paixão da qual ele sabia que ela era capaz. Talvez fosse porque sem pre precisassem se beij ar em lugares públicos, com o no cinem a ou então na porta de algum prédio na rua perto da casa dela. Sem pre que estavam no apartam ento de Joanne, havia pelo m enos um a de suas colegas na sala, e ela ainda não o convidara para ir ao seu quarto.
A licença de Chuck term inara algum as sem anas antes, e ele tinha voltado para o Havaí. Woody ainda não sabia o que pensar sobre a confissão de seu irm ão. Às vezes ficava chocado, com o se o m undo tivesse virado de cabeça para baixo; em outras ocasiões, perguntava-se que diferença aquilo fazia. Mas m anteve a prom essa de não contar a ninguém , nem m esm o a Joanne.
Então o pai de Woody viaj ou com o presidente, e sua m ãe foi passar alguns dias com os pais, em Buffalo. Woody ficou com o apartam ento de Washington só para si por alguns dias – todos os nove côm odos. Decidiu tentar achar um a oportunidade para convidar Joanne a ir até lá, na esperança de conseguir um beij o de verdade.
Os dois alm oçaram j untos e foram assistir a um a exposição cham ada “Arte Negra”, criticada por j ornalistas conservadores, para os quais o conceito de arte negra não existia – apesar da genialidade inconfundível de artistas com o o pintor Jacob Lawrence e a escultora Elizabeth Catlett.
Quando estavam saindo da m ostra, Woody perguntou:
– Quer tom ar um drinque enquanto decidim os onde j antar?
– Não, obrigada – respondeu ela, com o m esm o tom decidido de sem pre. – Eu gostaria m esm o é de um a xícara de chá.
– Chá? – Ele não sabia onde tom ar um bom chá em Washington. Então teve um a ideia genial: – Minha m ãe tem chá inglês em casa – falou. – Poderíam os ir ao apartam ento.
– Está bem .
O prédio ficava a alguns quarteirões dali, na Rua 22 NW, perto da L. Os dois respiraram aliviados ao trocarem o calor do verão pela portaria refrigerada. Um ascensorista subiu com eles no elevador.
Ao entrarem no apartam ento, Joanne disse:
– Vej o seu pai em Washington o tem po todo, m as há m uitos anos não falo com sua m ãe. Tenho que dar os parabéns a ela pelo sucesso do livro.
– Ela não está – disse Woody . – Venha até a cozinha.
Ele encheu a chaleira com água da torneira e a pôs no fogo. Então abraçou Joanne e disse:
– Enfim , sós.
– Onde estão seus pais?
– Viaj aram , os dois.
– E Chuck está no Havaí.
– Isso m esm o.
Ela se afastou.
– Woody , com o você pôde fazer isso com igo?
– Isso o quê? Estou fazendo chá!
– Você m e trouxe aqui sob um falso pretexto! Pensei que seus pais estivessem em casa.
– Eu não disse isso.
– Por que não m e falou que eles estavam viaj ando?
– Você não perguntou! – respondeu ele, indignado, em bora a reclam ação dela tivesse fundam ento. Ele não teria m entido para ela, m as torcera para não precisar lhe dizer de antem ão que o apartam ento estaria vazio.
– Você m e trouxe até aqui para se aproveitar! Acha que sou um a garota fácil.
– Não acho, não! É que nós nunca ficam os realm ente a sós. Eu só esperava ganhar um beij o.
– Não tente m e enganar.
Agora ela estava sendo inj usta. Sim , ele esperava ir para a cam a com ela um dia, m as não naquele.
– Vam os em bora, então – falou. – Podem os tom ar chá em outro lugar. O Ritz-Carlton fica nesta rua e todos os britânicos se hospedam lá. Eles devem ter chá.
– Ora, deixe de ser bobo. Não precisam os ir em bora. Não tenho m edo de você, sei m e defender. Só estou zangada. Não quero um hom em que sai com igo porque acha que sou fácil.
– Fácil? – disse ele, alterando a voz. – Caram ba! Esperei seis anos para você se dignar a sair com igo. Mesm o agora, tudo o que estou pedindo é um beij o. Se você é fácil, eu detestaria estar apaixonado por um a garota difícil!
Para sua surpresa, ela com eçou a rir.
– O que foi agora? – perguntou ele, irritado.
– Desculpe, você tem razão. Se quisesse um a garota fácil, teria desistido de m im faz tem po.
– Exatam ente!
– Depois que eu o beij ei daquele j eito quando estava bêbada, achei que você fosse fazer m al j uízo de m im . Im aginei que estivesse tentando sair com igo atrás de em oções fáceis. Tenho até m e preocupado com isso nas últim as sem anas. Eu o j ulguei m al. Desculpe-m e.
Ele ficava atordoado com as súbitas m udanças de hum or de Joanne, m as supôs que essa últim a reviravolta fosse um a coisa boa.
– Mesm o antes daquele beij o, eu j á era louco por você – disse ele. – Acho que você não reparou.
– Eu m al reparava em você.
– Sou bem alto.
– É o seu único atrativo, fisicam ente falando.
Ele sorriu.
– Conversar com você certam ente não vai m e deixar convencido...
– Não se eu puder evitar.
A água ferveu na chaleira. Woody pôs chá dentro de um bule de louça e despej ou água por cim a.
Joanne estava pensativa.
– Mas você disse outra coisa agora há pouco.
– O quê?
– Você disse: “Eu detestaria estar apaixonado por um a garota difícil.” Estava falando sério?
– Em relação a quê?
– A estar apaixonado.
– Ah! Não foi m inha intenção dizer isso. – Então ele resolveu deixar a cautela de lado. – Mas, se você quer m esm o saber a verdade, estou apaixonado por você, sim . Acho que a am o há m uitos anos. Adoro você, quero...
Ela pôs as m ãos atrás de seu pescoço e o beij ou.
Dessa vez foi um beij o de verdade: sua boca se m oveu com urgência, a ponta da língua tocando seus lábios, o corpo apertado contra o seu. Foi com o em 1935, só que sem o gosto de uísque. Aquela era a garota que ele am ava, a verdadeira Joanne, pensou Woody, em êxtase: um a m ulher de paixões fortes. E ela estava nos seus braços, beij ando-o com todo o vigor de que era capaz.
Ela enfiou as m ãos por dentro de sua cam isa de verão inform al e acariciou seu peito, pressionando os dedos contra as suas costelas, esfregando os m am ilos com as palm as e segurando seus om bros com o se quisesse enterrar as unhas bem fundo em sua carne. Woody percebeu que ela tam bém tinha sua parcela de desej o frustrado que agora transbordava, incontrolável, com o um a represa que se rom pe. Ele a im itou, acariciando as laterais de seu corpo e tocando seus seios com um a alegre sensação de liberdade, com o um a criança autorizada a não ir à escola, feliz com o feriado inesperado.
Quando ele pressionou a m ão entre suas coxas, ela recuou.
Mas o que disse o surpreendeu:
– Você tem preservativo?
– Não! Desculpe...
– Não faz m al. Na verdade, é até m elhor. Isso prova que não planej ava m esm o m e seduzir.
– Antes tivesse planej ado.
– Não tem problem a. Conheço um a m édica que vai resolver isso para m im na segunda-feira. Até lá, terem os que im provisar. Me beij e outra vez.
Enquanto a beij ava, ele sentiu que ela desabotoava sua calça.
– Ah – disse ela, instantes depois. – Que beleza.
– Era exatam ente o que eu estava pensando – sussurrou ele.
– Talvez eu precise usar as duas m ãos.
– O quê?
– Acho que deve ser porque você é m uito alto.
– Não sei do que você está falando.
– Então vou calar a boca e continuar beij ando você.
Alguns m inutos depois, ela perguntou:
– Você tem um lenço?
Felizm ente, isso ele tinha.
Woody abriu os olhos alguns segundos antes do fim e viu Joanne olhando para ele. Em sua expressão viu desej o, excitação e algum a outra coisa que, pensou, poderia até ser am or.
Quando tudo term inou, ele se sentiu invadido por um a tranquilidade alegre. Eu am o esta m ulher, pensou, e estou feliz. Com o a vida é boa.
– Foi incrível – falou. – Gostaria de fazer a m esm a coisa por você.
– Gostaria m esm o?
– Pode apostar.
Eles continuavam de pé na cozinha, apoiados na porta da geladeira, m as nenhum dos dois queria se m exer. Ela segurou sua m ão e a guiou por baixo do vestido de verão, para dentro da calcinha de algodão. Ele sentiu pele quente, pelos crespos e um a fenda m olhada. Tentou enfiar um dedo lá dentro, m as ela o im pediu.
Segurando a ponta de seu dedo, guiou-o pelas dobras m acias. Ele sentiu algo pequenino e duro, do tam anho de um a ervilha, logo abaixo da pele. Ela m oveu seu dedo em pequenos círculos.
– Isso – falou, fechando os olhos. – Assim m esm o.
Ele ficou observando seu rosto com adoração enquanto ela se abandonava ao prazer. Uns dois m inutos depois, ela soltou um gritinho, que repetiu duas ou três vezes. Então retirou a m ão dele e deixou-se cair contra seu corpo.