O dia da caça

James Patterson · Capítulo 4 de 165

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O dia da caça

capítulo 2

 

ELES QUERIAM ASSUSTAR ALGUÉM, PENSEI enquanto entrava num a antessala bem ilum inada e decorada com esm ero. Mas quem? Não essas pessoas mortas. Não essa pobre família massacrada só Deus sabe por quê.

O prim eiro piso contava um a história m acabra, que desenhava os contornos da m atança. Quase todos os m óveis das salas de estar e de j antar tinham sido virados ou destruídos – ou as duas coisas. Havia alguns buracos enorm es nas paredes e dezenas de outros m enores. Um candelabro de vidro antigo estava estilhaçado no chão, os cacos espalhados sobre um tapete oriental colorido.

A cena do crim e não fazia sentido e, para piorar, não encontrava precedentes em nada de m inha experiência com o detetive de hom icídios.

Um sofá Chesterfield crivado de balas tinha sido em purrado contra a parede para abrir espaço diante da lareira, onde os prim eiros três corpos foram empilhados.

Em bora eu possa garantir que j á vi coisas tenebrosas em serviço, aquela cena, a m onstruosidade dela, m e congelou.

Conform e eles disseram , as vítim as em pilhadas eram o pai, a m ãe e, por cim a, o filho, todos com o rosto virado para cim a. Havia rastros e m anchas de sangue nas paredes m ais próxim as, nos m óveis e no teto. Um a poça se form ara ao redor dos corpos. Aqueles pobres coitados haviam sido atacados com algum tipo de arm a cortante afiada. Os corpos estavam m utilados.

– Meu Deus, m eu Deus... – m urm urei.

Era um a oração, um a praga contra os assassinos ou, m ais provavelm ente, as duas coisas.

Um dos peritos em im pressões digitais respondeu baixinho:

– Am ém .

Mas nenhum de nós dois estava olhando para o outro. Aquele era o tipo de cena de hom icídio que você precisava encarar na raça, tentando sair da casa com um a parcela ínfim a da sua sanidade intacta.

A disposição do sangue pela sala sugeria que os m em bros da fam ília tinham sido atacados separadam ente, depois agrupados no m eio.

Eu estava de acordo com Fescoe sobre haver m ais de um assassino. Algum a coisa tinha estim ulado a fúria selvagem deles para que fizessem aquilo. Mas o que exatam ente acontecera? Qual era a causa do m assacre? Drogas? Ritual? Psicose?

Psicose coletiva?

Arquivei os pensam entos aleatórios para consultá-los em outra hora. Primeiro os métodos, depois o motivo.

Circulei lentam ente os corpos m utilados, desviando das poças de sangue, procurando pisar nas partes secas do assoalho sem pre que possível. As incisões não pareciam seguir nenhum padrão e, pensando bem , os assassinatos tam bém não.

A garganta do garoto estava cortada. O pai tinha um buraco de bala na testa. E a cabeça da m ãe estava virada num ângulo estranho, com o se o pescoço tivesse sido quebrado.

Dei a volta com pleta para ver o rosto da m ãe. O ângulo era tão bizarro que ela parecia estar com os olhos erguidos para m im , com um a expressão quase esperançosa, com o se eu ainda pudesse salvá-la.

Inclinei-m e para analisá-la m ais de perto e de repente fiquei tonto. Minhas pernas fraquej aram . Eu não podia acreditar no que estava vendo.

Oh, não! Oh, meu Deus, não!

Recuando às cegas, apoiei o pé num a parte escorregadia e caí. Estendi o braço para am ortecer a queda e m inha m ão enluvada pintou o chão de verm elho escuro.

O sangue de Ellie Randall. Não Cox... Randall!

Eu a conhecia...

Muito tem po antes, Ellie havia sido m inha nam orada, quando estudávam os em Georgetown. Ela deve ter sido m eu prim eiro am or.

E agora tinha sido assassinada j unto com sua fam ília.