O dia da caça
capítulo 77
ALGUNS SEGUNDOS DEPOIS, TODA A estufa reverberou com o estrondo dos disparos vindos do lado de fora. Em seguida, vieram as raj adas das m etralhadoras.
Moham m ed Shol tentou se levantar, m as Tiger era rápido e ágil e j á estava com as m ãos em volta do pescoço do hom em , estrangulando-o. Com violência, ele em purrou Shol contra a parede oposta, fazendo rachaduras em form ato de teia de aranha brotarem no vidro.
– Está ouvindo isso? – gritou Tiger. – Está ouvindo? É tudo culpa sua.
Mais tiros. Depois gritos – prim eiro de m ulheres, logo em seguida de crianças, suas vozes agudas e patéticas.
– Este – explicou Tiger – é o som dos seus erros, da sua ganância, da sua estupidez.
Shol agarrou os punhos enorm es e inabaláveis de Tiger com as duas m ãos. Seus olhos ficaram verm elhos e suas veias pareciam a ponto de explodir nas têm poras. Tiger observava, fascinado. Tinha aprendido que era possível levar um hom em à beira da m orte e m antê-lo ali pelo tem po que quisesse. Gostava disso, pois desprezava Shol e sua laia.
A porta da estufa se estilhaçou quando dois guarda-costas chegaram para resgatar o patrão.
– Entrem ! – gritou Tiger.
Com um único m ovim ento, ele girou o corpo de Moham m ed Shol e sacou um a pistola do coldre preso ao seu tornozelo. Em seguida se lançou para a frente, segurando Shol diante de si com o um escudo, e com eçou a disparar enquanto corria.
Um guarda-costas caiu com um buraco de bala calibre .9 no pescoço. O outro acertou um tiro na m ão do patrão e um segundo no om bro.
Shol gritava sem parar, m esm o quando Tiger o arrem essou longe para o outro lado da estufa, fazendo com que ele se chocasse com o segurança. Os dois caíram . Então Tiger atirou no rosto do segundo guarda-costas.
– Oga! – disse Rocket aparecendo no vão da porta.
Oga significava “chefe” na linguagem das ruas de Lagos. Os j ovens soldados haviam com eçado a cham á-lo daquele j eito naturalm ente e Tiger gostava do título.
Os gritos tinham praticam ente cessado na casa, m ais ainda havia sons de quebradeira e disparos enquanto os m eninos extravasavam o restante de seu veneno e de sua energia.
– Havia um professor. Crianças tendo aula – disse o chefe.
– Já foi resolvido – esclareceu Rocket.
– Ótim o. – Tiger observou Shol tentando se levantar e deu um tiro na perna dele. – Você precisa de um torniquete, senão vai m orrer – disse para o em presário.
Então, voltou-se para Rocket.
– Am arre o Sr. Shol. Depois o am ordace com isto aqui. Ou, se preferir, pode enfiar isto no rabo dele.
“Isto” era um a M67: um a granada.
– Arranque o pino antes de sair.