O dia da caça
capítulo 63
– SAMPSON?
– O que foi?
– Isso não tem a m enor graça, sabia? Odeio você.
– Devia ter escolhido coroa, Bree.
A casa na Rua 18 estava silenciosa agora, sem nenhum traço da agitação frenética da noite dos assassinatos. Essa m anhã, Bree e Sam pson tinham o lugar só para eles. Não que algum dos dois quisesse estar ali, na cena do crim e.
Foi por isso que j ogaram cara ou coroa na entrada.
Sam pson ficou com a suíte principal.
Bree, com o quarto das crianças.
Ela calçou um a luva de látex e destrancou a porta, esperando que ela se abrisse por com pleto antes de entrar na casa. Então baixou a cabeça e correu para o andar de cim a.
– Eu odeio você, John – gritou.
Os corpos das crianças não estavam m ais lá, é claro, m as havia resíduos de pó para colher im pressões digitais por todo lado. Fora isso, a cena do crim e parecia igual: dois edredons am arelos idênticos m anchados de sangue, que tam bém havia esguichado no beliche, no tapete, nas paredes e no teto; na parede oposta, duas m esas pequenas continuavam intactas, com o se nada de abom inável tivesse acontecido ali.
Ay ana Abboud tinha 10 anos. Seu irm ão, Peter, 7.
Para Bree, era m uito m ais fácil com preender o assassinato do pai deles, Basel Abboud. Havia m uito tem po suas colunas no Washington Times eram um a voz insistente em prol de um a intervenção m ilitar norte-am ericana em Darfur, com ou sem o aval do Conselho de Segurança da ONU. Ele escrevia sobre subornos e corrupção tanto na África quanto em Washington. Tinha inim igos nos dois continentes.
O tipo de inim igo que tam bém vai atrás de sua m ulher e de seus filhos? Sem dúvida era o que parecia. Todos os quatro tinham sido m assacrados em sua própria casa.
Lentam ente, Bree fez um a volta com pleta, tentando novam ente visualizar a cena com o se fosse a prim eira vez. O que saltaria aos seus olhos agora? O que tinha deixado passar antes? O que Alex veria se estivesse ali, e não na África?
África! Pela prim eira vez, o fato de ele estar lá fez algum sentido para Bree. Aquele tipo de violência... era da África que vinha. Esse alerta só poderia ser com pletam ente com preendido nos contextos de Lagos, Serra Leoa, Darfur.
Era evidente que os assassinos não se im portaram em cobrir seus rastros ou esconder nada. Havia im pressões digitais em todos os lugares onde havia sangue. Centenas de im pressões não m uito claras tam bém foram encontradas por toda a casa: nas paredes, nas cam as, nos corpos.
Haviam com ido às pressas na cozinha: sobras de costeletas de porco, sorvete napolitano direto do pote, refrigerantes e bebidas alcoólicas.
Imagine o nível de estupidez ou de indiferença quanto a ser pego, levado a julgamento e condenado à prisão perpétua por esses crimes pavorosos.
Bree não precisava dos resultados para saber que nenhum a daquelas im pressões digitais seria reconhecida pelo sistem a do FBI. Seu palpite era de que os assassinos fossem j ovens africanos, sem antecedentes nos Estados Unidos e, m uito provavelm ente, sem registro de entrada no país. Algum as das im pressões deviam ser as m esm as colhidas na casa de Eleanor Cox, outras não. Eles eram fantasm as selvagens que um a pessoa m ais velha poderia usar para fazer seu trabalho suj o. Muito eficientes. E m uito perturbados. Deus, com o ela o odiava – sej a lá quem fosse que estivesse por trás daquilo.
Bree havia term inado de dar a volta e estava olhando para as cam as das crianças outra vez quando ouviu um a batida de leve na j anela da água-furtada atrás dela.
Quando se virou, quase gritou de susto. Sem pre tivera m edo de levar um tiro pelas costas.
Um m enino, pequeno e com os olhos arregalados, estava agarrado à grade de proteção do lado de fora, encarando-a. Quando seus olhares se cruzaram , ele soltou um a das m ãos da grade e a cham ou com um gesto.
– Eu vi as m ortes. Vi tudo – disse ele em voz baixa, com o se quisesse que só ela o ouvisse. – Sei quem são os assassinos.