Inverno do Mundo

Ken Follett · Capítulo 144 de 153

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Inverno do Mundo

Capítulo III

Greg se rendeu. Suspirou e disse:

– Eu ia lhe contar.

– Quando?

– Estava esperando o m om ento certo.

– Antes de m e pedir em casam ento teria sido um a boa hora.

– Desculpe.

Apesar de constrangido, ele não estava realm ente arrependido. Achava que todo aquele dram a era desnecessário.

O garçom trouxe os cardápios, e am bos puseram -se a exam iná-los.

– O espaguete à bolonhesa daqui é ótim o – disse Greg.

– Vou querer um a salada.

Os m artínis chegaram . Greg ergueu o copo e disse:

– Ao perdão no casam ento.

Nelly não pegou sua bebida.

– Não posso m e casar com você – falou.

– Querida, por favor, não exagere. Já pedi desculpas.

Ela balançou a cabeça.

– Você não entende...

– Não entendo o quê?

– Aquela m ulher que estava ao seu lado no banco do parque... ela é apaixonada por você.

– É? – Na véspera, Greg teria negado, m as depois da conversa de hoj e não tinha tanta certeza.

– Claro que é. Por que ela não se casou de novo? É bem bonita. A esta altura, se tivesse tentado, j á teria conseguido encontrar algum hom em disposto a assum ir um enteado. Mas ela é apaixonada por você, seu canalha.

– Não tenho tanta certeza.

– E o m enino adora você.

– Eu sou o tio preferido dele.

– Só que não é tio coisa nenhum a. – Ela em purrou o copo para o lado dele da m esa. – Pode tom ar o m eu drinque.

– Meu bem , relaxe, por favor.

– Vou em bora. – Ela se levantou.

Greg não estava acostum ado a ser abandonado. Achou aquilo perturbador. Será que estava perdendo o charm e?

– Quero m e casar com você! – falou. Sua voz soou desesperada até para ele m esm o.

– Você não pode se casar com igo, Greg. – Nelly tirou do dedo o anel de diam ante e o pôs sobre a toalha verm elha quadriculada. – Você j á tem um a fam ília.

Em seguida, saiu do restaurante.

 

III

A crise m undial atingiu o auge em j unho, e Carla e sua fam ília estavam bem no m eio dela.

O Plano Marshall fora ratificado pelo presidente Trum an e transform ado em lei e, para fúria do Krem lin, os prim eiros carregam entos de auxílio j á com eçavam a chegar à Europa.

Na sexta-feira, 18 de j unho, os Aliados ocidentais avisaram à Alem anha que fariam um anúncio im portante às oito da noite. A fam ília de Carla se reuniu em volta do aparelho da cozinha, sintonizou a Rádio Frankfurt e aguardou, ansiosa. Havia três anos que a guerra acabara, m as eles ainda não sabiam o que o futuro lhes reservava: capitalism o ou com unism o, unidade ou fragm entação, liberdade ou subm issão, prosperidade ou m iséria.

Sentado ao lado de Carla, Werner segurava no colo o pequeno Walli, agora com 2 anos e m eio. Os dois haviam se casado discretam ente um ano antes. Carla voltara a trabalhar com o enferm eira. Tam bém fazia parte do Conselho Municipal de Berlim pelo Partido Social-Dem ocrata. Heinrich, m arido de Frieda, tam bém era m em bro do conselho.

Os russos haviam banido o Partido Social-Dem ocrata na parte oriental da Alem anha, m as Berlim era um oásis situado no m eio do setor soviético e governado por um conselho cham ado pelos quatro Aliados de Kom m andatura, que vetara a proibição. Consequentem ente, os social-dem ocratas tinham vencido as eleições, ao passo que os com unistas am argaram um terceiro lugar, atrás dos dem ocratas cristãos conservadores. Os russos ficaram um a fera e fizeram todo o possível para entravar o conselho eleito. Carla achava isso frustrante, m as não podia abrir m ão da esperança de independência em relação aos soviéticos.

Werner havia m ontado um pequeno negócio. Depois de vasculhar as ruínas da fábrica do pai, conseguira resgatar um a pequena coleção de m aterial elétrico e peças avulsas de rádios. Os alem ães não tinham dinheiro para com prar aparelhos novos, m as todos queriam consertar os antigos. Werner entrara em contato com alguns técnicos, ex-funcionários da fábrica, e os pusera para trabalhar consertando rádio quebrados. Trabalhava com o gerente e vendedor, indo às casas e apartam entos em busca de m ais serviço.

Maud, que tam bém estava sentada à m esa da cozinha nessa noite, trabalhava com o intérprete para os am ericanos. Era um a das m elhores em atividade e com frequência traduzia as reuniões da Kom m andatura.

Erik, irm ão de Carla, estava usando um uniform e de policial. Depois de entrar para o Partido Com unista – para consternação da fam ília –, ele conseguira um em prego de agente na nova força policial do leste, organizada pelos ocupantes russos. Segundo Erik, os Aliados ocidentais estavam tentando dividir a Alem anha em duas.

– Vocês social-dem ocratas são separatistas – afirm ou ele, citando a frase com unista da m esm a form a que havia repetido feito um papagaio a propaganda dos nazistas.

– Os Aliados ocidentais não dividiram nada – retrucou Carla. – Eles abriram as fronteiras entre seus respectivos setores. Por que os soviéticos não fazem a m esm a coisa? Então voltaríam os a ser um só país.

O irm ão parecia não escutá-la.

Rebecca tinha agora quase 17 anos. Carla e Werner a haviam adotado oficialm ente. Ela ia bem na escola e era boa em idiom as.

Carla estava grávida outra vez, m as ainda não dissera nada para Werner. Estava m uito anim ada. Seu m arido j á tinha um a filha adotiva e um enteado, m as agora teria tam bém um filho legítim o. Sabia que ele ficaria felicíssim o quando recebesse a notícia. Apenas estava esperando m ais um pouco para ter certeza.

No entanto, ansiava por saber em que tipo de país seus três filhos viveriam .

Um oficial am ericano cham ado Robert Lochner com eçou a se pronunciar no rádio. Criado na Alem anha, falava alem ão sem esforço. Ele explicou que, a partir das sete horas da m anhã de segunda-feira, a parte ocidental do país teria um a nova m oeda, o m arco alem ão.

Carla não ficou surpresa. O Reichsm ark valia m enos a cada dia. A m aioria das pessoas, quando tinha em prego, recebia em Reichsm arks, e a m oeda podia ser usada para com prar itens básicos com o cupons de com ida e passagens de ônibus, m as todo m undo preferia receber em víveres ou cigarros. No trabalho, Werner cobrava dos clientes em Reichsm arks, m as oferecia serviços noturnos por cinco cigarros e entregas em qualquer lugar da cidade por três ovos.

Maud contara a Carla que a nova m oeda fora discutida na Kom m andatura. Os russos tinham pedido chapas para im prim ir o dinheiro. Mas j á haviam desvalorizado a m oeda anterior im prim indo-a em excesso e, se isso se repetisse, a nova m oeda não adiantaria de nada. Assim , o Ocidente recusara as chapas, e os soviéticos fecharam a cara.

Agora os países ocidentais tinham decidido prosseguir sem o apoio dos soviéticos. Carla ficou feliz, porque a nova m oeda seria boa para a Alem anha, m as estava apreensiva com a reação soviética.

Segundo Lochner, a população da parte ocidental do país poderia trocar sessenta antigos Reichsm arks por três m arcos alem ães e 90 centavos.

Então ele disse que nada disso seria aplicado em Berlim , pelo m enos no início, o que provocou um grunhido generalizado na cozinha.

Carla foi para a cam a perguntando-se o que os soviéticos iriam fazer. Deitada j unto de Werner, m anteve parte do cérebro alerta para o caso de Walli chorar no quarto ao lado. Nos últim os m eses, os ocupantes soviéticos vinham ficando m ais zangados. Um j ornalista cham ado Dieter Friede fora sequestrado no setor am ericano e preso pela polícia secreta soviética. No início, os soviéticos negaram saber qualquer coisa a respeito, depois afirm aram que o haviam prendido com o espião. Três alunos tinham sido expulsos da universidade por criticar os russos num a revista. E, o pior de tudo, um caça soviético passara m uito perto de um avião de passageiros da British European Airway s durante o pouso no aeroporto de Gatow, quebrando sua asa e provocando a queda das duas aeronaves e a m orte de quatro tripulantes da BEA, de dez passageiros e do piloto do caça soviético. Quando os russos ficavam zangados, algum a outra pessoa sem pre sofria.

Na m anhã seguinte, os soviéticos anunciaram que passaria a ser crim e usar m arcos alem ães na parte oriental do país. Segundo o pronunciam ento, isso incluía Berlim , “que faz parte do setor soviético”. Os am ericanos contestaram na m esm a hora, dizendo que Berlim era um a cidade internacional, m as os ânim os estavam esquentando, e Carla continuou ansiosa.

Na segunda-feira, a parte ocidental da Alem anha recebeu a nova m oeda.

Na terça, um m ensageiro do Exército Verm elho foi à casa de Carla e a convocou à prefeitura.

Ela j á havia sido convocada antes, m as m esm o assim saiu tem erosa. Nada im pedia os soviéticos de prendê-la. Os com unistas tinham os m esm os poderes arbitrários que os nazistas haviam tom ado para si. Estavam até usando os antigos cam pos de concentração.

O fam oso prédio verm elho da prefeitura fora danificado pelas bom bas, e a sede do governo m unicipal era agora a Prefeitura Nova, na Parochialstrasse. Am bos os prédios ficavam no bairro de Mitte, onde Carla m orava, que fazia parte do setor soviético.

Ao chegar, ela constatou que a prefeita interina Louise Schroeder e outros funcionários m unicipais tam bém tinham sido convocados para um a reunião com o agente de ligação do Exército soviético, m aj or Otshkin. Este lhes inform ou que a parte oriental da Alem anha sofreria um a reform a m onetária e que, no futuro, apenas o novo Ostm ark seria legal no setor soviético.

A prefeita interina percebeu de im ediato qual era o ponto crucial.

– Está nos dizendo que isso vai se aplicar a todos os setores de Berlim ? – perguntou.

– Sim .

Frau Schroeder não era m ulher de se deixar intim idar com facilidade.

– Segundo a constituição da cidade, o poder de ocupação soviético não pode criar um a regra assim para os outros setores – disse ela com firm eza. – Os outros Aliados precisam ser consultados.

– Eles não vão se opor. – O m aj or lhe entregou um a folha de papel. – Aqui está o decreto do m arechal Sokolovsky . A senhora poderá apresentá-lo ao Conselho Municipal am anhã.

Nesse m esm o dia, à noite, ao se deitar ao lado de Werner, Carla falou:

– A tática dos soviéticos é óbvia. Se o Conselho Municipal aprovar o decreto, os Aliados ocidentais terão dificuldade em derrubá-lo por causa de sua visão dem ocrática.

– Só que o conselho não vai aprovar o decreto. Os com unistas são m inoria e ninguém m ais vai querer o Ostm ark.

– Não m esm o. É por isso que m e pergunto qual será a carta que o m arechal Sokolovsky tem na m anga.

Os j ornais do dia seguinte anunciaram que, a partir da sexta-feira, duas m oedas com petiriam entre si em Berlim : o Ostm ark e o m arco alem ão. Foi revelado que os am ericanos haviam m andado trazer em segredo 250 m ilhões de m arcos alem ães em caixotes de m adeira com os dizeres “Clay ” e “Bird Dog”, guardados agora por toda Berlim .

Durante o dia, Carla com eçou a ouvir boatos do lado ocidental da Alem anha. Lá, a nova m oeda havia provocado um verdadeiro m ilagre. Da noite para o dia, m ais m ercadorias haviam se m aterializado nas vitrines das loj as: cestas de cerej as e m aços bem -am arrados de cenouras trazidos de cam pos próxim os, m anteiga, ovos e doces, além de luxos havia m uito guardados, com o sapatos e bolsas novas, ou até m esm o m eias finas, vendidas por quatro m arcos o par. As pessoas haviam esperado até poderem vender por dinheiro de verdade.

Nessa tarde, Carla saiu para a prefeitura, onde iria participar da reunião do Conselho Municipal m arcada para as quatro horas. Ao se aproxim ar, viu dezenas de cam inhões do Exército Verm elho estacionados nas ruas adj acentes, com os m otoristas encostados na lataria, fum ando. Quase todos os veículos eram am ericanos e deviam ter sido cedidos à União Soviética em leasing durante a guerra. Quando com eçou a ouvir o barulho de um a m ultidão descontrolada, Carla teve um a ideia do que eles estavam fazendo ali. Desconfiou do que o governador soviético devia ter guardado na m anga: um porrete.

Em frente à prefeitura, bandeiras verm elhas trem ulavam acim a de um m ar de vários m ilhares de pessoas, a m aioria com broches do Partido Com unista. Cam inhões com alto-falantes transm itiam discursos irados, e as pessoas entoavam as palavras de ordem : “Abaixo os separatistas!”

Carla não viu com o poderia chegar ao prédio. Um grupo de policiais observava a cena com ar de desinteresse, sem fazer nenhum a tentativa de aj udar os m em bros do conselho a passar. Isso despertou em Carla um a dolorosa lem brança da atitude da polícia no dia em que os cam isas-pardas tinham invadido o escritório de sua m ãe, 15 anos antes. Teve quase certeza de que os m em bros com unistas do conselho j á estavam lá dentro e que, se os social-dem ocratas não conseguissem entrar, essa m inoria iria aprovar o decreto e depois reivindicar sua validade.

Respirou fundo e com eçou a abrir cam inho pela m ultidão.

Conseguiu dar alguns passos sem se fazer notar. Então alguém a reconheceu.

– Puta am ericana! – gritou o hom em , apontando para ela.

Carla seguiu em frente com determ inação. Outra pessoa lhe lançou um a cusparada, que suj ou seu vestido. Ela prosseguiu, m as com eçou a entrar em pânico. Estava cercada por pessoas que a odiavam , algo que j am ais tinha lhe acontecido antes, e teve vontade de sair correndo. Foi em purrada, m as conseguiu se m anter de pé. A m ão de alguém segurou seu vestido, e ela se libertou com o barulho do tecido se rasgando. Quis gritar. O que eles iriam fazer, rasgar todas as suas roupas?

Percebeu que outra pessoa tentava abrir cam inho na m ultidão atrás dela e, ao olhar por cim a do om bro, viu que era Heinrich von Kessel, m arido de Frieda. Ele a alcançou, e os dois continuaram j untos. Heinrich era m ais agressivo, pisando no pé das pessoas e dando cotoveladas vigorosas em quem estivesse ao seu alcance. Isso fez com que avançassem m ais depressa. Por fim , chegaram à porta da prefeitura e conseguiram entrar.

Mas o calvário deles ainda não tinha term inado. Lá dentro tam bém havia m anifestantes com unistas, centenas deles. Carla e Heinrich tiveram que lutar para passar pelos corredores. A assem bleia estava tom ada por m anifestantes – não apenas na galeria de visitantes, m as tam bém no nível do plenário. Seu com portam ento ali era tão agressivo quanto do lado de fora.

Alguns social-dem ocratas j á estavam presentes e outros chegaram depois de Carla. Parecia incrível, m as a m aioria dos 63 que faziam parte do conselho tinha conseguido passar pela turba. Ela ficou aliviada. O inim igo não fora capaz de afugentá-los.

Quando o porta-voz da assem bleia pediu ordem no recinto, um dos m em bros com unistas do conselho subiu num banco e instou os m anifestantes a ficarem . Ao ver Carla, ele gritou:

– Traidores, fiquem lá fora!

Tudo lem brava tristem ente o ano de 1933: violência, intim idação e a dem ocracia m inada por arruaceiros. Carla foi ficando desesperada.

Ao erguer os olhos para a galeria, consternou-se ao ver seu irm ão entre a m ultidão aos gritos.

– Você é alem ão! – berrou para ele. – Viveu sob o dom ínio nazista! Será que não aprendeu nada?

Mas ele pareceu não ouvi-la.

Frau Schroeder subiu ao pódio e pediu calm a. Os m anifestantes a receberam com assobios e vaias. Erguendo a voz até praticam ente gritar, ela disse:

– Se o Conselho Municipal não puder ter um debate organizado neste prédio, vou transferir a reunião para o setor am ericano.

As vaias se repetiram , m as os 26 m em bros com unistas do conselho viram que um a m udança desse tipo não atenderia aos seus obj etivos. Se o conselho se reunisse fora do setor soviético um a vez, poderia fazê-lo outras vezes, ou até m esm o se m udar definitivam ente para fora do raio de ação da intim idação com unista. Após um curto debate, um deles se levantou e pediu aos m anifestantes que se retirassem . Eles saíram do plenário cantando a Internacional.

– Está claro quem m anda neles – com entou Heinrich.

Finalm ente fez-se silêncio. Frau Schroeder explicou a dem anda com unista e disse que esta não poderia ser aplicada fora do setor soviético de Berlim a m enos que fosse ratificada pelos outros Aliados.

Um representante com unista fez um discurso no qual a acusou de receber ordens diretas de Nova York.

Acusações e ofensas foram lançadas por am bas as partes. Depois de algum tem po, os m em bros do conselho votaram . Os com unistas apoiaram por unanim idade o decreto soviético – depois de acusarem os dem ais de serem controlados por países estrangeiros. Todos os outros m em bros votaram contra, e o decreto foi derrubado. Berlim não se deixara intim idar. Carla foi dom inada por um sentim ento cansado de triunfo.

Mas ainda não havia term inado.

Quando eles saíram da prefeitura, j á eram sete da noite. A m aior parte da turba havia sum ido, m as um grupo feroz de valentões ainda rondava o prédio. Um a senhora idosa que integrava o conselho levou chutes e socos ao sair. A polícia assistiu a tudo com indiferença.

Carla e Heinrich saíram por um a porta lateral com alguns am igos, torcendo para conseguirem passar despercebidos, m as um com unista de bicicleta vigiava esse acesso. Ele saiu pedalando depressa.

Enquanto os m em bros do conselho se afastavam a passos rápidos, ele voltou à frente de um a pequena gangue. Alguém deu um a rasteira em Carla, que caiu no chão. Levou um chute forte, depois dois, três. Aterrorizada, cobriu a barriga com as m ãos. Estava com quase três m eses de gravidez – sabia que era nesse período que acontecia a m aioria dos abortos espontâneos. Será que o bebê de Werner vai m orrer chutado por arruaceiros com unistas num a rua de Berlim ?, pensou, desesperada.

Então eles sum iram .

Os m em bros do conselho aj udaram uns aos outros a se levantar. Ninguém estava gravem ente ferido. Saíram dali j untos, tem endo um segundo ataque, m as os com unistas j á pareciam ter batido em pessoas suficientes naquele dia.

Carla chegou em casa às oito horas. Não havia sinal de Erik.

Werner ficou chocado ao ver os hem atom as e o vestido rasgado.

– O que houve? – perguntou. – Você está bem ?

Carla desatou a chorar.

– Você está ferida – disse Werner. – Quer que a leve ao hospital?

Ela negou com um gesto vigoroso de cabeça.

– Não é isso – explicou. – São só uns hem atom as. Já passei por coisa pior. – Ela se deixou cair num a cadeira. – Meu Deus, com o estou cansada...

– Quem fez isso? – perguntou seu m arido, zangado.

– As m esm as pessoas de sem pre – respondeu ela. – Elas agora se dizem com unistas em vez de nazistas, m as são da m esm a laia. Parece um a reprise de 1933.

Werner a envolveu com os braços.

Mas Carla não conseguiu se deixar consolar.