O dia da caça

James Patterson · Capítulo 160 de 165

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O dia da caça

capítulo 158

 

NÓS ENTRAMOS E EU ME sentei na cozinha, que parecia ter sido reform ada recentem ente. Millard não m e ofereceu café ou qualquer outra bebida, então com ecei a lhe contar por que tinha ido até lá no m eio da noite.

– Passei algum tem po na casa de Ellie Cox antes de ir para a África. O seu pessoal fez um excelente serviço por lá. Achei o m anuscrito inacabado dela, é claro. Encontrei até algum as anotações que fez quando estava na Nigéria. Só que tudo parecia m uito certinho. Nada de com prom etedor.

Millard ouviu com paciência, assentindo, enquanto esperava pelo golpe final.

Fiquei olhando para ele por um instante, pensando sobre o conceito de “m ocinho”. Será que ainda restava algum ? Eu esperava que sim . Esperava m esm o que sim .

– Então é por isso que está aqui? Para m e inform ar que está tudo certo? – tornou a falar Millard.

– Parecia certo. Do j eito que deveria estar. Mas na sem ana passada voltei à casa dos Cox. Dessa vez tive tem po de ser um detetive de verdade. Conversei com o editor de Ellie na Georgetown University Press. Ele não havia recebido a últim a parte do m anuscrito de Ellie, o que o surpreendeu. Era a parte que contava sua viagem à Nigéria.

– Talvez ela nunca tenha chegado a escrevê-la – sugeriu Millard. – Isso faria sentido, não faria, detetive? Pode ter sido por isso que ela foi perseguida e assassinada.

– Pode ser. Mas, se isso fosse verdade, por que eu estaria aqui às três da m anhã, quando poderia estar em casa dorm indo?

Millard franziu as sobrancelhas. Ele estava com eçando a ficar irritado e eu não podia culpá-lo.

– Talvez porque nunca tenha m e agradecido decentem ente por eu ter encontrado e trazido sua fam ília de volta? Não tem de quê. Agora pode ir. Vá embora.

Então dei um soco em Steven Millard. Um golpe de direita que o levantou da cadeira da cozinha e o derrubou no chão de pinho. Seu nariz estava sangrando, m as ele não desm aiou. Dava para notar que não sabia m uito bem onde estava; suas m ãos tateavam em volta, em busca de apoio.

– Isso é por ter sequestrado m inha fam ília, para com eço de conversa – falei. – Ellie tinha um a datilógrafa para os m anuscritos – prossegui. – Um a m ulher em Washington cham ada Barbara Groszewski. Descobri isso por m eio dos cheques que Ellie passava para ela todos os m eses. A boa notícia, o m otivo de m inha visita, é que Barbara Groszewski estava com a últim a parte do m anuscrito de Ellie, o trecho sobre sua viagem a Lagos, seus encontros com Adanne Tansi e com outras pessoas. Ian Flaherty é m encionado diversas vezes. Você tam bém , Millard. Adanne sabia o que você e Flaherty estavam tram ando.

Fiz um a breve pausa e depois retom ei:

– Na verdade, foi você quem arm ou as reuniões com os chineses para negociar o petróleo. Foi você que recebeu propina deles. E foi você que contratou Sowande, o Tiger. Você está preso, Millard, e a CIA não vai protegê-lo. Eles j á entregaram você para nós. Então talvez ainda existam alguns m ocinhos no m undo.

Por incrível que pareça, Millard sorriu.

– Um m anuscrito? Parte de um m anuscrito? Anotações de um a escritora? Vocês não têm nada que possa m e m anter preso.

– Bem , acho que tem os – falei. – Tenho certeza que sim .

Abri a porta da cozinha e dei passagem para vários agentes do FBI, inclusive m eu am igo Ned Mahoney. Aqueles definitivam ente eram os m ocinhos.

Eu m e voltei para Millard.

– Ah, j á ia m e esquecendo da m elhor parte, o m ais im portante: nós encontram os Ian Flaherty. Você m entiu quando disse que estava com ele. Na verdade, som os nós que estam os com Flaherty agora. E ele está falando. É por isso que estou prendendo você. A coisa ficou feia pro seu lado, Millard. Você com eteu um grande erro de j ulgam ento.

– E qual foi m eu erro? – perguntou ele por fim .

Agora era a m inha vez de sorrir.

– Você deveria ter m e m atado quando teve a oportunidade. Sou m uito persistente. Nunca desisto.

Assim falou o Matador de Dragões.

No cam inho de casa, por volta das cinco daquela m anhã, m eu celular com eçou a tocar. Eu o peguei do banco do carro e atendi.

Escutei um a voz que não queria ouvir nunca m ais na m inha vida, m as especialm ente naquele m om ento.

– Você é im pressionante pra cacete, Alex. Estou m uito orgulhoso de você – disse Ky le Craig. – Acredite ou não, eu estava bem do seu lado ali na casa de Millard. Acho que tam bém sou m eio especial. E também nunca desisto.

Então Ky le desligou.

E, com o sem pre, foi m ais assustador do que qualquer um conseguia ser.