Inverno do Mundo
Capítulo II
– Sim . Então você pode ver que o problem a não é só Stalin e Beria.
A visão que Volody a tinha da história do com unism o foi profundam ente abalada.
– Qual é o problem a, então?
A porta se abriu.
Volody a levou a m ão à gaveta da m esinha de cabeceira para pegar a arm a.
No entanto, quem entrou no quarto foi apenas um a m oça usando um casaco de pele e, até onde ele pôde constatar, nada m ais.
– Desculpe, Volody a – disse ela. – Não sabia que você estava acom panhado.
– Que porra é essa? – perguntou Zoy a, irritada.
– Natasha, com o conseguiu abrir m inha porta? – perguntou Volody a.
– Você m e deu um a chave m estra. Ela abre todas as portas do hotel.
– Bem , você poderia ter batido!
– Desculpe. Só vim dar a m á notícia.
– Que m á notícia?
– Entrei no quarto de Woody Dewar, com o você m e disse para fazer. Mas não tive sucesso.
– O que você fez?
– Isto.
Natasha abriu o casaco e exibiu o corpo nu. Tinha form as voluptuosas e um farto em aranhado de pelos pubianos escuros.
– Está bem , j á entendi, pode fechar o casaco – disse Volody a. – O que ele falou?
Ela passou a falar em inglês:
– Ele disse apenas “Não”. Perguntei: “O que você quer dizer com não?” E ele respondeu: “O contrário de sim .” Então sim plesm ente segurou a porta aberta até eu sair.
– Que droga! – praguej ou Volody a. – Vou ter que pensar em outra coisa.
II
Chuck Dewar soube que haveria problem as quando o capitão Vanderm eier apareceu na seção de territórios inim igos no m eio da tarde, com o rosto verm elho depois de um alm oço regado a cervej a.
A unidade de inteligência de Pearl Harbor tinha se expandido. Antes cham ada de Estação HYPO, tinha agora a grandiosa denom inação de Centro Unificado de Inteligência, Região Oceano Pacífico, ou JICPOA na sigla em inglês.
Vanderm eier estava acom panhado por um sargento da Marinha.
– Ei, vocês dois, seus frescos – disse Vanderm eier. – Receberam um a reclam ação de um cliente.
Com o crescim ento das operações, todos tinham com eçado a se especializar. Chuck e Eddie agora eram peritos no m apeam ento dos territórios onde as Forças Arm adas am ericanas iriam desem barcar em sua progressão de ilha em ilha pelo Pacífico.
– Este é o sargento Donegan – apresentou o capitão.
O fuzileiro naval era alto e parecia bastante durão. Chuck im aginou que o sexualm ente atorm entado Vanderm eier devesse estar apaixonado.
Levantou-se para cum prim entar o sargento.
– É um prazer conhecê-lo, sargento. Suboficial Dewar.
Tanto Chuck quanto Eddie tinham sido prom ovidos. Com m ilhares de alistam entos obrigatórios nas Forças Arm adas, houvera um a escassez de oficiais, e os voluntários do pré-guerra que conheciam o trabalho tinham subido de posto depressa. Chuck e Eddie agora podiam m orar fora da base e haviam alugado um pequeno apartam ento j untos.
Ele estendeu a m ão, m as Donegan não a apertou.
Chuck tornou a se sentar. Sua patente era ligeiram ente superior à de sargento, e ele não seria educado com um subalterno que se m ostrara grosseiro.
– Posso aj udá-lo em algum a coisa, capitão Vanderm eier?
Na Marinha, havia m uitas m aneiras pelas quais um capitão podia atorm entar suboficiais, e Vanderm eier conhecia todas. Aj ustava os rodízios para Chuck e Eddie nunca tirarem folga j untos. Classificava seus relatórios de “adequados”, em bora soubesse m uito bem que qualquer conceito diferente de “excelente” era um a m ancha negra. Mandava m ensagens confusas para o setor de pagam entos, de m odo que, quando Chuck e Eddie recebiam o soldo, o valor era sem pre m enor que o devido, e eles tinham que passar m uitas horas reparando o erro. Vanderm eier criava todos os problem as possíveis. E agora devia ter bolado algum a nova m aldade.
Donegan tirou um a folha de papel suj a do bolso e a desdobrou.
– Isto aqui é trabalho seu? – perguntou, em tom agressivo.
Chuck pegou o papel. Era um m apa da Nova Geórgia, um a região do arquipélago das Ilhas Salom ão.
– Vou verificar – falou.
Ele sabia que era um trabalho, m as estava tentando ganhar tem po.
Foi até um arquivo e abriu um a gaveta. Pegou a pasta referente à Nova Geórgia e tornou a fechar a gaveta com o j oelho. Voltou para sua m esa, sentou-se e abriu a pasta. Lá dentro havia um a cópia do m apa de Donegan.
– Sim – disse Chuck. – É m eu trabalho.
– Bem , vim aqui lhe dizer que esse m apa está um a m erda – disse Donegan.
– Ah, é?
– Olhe aqui. O senhor m ostra a selva descendo até o m ar. Na verdade, há um a praia com quase m eio quilôm etro de extensão.
– Lam ento saber disso.
– O senhor lam enta? – Donegan tinha bebido quase tanto quanto Vanderm eier, e estava louco para arrum ar um a briga. – Cinquenta hom ens m eus m orreram nessa praia.
Vanderm eier arrotou e disse:
– Com o pôde com eter um erro desses, Dewar?
Chuck estava abalado. Se era m esm o responsável por um erro que custara a vida de cinquenta hom ens, m erecia que gritassem com ele.
– Era isto aqui que tínham os com o base – falou.
A pasta continha outro m apa inexato das ilhas, talvez da época vitoriana, e um a carta náutica m ais recente, que m ostrava as profundidades do m ar, m as quase nenhum aspecto do terreno. Não havia nenhum parecer em prim eira m ão ou transcrição de m ensagens telegráficas. O único outro item da pasta era um a foto aérea de reconhecim ento, em preto e branco, toda borrada. Levando o dedo ao ponto relevante da foto, Chuck falou: