Inverno do Mundo
Capítulo IV
– Você ficou por m im . Mas foi um a pena não ter acertado Ily a tam bém . Agora está encrencado com a NKVD.
– Será m esm o? – questionou Dave. – Você acha que Ily a vai querer que todo m undo saiba que ele causou a m orte de seu parceiro por causa de um a disputa envolvendo um a m ulher? Até o pessoal da NKVD tem m edo da NKVD. Acho que ele vai ser discreto.
Lloy d tornou a olhar para o cadáver.
– E com o vam os explicar isto?
– Você ouviu o que ele disse – respondeu Dave. – Isto aqui é a frente de batalha. Ninguém precisa explicar nada.
Lloy d assentiu. Dave e Ily a tinham razão. Ninguém iria perguntar com o Berezovsky tinha m orrido. Um a bala perdida o acertara e pronto.
Os dois se afastaram , deixando o corpo onde estava.
– Trem enda falta de sorte – com entou Dave.
IV
Lloy d e Lenny foram falar com o coronel Bobrov para reclam ar que o ataque a Zaragoza estava paralisado.
Bobrov era um russo m ais velho, de cabelos brancos ralos cortados bem curtos, j á perto de se aposentar e inflexivelm ente ortodoxo. Em tese, estava lá apenas para aj udar e aconselhar os com andantes espanhóis. Na prática, eram os russos que tom avam as decisões.
– Estam os perdendo tem po e energia nesses vilarej os – disse Lloy d, traduzindo para o alem ão o que Lenny e todos os hom ens experientes estavam dizendo. – Tanques devem ser com o punhos blindados, usados para penetrações profundas, bem dentro do território inim igo. A infantaria deve vir depois, para lim par o terreno e garantir a ocupação quando o inim igo tiver dispersado.
Volody a estava ali perto, ouvindo tudo, e, pela expressão em seu rosto, parecia concordar, m as não disse nada.
– Pequenas posições com o esta cidade m inúscula não deveriam interrom per o avanço das tropas. O m elhor seria passar direto por elas e deixá-las a cargo de um a segunda linha de com bate – concluiu Lloy d.
Bobrov parecia chocado.
– Essa é a teoria do desacreditado m arechal Tuchachevsky ! – disse em voz baixa. Era com o se Lloy d estivesse m andando um bispo rezar para Buda.
– E daí? – indagou Lloy d.
– Ele se confessou culpado de alta traição e espionagem , e foi executado.
Lloy d encarou o com andante, sem acreditar.
– Está m e dizendo que o governo espanhol não pode usar m odernas táticas de com bate com tanques porque um general qualquer foi expurgado em Moscou?
– Tenente William s, o senhor está faltando ao respeito.
– Mesm o que as acusações contra Tuchachevsky sej am verdadeiras, isso não significa que os m étodos dele estão errados.
– Chega! – vociferou Bobrov. – Esta conversa term inou.
Qualquer esperança que Lloy d ainda acalentasse acabou quando seu batalhão foi transferido de Quinto de volta na m esm a direção de onde tinha vindo, em outra m anobra lateral. No dia 1o de setem bro, eles participaram do ataque a Belchite, um a cidadezinha bem -defendida m as sem qualquer im portância estratégica a quarenta quilôm etros de seu obj etivo.
Foi m ais um a batalha difícil.
Cerca de sete m il defensores estavam entrincheirados na m aior igrej a da cidade, San Agustín, e no topo de um a colina próxim a, dentro de valas e atrás de barricadas de terra. Lloy d e seu pelotão conseguiram chegar aos arredores da cidade sem baixas, m as depois foram atacados por intenso fogo inim igo disparado de j anelas e telhados.
Seis dias depois ainda estavam ali.
Os cadáveres fediam por causa do calor. Além de pessoas, tam bém havia anim ais m ortos, pois o abastecim ento de água da cidade fora interrom pido e os anim ais dom ésticos tinham m orrido de sede. Sem pre que podiam , os engenheiros m ilitares em pilhavam os corpos, cobriam -nos de gasolina e ateavam fogo, m as o cheiro de gente queim ada era pior que o da decom posição. Parecia difícil respirar e alguns dos hom ens puseram suas m áscaras de gás.
As ruas estreitas em volta da igrej a eram verdadeiros cam pos da m orte, m as Lloy d havia bolado um j eito de avançar sem se expor. Lenny encontrara algum as ferram entas dentro de um a oficina. Agora, dois hom ens estavam abrindo um buraco na parede da casa em que estavam abrigados. Joe Eli m anej ava um a picareta e o suor reluzia em sua cabeça calva. O cabo Rivera, vestido com um a cam isa listrada nas cores anarquistas, verm elho e preto, usava um m artelo. A parede era feita de tij olos planos e am arelos produzidos ali m esm o, e tinha pouca argam assa. Para garantir que eles não derrubassem a casa inteira, Lenny com andava a operação: com o era m ineiro, tinha instinto para avaliar a solidez de um telhado.
Quando o buraco j á estava grande o suficiente para que um hom em pudesse passar, Lenny m eneou a cabeça para Jasper, outro cabo. Este retirou um a das poucas granadas que ainda tinha na cartucheira, sacou o pino e atirou-a dentro da casa ao lado, só para o caso de haver alguém de tocaia ali. Assim que a granada explodiu, Lloy d passou depressa pelo buraco, com o fuzil em riste.
Viu-se dentro de outra casa espanhola pobre, com paredes caiadas e chão de terra batida. Não havia ninguém ali, vivo ou m orto.
Os 35 hom ens de seu pelotão seguiram -no pelo buraco e vasculharam depressa a pequena casa em busca de algum defensor. Estava vazia.
Foram seguindo assim em direção à igrej a, de form a lenta porém segura, por um a fileira de casinhas.
Com eçaram a abrir o buraco seguinte, m as, antes de chegarem ao outro lado da parede, foram detidos por um m aj or cham ado Marquez, que chegou atravessando a fila de casas pelos buracos que eles haviam feito nas paredes.
– Esqueçam isso – falou, num inglês com forte sotaque espanhol. – Vam os atacar a igrej a.
Lloy d gelou. Aquilo era suicídio.
– Foi ideia do coronel Bobrov? – perguntou.
– Sim – respondeu o m aj or Marquez, neutro. – Aguardem o sinal: três apitos curtos.
– Podem os ter m ais m unição? – pediu Lloy d. – Estam os com pouca, sobretudo para esse tipo de ação.
– Não há tem po – respondeu o m aj or, e foi em bora.
Lloy d estava horrorizado. Havia aprendido m uita coisa em poucos dias de com bate e sabia que a única form a de se tom ar um a posição bem -defendida era com um a chuva de artilharia para dar cobertura. Caso contrário, os defensores iriam sim plesm ente m assacrar os atacantes.
Os hom ens pareciam com eçar a se revoltar.
– É im possível – disse o cabo Rivera.
Lloy d era responsável por m anter o m oral dos hom ens elevado.
– Sem reclam ações, pessoal – disse ele, em tom descontraído. – Vocês são todos voluntários. Acharam que a guerra não seria perigosa? Se lutar fosse seguro, suas irm ãs poderiam ter vindo no seu lugar. – Todos riram e, por um instante, a sensação de perigo passou.
Ele foi até a frente da casa, entreabriu a porta e espiou lá fora. O sol castigava um a rua estreita com casas e loj as de am bos os lados. As construções e o chão tinham o m esm o tom am arelo-claro que lem brava um pão m al-assado, a não ser nos pontos em que as bom bas haviam revelado um a terra verm elha. Logo do lado de fora da porta, um m iliciano j azia m orto, com um a nuvem de m oscas se banqueteando no buraco em seu peito. Ao olhar para a praça, Lloy d viu que a rua se alargava em direção à igrej a. Os atiradores posicionados nas altas torres gêm eas do cam panário tinham um a visão desim pedida e um a linha de tiro direta sobre qualquer um que se aproxim asse. No chão, a proteção era m ínim a: algum entulho, um cavalo m orto, um carrinho de m ão.
Vam os todos m orrer, pensou.
Mas por que outro m otivo viem os aqui?
Tornou a se virar para os hom ens, perguntando-se o que iria lhes dizer. Precisava fazer com que m antivessem o pensam ento positivo.
– Fiquem colados às laterais da rua, perto das casas – falou. – Lem brem -se: quanto m ais devagar vocês avançarem , m ais tem po estarão expostos... então, quando ouvirem o sinal, corram o m ais rápido que puderem .
Antes do esperado, ele ouviu os três silvos curtos do apito do m aj or Marquez.
– Lenny , você vai por últim o – ordenou.
– Quem sai prim eiro? – indagou Lenny .
– Eu, claro.
Adeus, m undo, pensou Lloy d. Pelo m enos vou m orrer com batendo os fascistas.
Ele escancarou a porta.
– Vam os! – gritou, e saiu correndo para a rua.
O elem ento-surpresa lhe proporcionou alguns segundos de trégua e ele conseguiu correr livrem ente pela rua em direção à igrej a. Sentiu o calor do sol de m eio-dia no rosto, ouviu as pancadas das botas de seus hom ens atrás de si, e percebeu, com um estranho sentim ento de gratidão, que essas sensações significavam que ainda estava vivo. Então o tiroteio com eçou feito um a chuva de granizo. Ele continuou correndo por m ais alguns segundos, ouvindo o zum bido e o im pacto das balas, então sentiu algo no braço esquerdo, com o se tivesse batido em algum a coisa, e caiu no chão sem entender por quê.
Percebeu que tinha sido atingido. Não sentia dor, m as seu braço estava dorm ente e inerte. Conseguiu rolar de lado até topar com a parede da construção m ais próxim a. Os tiros continuavam zunindo e ele estava m uito exposto, m as, poucos m etros adiante, viu um cadáver encostado na parede da casa. O corpo era de um soldado rebelde. À prim eira vista, parecia ter se sentado no chão, recostado a cabeça na parede e pegado no sono; m as o seu pescoço exibia um ferim ento à bala.
Lloy d rastej ou para a frente, m ovim entando-se de form a esquisita, segurando o fuzil com a m ão direita e arrastando o braço esquerdo atrás de si, e tentou se encolher atrás do cadáver.
Apoiou o cano do fuzil no om bro do cadáver e m irou um a j anela alta no cam panário da igrej a. Disparou todos os cinco tiros do pente em rápida sucessão. Não soube dizer se tinha acertado alguém .
Olhou para trás. Para seu horror, viu a rua coalhada com os cadáveres de seu pelotão. Com sua cam isa verm elha e preta, o corpo im óvel de Marco Rivera parecia um a bandeira anarquista am assada. Ao lado de Mario estava Jasper Johnson, com os cabelos crespos em papados de sangue. Sair de um a fábrica em Chicago para m orrer na rua de um a cidadezinha espanhola por ter acreditado num m undo m elhor, pensou Lloy d.
Pior eram os que ainda estavam vivos, gem endo e chorando no chão. Em algum lugar, um hom em gritava de agonia, m as Lloy d não conseguia ver quem era nem onde estava. Alguns de seus hom ens ainda corriam e, diante dos seus olhos, m ais deles caíram e outros se j ogaram no chão. Segundos depois, ninguém m ais se m ovia a não ser os feridos, se contorcendo de dor.
Que m assacre, pensou ele, e um a onda am arga de raiva e tristeza subiu-lhe à garganta e o sufocou.
Onde estariam as outras unidades? Certam ente o pelotão de Lloy d não era o único envolvido no ataque. Talvez houvesse outros avançando pelas ruas paralelas que conduziam à praça. Mas tom ar um a posição exigia um grande núm ero de soldados. Lloy d e seus 35 hom ens obviam ente não eram suficientes. Os defensores tinham conseguido m atar e ferir quase todos eles, e os poucos que restavam tinham sido forçados a buscar abrigo antes de chegar à igrej a.
Ele cruzou olhares com Lenny, que espiava de trás do cavalo m orto. Pelo m enos ainda estava vivo. Lenny ergueu o fuzil e fez um gesto de im potência, sinalizando que estava sem m unição. Lloy d tam bém não tinha m ais balas. No m inuto seguinte, os tiros vindos da rua foram silenciando à m edida que os outros tam bém ficavam sem m unição.
Foi o fim do ataque à igrej a. Aquela era m esm o um a m issão im possível. Sem m unição, teria sido um suicídio inútil.
A chuva de tiros vindos da igrej a havia dim inuído depois que os alvos m ais fáceis foram elim inados, m as tiros esporádicos continuavam a tentar atingir os atacantes abrigados. Lloy d percebeu que todos os seus hom ens acabariam m orrendo. Eles tinham que recuar.
E provavelm ente seriam m ortos na retirada.
Tornou a cruzar olhares com Lenny e acenou freneticam ente em direção à retaguarda, para longe da igrej a. Lenny olhou em volta e repetiu o gesto para os outros poucos sobreviventes. Teriam m ais chance caso se m ovessem todos ao m esm o tem po.
Depois de dar o aviso ao m aior núm ero possível de hom ens, Lloy d se esforçou para ficar em pé.
– Debandar! – gritou a plenos pulm ões.
Então com eçou a correr.
A distância não passava de 200 m etros, m as foi o traj eto m ais longo de sua vida.
Os rebeldes entrincheirados na igrej a abriram fogo assim que viram as tropas do governo se m overem . Pelo canto do olho, Lloy d pensou ter visto cinco ou seis de seus hom ens batendo em retirada. Corria m ancando, pois o braço ferido o desequilibrava. Lenny seguia na sua frente e não parecia estar ferido. Balas arrancavam pedaços de alvenaria dos prédios pelos quais Lloy d passava cam baleando. Lenny conseguiu chegar à casa da qual tinham saído, correu para dentro e segurou a porta aberta. Lloy d entrou depressa, ofegante, e desabou no chão. Três outros hom ens entraram atrás dele.
Lloy d encarou os sobreviventes: Lenny , Dave, Muggsy Morgan e Joe Eli.
– Só isso? – perguntou.
– Só – respondeu Lenny .
– Meu Deus! Éram os 36 e só sobraram cinco.
– Que grande consultor m ilitar é o coronel Bobrov!
Ficaram ali parados, ofegantes. Lloy d recuperou a sensibilidade do braço, que doía terrivelm ente. Descobriu que, apesar da dor, conseguia m exê-lo, então não devia estar quebrado. Olhou para baixo e viu que a m anga de sua cam isa estava encharcada de sangue. Dave tirou o lenço verm elho e im provisou um a tipoia.
Lenny estava ferido na cabeça. Havia sangue em seu rosto, m as ele disse que era só um arranhão, e parecia bem .
Dave, Muggsy e Joe estavam m ilagrosam ente ilesos.
– É m elhor voltarm os para receber novas ordens – disse Lloy d após descansarem por alguns m inutos. – De qualquer form a, não vam os conseguir nada sem m unição.
– Antes vam os tom ar um a boa xícara de chá, que tal? – sugeriu Lenny .
– Não dá, não tem os com o fazer o chá – respondeu Lloy d.
– Ah, então tudo bem .
– Não podem os descansar m ais um pouco?
– Vam os descansar na retaguarda – disse Lloy d. – É m ais seguro.
Foram voltando por dentro da fileira de casas, usando os buracos que tinham aberto nas paredes. Ter de se abaixar repetidas vezes deixou Lloy d tonto. Ele se perguntou se estaria fraco por ter perdido sangue.
Saíram à rua j á fora do cam po de visão dos resistentes na igrej a de San Agustín e seguiram apressados por um a rua secundária. O alívio de Lloy d por estar vivo rapidam ente cedia lugar a um a sensação de raiva pelo desperdício da vida de seus hom ens.
Chegaram ao celeiro nos arredores da cidade onde as forças do governo haviam m ontado seu quartel-general. Lloy d viu o m aj or Marquez distribuindo m unição atrás de um a pilha de caixotes.
– Por que não nos deram um pouco dessa m unição? – indagou, furioso.
Marquez deu de om bros.
– Vou relatar isso a Bobrov – disse Lloy d.
O coronel Bobrov estava do lado de fora do celeiro, sentado num a cadeira diante de um a m esa – am bos os m óveis pareciam ter sido retirados de um a das casas do vilarej o. Tinha o rosto verm elho por causa do sol. Estava conversando com Volody a Peshkov. Lloy d foi direto até eles.
– Nós atacam os a igrej a, m as não tínham os apoio – falou. – E ficam os sem m unição porque Marquez se recusou a nos reabastecer!
Bobrov encarou Lloy d com frieza.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou.
Lloy d não entendeu a pergunta. Im aginou que Bobrov fosse parabenizá-lo pelo esforço coraj oso ou ao m enos se m ostrar indignado pela falta de apoio.
– Acabei de dizer – enfatizou. – Não tínham os apoio. Não se pode tom ar um prédio ocupado com um pelotão só. Nós fizem os o possível, m as fom os m assacrados. Perdi 31 dos m eus hom ens. – Ele apontou para os quatro com panheiros. – Isso é tudo o que sobrou do m eu pelotão!
– Quem lhes deu ordens para bater em retirada?
Lloy d lutava contra a tontura. Sentiu que estava prestes a desm aiar, m as precisava explicar a Bobrov com o seus hom ens tinham sido coraj osos no com bate.
– Nós voltam os para receber novas ordens. O que m ais poderíam os fazer?
– Deveriam ter lutado até o últim o hom em .
– Lutado com o quê? Não tínham os balas!
– Silêncio! – bradou Bobrov. – Sentido!
Autom aticam ente, todos adotaram a posição de sentido: Lloy d, Lenny, Dave, Muggsy e Joe, em fila. Lloy d tem eu que fosse desm aiar.
– Meia-volta, volver!
Eles se viraram de costas. O que vai acontecer agora?, perguntou-se Lloy d.
– Feridos, saiam da form ação.
Lloy d e Lenny deram um passo para trás.
– Os feridos que puderem andar estão transferidos para o serviço de escolta aos prisioneiros.
Lloy d suspeitou que aquilo significava que ele ficaria encarregado de vigiar prisioneiros de guerra num trem com destino a Barcelona. Ali, de pé, oscilou. Neste m om ento, não consigo vigiar sequer um rebanho de ovelhas, pensou.
– Bater em retirada sob fogo inim igo sem ter recebido ordens para isso é deserção – disse Bobrov.
Lloy d se virou e olhou para o coronel. Para seu espanto e horror, viu que Bobrov havia sacado o revólver do coldre com botão.
O russo deu um passo à frente até ficar logo atrás dos três hom ens em posição de sentido.
– Vocês três foram considerados culpados e condenados à m orte. – Ele ergueu a arm a até o cano ficar a m enos de dez centím etros da nuca de Dave.
Então disparou.
O tiro ecoou. Um buraco de bala se abriu na cabeça de Dave, e sangue e m iolos j orraram de sua testa.
Lloy d não podia acreditar no que estava vendo.
Ao lado de Dave, Muggsy com eçou a se virar, com a boca aberta para gritar, m as Bobrov foi m ais rápido. Virou a arm a para o pescoço de Muggsy e disparou outra vez. A bala entrou por trás da orelha direita e saiu pelo olho esquerdo, e Muggsy desabou no chão.
Por fim , Lloy d conseguiu recuperar a voz e gritou:
– Não!
Joe Eli se virou, urrando de choque e raiva, e ergueu as m ãos para agarrar Bobrov. A arm a voltou a ser disparada, e Joe levou um tiro na garganta. O sangue j orrou feito um chafariz de seu pescoço e m olhou o uniform e do Exército Verm elho de Bobrov, fazendo o coronel xingar e recuar um passo. Joe caiu no chão, m as não m orreu na hora. Sem poder fazer nada, Lloy d ficou vendo o sangue esguichar da carótida do com panheiro e em papar a terra seca da Espanha. Joe pareceu tentar dizer algum a coisa, m as nenhum a palavra saiu de sua boca. Seus olhos se fecharam e seu corpo ficou flácido.