O dia da caça

James Patterson · Capítulo 3 de 165

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O dia da caça

Parte Um

 

ATRASADO PARA A FESTA

capítulo 1

 

OS MISTÉRIOS MAIS DIFÍCEIS DE solucionar são aqueles que você vê que estão perto do fim , pois j á não há evidências suficientes nem m uito m ais a desvendar. A m enos que você possa voltar ao início – retroceder e rever tudo.

Em m eio ao conforto e à civilidade do m eu Mercedes R350, eu pensava em com o havia se tornado estranho seguir para o local de um assassinato. Mas lá estava eu, saindo do carro, em conflito por m ergulhar novam ente no lado som brio.

Será que estou ficando mole para esse trabalho?, perguntei-m e por um instante, m as logo descartei a ideia. Eu ainda era m uito duro, isso sim , m uito teim oso e intransigente.

Então pensei que havia algo de especialm ente aterrorizante naquela m atança aleatória e sem sentido. Era isso que ela parecia, ou pelo m enos foi o que todos acharam . Foi o que m e disseram quando telefonaram para m inha casa.

– A coisa está feia lá dentro, Dr. Cross. Cinco vítim as. Um a fam ília inteira.

– É, eu sei. Já m e falaram .

Um dos prim eiros policiais a atender o cham ado, Michael Fescoe, um rapaz que eu conhecia, veio falar com igo na calçada do local do crim e, em Georgetown. Estávam os perto da universidade em que eu havia m e form ado e da qual eu m e lem brava com carinho por vários m otivos, m as principalm ente porque Georgetown tinha apostado em m im .

O policial estava visivelm ente abalado. Não era de espantar. Se fosse um hom icídio qualquer, a Polícia Metropolitana não m e cham aria com urgência às 11 da noite de dom ingo.

– O que tem os até o m om ento? – perguntei a Fescoe enquanto m ostrava m eu distintivo para um policial que parecia estar protegendo um carvalho.

Passam os por baixo da fita am arelo-viva em frente à casa. Era um a linda construção em estilo colonial, com três andares, em Cam bridge Place, um quarteirão nobre logo ao sul do Montrose Park.

A calçada estava apinhada de vizinhos e curiosos, vestidos com pij am as e roupões, que se m antinham a um a distância segura, sem perder sua discrição esnobe.

– Fam ília de cinco, todos m ortos – repetiu Fescoe. – O sobrenom e é Cox. O pai, Reeve. A m ãe, Eleanor. O filho, Jam es. Todos no prim eiro andar. Duas filhas, Nicole e Clara, no terceiro. Há sangue por todos os lados. Parece que eles foram alvej ados prim eiro. Depois, brutalm ente retalhados e em pilhados em grupos.

Empilhados. Isso definitivam ente não m e soava bem . Não em um a casa tão linda. Ou em qualquer outro lugar.

– Algum oficial no local? Quem assum iu o caso? – perguntei.

– A detetive Stone está lá em cim a. Foi ela quem m e pediu que avisasse o senhor. Os legistas ainda estão a cam inho. Devem m andar uns dois. Meu Deus, que noite terrível!

– Tem toda a razão.

Bree Stone era um a das estrelas do Departam ento de Crim es Hediondos e um a das poucas detetives que eu fazia questão de ter com o parceira – em todos os sentidos, j á que estávam os nam orando havia m ais de um ano.

– Avise a ela que estou aqui – falei. – Vou com eçar pelo andar de baixo e depois a encontrarei lá em cim a.

– Pode deixar, senhor. Farei isso agora m esm o.

Fescoe m e acom panhou enquanto eu subia os degraus de entrada e passava por um perito que trabalhava na porta destruída e na soleira.

– Arrom bam ento, é claro – disse Fescoe. Ele corou, provavelm ente por ter afirm ado o óbvio. – Além disso, tem um a claraboia aberta no teto do terceiro andar. Parece que eles saíram por lá.

– Eles?

– Eu diria que sim ... considerando o tam anho do estrago, sej a lá o que tenha acontecido aí dentro. Nunca vi nada parecido, senhor. Olhe, se precisar de qualquer coisa...

– Eu avisarei. Obrigado. Prefiro fazer isso sozinho. Assim m e concentro m elhor.

Minha reputação atraía policiais entusiasm ados pelos casos grandes, o que podia ter suas vantagens. Mas, naquele m om ento, eu queria assim ilar a cena sozinho. Pela expressão som bria e pelo olhar vidrado no rosto de todos os peritos que eu tinha visto voltar dos fundos da casa, sabia que a coisa logo ficaria pior.

Mas eu não im aginava o que estava à m inha espera. O assassinato daquela fam ília era m uito pior do que eu havia pensado.

Muito, m uito pior.