O dia da caça
capítulo 68
ACORDEI ALGUMAS HORAS DEPOIS. MOISÉS j á estava servindo nosso café da m anhã na traseira da cam inhonete.
Salsicha enlatada, dois tom ates m achucados e um j arro de dois litros d’água.
– Parece ótim o – falei. – Obrigado, Moisés.
– Há um rio aqui. Lá do outro lado, se o senhor quiser se lavar. – Ele indicou com o queixo o lado oposto da estrada. Notei que sua cam isa estava encharcada. – Não é longe.
Abri cam inho pelo m ato com os braços, contornando um im enso em aranhado de arbustos espinhosos.
Cerca de 20 m etros adiante, o m atagal se abriu e saí em um a m argem feita de lam a e cascalho.
O rio em si era um a grande chapa de vidro verde-escura. Mal dava para perceber se estava em m ovim ento.
Dei um passo em direção à água e afundei o tornozelo na lam a.
Quando recuei, a lam a prendeu m eu sapato. Merda. Queria m e lim par, não ficar m ais suj o.
Olhei de um lado para outro, m e perguntando onde Moisés teria tom ado banho.
Antes, precisava do m eu sapato de volta. Enfiei a m ão no lodo e tateei ao redor. Ali em baixo era realm ente gostoso e fresquinho.
De repente, a água na m inha frente borbulhou. Algo áspero, com o um a tora de m adeira, veio à tona m uito, m uito rápido.
Então vi que era um crocodilo enorm e. Ele m e encarava fixam ente com seus olhos negros. O café da m anhã estava servido.
Merda. Merda. Merda. Adeus, sapato. Adeus, perna ou braço?
Recuei o m ais lentam ente possível. Até então, o crocodilo era apenas um a cam ada de pele coberta de placas na superfície. Eu podia ver a saliência do seu focinho. A grande fera não desgrudou os olhos de m im nem por um instante.
Sem nem ao m enos respirar, continuei andando para trás.
De repente, torci o pé na lam a e caí! Com o se aquela fosse a deixa pela qual ele estivesse esperando, o crocodilo saltou para a frente.
Ele saiu da água – tinha 2,5m , talvez até 3,5m – e veio para cim a de m im .
Tentei puxar as pernas para j unto do corpo, nem que fosse para adiar sua m ordida feroz. Com o aquilo podia ter acontecido? Todos tinham razão: eu não devia ter vindo para a África.
De repente, um tiro explodiu atrás de m im .
Então, houve um segundo disparo.
O crocodilo em itiu um barulho estranho, agudo, que era m eio um grito, m eio um arquej o. Ele em pinou, levantando as patas dianteiras, e desabou na lam a. Vi um líquido grosso e verm elho brotar da lateral de sua cabeça. Ele se debateu m ais um a vez, então recuou depressa para o rio e sum iu.
Eu m e virei e vi Moisés parado atrás de m im , em punhando a Beretta.
– Perdão, senhor. Eu devia ter dito para o senhor trazer isto. Só por precaução.