O dia da caça
capítulo 28
EU ESTAVA DETERMINADO A SEGUIR aquele psicopata e sua gangue a qualquer lugar, m as era óbvio que não seria fácil. Muito pelo contrário.
– Você pegou m eu passaporte? Entendi direito? – perguntei a Nana. – Você roubou m esm o m eu passaporte?
Ela ignorou as perguntas e colocou um prato de ovos m exidos na m inha frente. Notei que estavam queim ados e sem torradas. Ah, então é guerra.
– Exatam ente – respondeu ela. – Se você se com portar com o um a criança teim osa, é assim que vai ser tratado. Confisquei seu passaporte – acrescentou ela. – Prefiro confiscar a roubar.
Afastei o prato.
– Ellie Cox m orreu por causa desse hom em , Nana. E a fam ília dela tam bém . Além de outra fam ília da cidade. Não finj a que isso não tem nada a ver conosco.
– Com você. E com o seu trabalho, Alex. É com isso que essa história toda tem a ver.
Ela se serviu de m eia xícara de café e foi para o quarto.
– Sabia que roubar o passaporte de outra pessoa é contra a lei? – gritei enquanto ela se afastava.
– Então m e prenda – retrucou ela, batendo a porta.
Eram apenas seis da m anhã e o prim eiro round do dia j á havia acabado.
Desde que eu m encionara a possibilidade de ir para a África, a coisa vinha piorando até chegarm os a esse ponto. Nana com eçou tim idam ente, espalhando notícias de j ornal pela casa. Certa noite, encontrei um a m atéria de capa da Time, “O Delta Mortal”, j unto com m inhas roupas lavadas. Na m anhã seguinte, havia um envelope ao lado das m inhas chaves; dentro dele, um artigo da BBC com o título “Muitas facções: Nigéria sem paz”.
Com o os ignorei, ela com eçou com os serm ões – um a lista de “e se” e riscos em potencial, com o se eu m esm o j á não tivesse pensado em quase todos eles. Muçulm anos m atando cristãos no norte da Nigéria; cristãos retaliando no leste; estudantes linchando um professor cristão; valas coletivas encontradas em Okij a; corrupção e truculência policial; sequestros diários em Port Harcourt.
Ela não estava errada. Crim es desse tipo j á eram perigosos m esm o sem que eu abrisse m ão da vantagem de estar em casa. A verdade era que não sabia o que esperar na África. Tudo o que sabia era que, se houvesse algum a chance de deter aquele carniceiro, eu iria aproveitá-la. Meu contato da CIA na Nigéria m e inform ara que o suspeito estava em Lagos naquele instante, ou pelo m enos estivera poucos dias antes.
Eu tinha m exido alguns pauzinhos para acelerar m eu pedido de visto. Em seguida, usara 75 m il m ilhas para com prar um a passagem de últim a hora para Lagos.
Agora o único obstáculo era m inha avó de 88 anos. Um em pecilho e tanto. Ela ficou trancada no quarto até eu sair para trabalhar, recusando-se a falar com igo sobre o passaporte confiscado.
É óbvio que eu não conseguiria ir m uito longe sem ele.