O dia da caça

James Patterson · Capítulo 8 de 165

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O dia da caça

capítulo 6

 

ÀS NOVE DA MANHÃ, OS beij os j á haviam term inado e eu estava no Edifício Daly, m e preparando para entrar num a reunião m uito desagradável sobre hom icídio m últiplo que acontecia na grande sala de reuniões bem em frente ao m eu escritório. Não deixava de ser côm odo. Estariam lá todos os detetives graduados disponíveis, além de um contingente do Segundo Distrito, que abrangia a m aior parte de Georgetown.

Eu ainda não conseguia aceitar que Ellie era a vítim a. Uma das vítimas.

O Departam ento de Medicina Legal enviou um a representante, a Dra. Paula Cook, um a investigadora brilhante com quem j á havia trabalhado em outros casos. Os cantos da boca da Dra. Cook se contorceram levem ente quando nos cum prim entam os com um aperto de m ãos. Im aginei que fosse um a tentativa de sorriso, então sorri de volta.

– Obrigado por vir, Paula. Vam os precisar de você neste caso.

– O pior que j á vi em 14 anos – disse ela. – Todas aquelas crianças e os pais. É de em brulhar o estôm ago. Não faz sentido.

Tínham os apanhado um a pilha de fotos da cena do crim e ao entrar e, j unto com Paula, com ecei a afixar algum as delas na parede da sala de reuniões. Fiz questão de que todas fossem im pressas no form ato 24 x 30cm . Queria que todos sentissem um pouco do que tinha acontecido na noite anterior em Georgetown, da m esm a m aneira que eu ainda sentia.

– Este pode ser um incidente isolado – falei alguns m inutos depois para o grupo reunido. – Mas prefiro não partir desse princípio. Quanto m ais entenderm os o que aconteceu, m ais bem preparados estarem os caso se repita. E provavelm ente não é um incidente isolado.

Im aginei que alguns dos detetives de hom icídios m ais experientes não fossem concordar com igo e alegassem que eu havia trabalhado em m ais casos de assassinos em série do que devia. Mas, àquela altura, eu não m e im portava nem um pouco com o que eles pensavam .

Durante os prim eiros 15 m inutos, m ais ou m enos, repassei os elem entos fundam entais do caso para aqueles que não estiveram no local na noite anterior. Em seguida, passei a palavra para Paula. Ela se levantou com um salto e nos explicou as fotos na parede:

– O estilo das incisões indica variações da força aplicada, da habilidade do assassino e das arm as utilizadas – disse ela, usando um apontador a laser verm elho para indicar os cortes, as perfurações e as am putações que a fam ília Cox tinha sofrido. – Pelo m enos um a delas tinha lâm ina serrilhada. Outra era excepcionalm ente grande, talvez um facão. Nenhum a das am putações, independentem ente do local, foi feita com cortes precisos. Pelo contrário, todas resultaram de golpes repetitivos.

Um detetive cham ado Monk Jeffries, sentado na prim eira fileira, fez um a excelente pergunta:

– Você acha que eles estavam treinando? Que nunca tinham feito isso antes?

– Não posso afirm ar – respondeu Paula –, m as isso não m e surpreenderia.

– Tem razão – atalhei. – É com o se eles estivessem praticando, Monk. – Eu tinha um a teoria sobre os assassinatos. – Existe algo de m uito juvenil nessa cena de crim e.

– Você quer dizer inexperiente? – perguntou Jeffries.

– Não. Sim plesm ente juvenil. Estou m e referindo às m utilações, à cam a quebrada, ao vandalism o em geral. E tam bém ao fato de isso provavelm ente ter sido feito por um grupo de cinco ou m ais pessoas. Um grupo grande de invasores. Quando j unto todos esses fatores, as possibilidades são poucas: gangue, ritual, crim e organizado. Nessa ordem .

– Gangue? – perguntou outro detetive de 1ª classe que estava sentado nos fundos. – Você j á viu um a gangue usar de tanta violência?

– Nunca vi tanta violência, ponto – retruquei.

– Aposto 20 pratas no crim e organizado. Alguém topa?

A proposta foi feita por Lou Copeland, um com petente e asqueroso detetive de 1ª classe da Divisão de Casos Especiais. Alguns de seus cam aradas riram .

Mas eu não. Atirei m inha prancheta do outro lado da sala. Ela bateu na parede e caiu no chão. Com o isso não era do m eu feitio, causou certo im pacto.

Todos ficaram em silêncio. Fui pegar m inhas anotações e vi Bree e Sam pson trocarem olhares de um j eito que não m e agradou. Não estavam certos de que eu conseguiria dar conta daquilo.

Bree assum iu dali em diante e com eçou a delegar tarefas. Precisávam os de gente para reinvestigar as cercanias de Cam bridge Place, pressionar o laboratório para obter os resultados depressa e contatar qualquer inform ante que tivéssem os nas ruas para desencavar algo sobre a noite anterior.

– Precisam os que vocês façam o seu m elhor desta vez – disse Bree ao grupo. – E querem os ter algum as respostas no fim do dia.

– Mas...?

– Dispensados!

Todos olharam em volta. Foi Sam pson quem falou:

– Se algum de vocês tiver m ais perguntas, pode ligar para os celulares de Stone ou de Cross. Enquanto isso, tem os m uito trabalho de cam po a fazer. Este é um caso im portante. Então m ãos à obra! Vam os cair dentro e com vontade!