O dia da caça

James Patterson · Capítulo 140 de 165

Páginas do PDF

O dia da caça

capítulo 138

 

ELE FICOU NA LINHA ENQUANTO eu seguia pela Rua 5, m as não falou m uita coisa – e nada que m e aj udasse a descobrir o que fazer em seguida. Eu estava tentando refletir sobre a situação, elaborar algum tipo de plano... qualquer coisa que pudesse funcionar, m esm o que fosse um palpite sem fundam ento.

– Deixe-m e falar com m inha fam ília – pedi.

– Por que eu faria isso?

Pensei em pisar no freio, oferecer resistência, m as ele estava com a faca e o queij o na m ão.

– Qual lado? – perguntei.

– Vire à direita na próxim a esquina.

Fiz o que ele m andou.

– A luta na África não é sua, branquelo! – Fiquei escutando Tiger extravasar sua raiva enquanto seguia pela Avenida Malcolm X. – Você deveria ir m ais depressa – falou ele, com o se estivesse bem ali no banco do carona, m e observando.

Ele m e guiou até a Interestadual 295, na direção sul, rum o a Mary land. Eu j á havia pegado aquela estrada inúm eras vezes, m as, naquela noite, ela m e pareceu desconhecida.

Em seguida, desem boquei na Interestadual 95 e, depois, na Rota 210. Segui essa últim a por quase 25 quilôm etros, que pareceram m uito m ais do que isso.

Por fim , cheguei à Rota 425.

A voz dele ficou m ais baixa.

– Deixe-m e lhe dizer um a verdade. Você só esta vindo recolher os corpos. Quer os corpos, não quer?

– Quero m inha fam ília de volta – falei.

Ele se lim itou a rir.

Não falei quase m ais nada para Tiger, a não ser quando ele m e fazia um a pergunta direta, e ele não pareceu se im portar com m eu silêncio. Talvez quisesse ouvir sua própria voz.

Eu precisava transportar a parte racional da m inha m ente para outro lugar. Então, ouvia suas am eaças, seus insultos cruéis, m as sim plesm ente os deixava passar por m im . Não era difícil, afinal eu j á estava entorpecido. Eu estava ali, mas não estava.