O dia da caça
capítulo 75
FIQUEI ESPERANDO, MAS ELA NÃO disse m ais nada. Alguns segundos depois, percebi que em Lagos até o escritório de um a j ornalista é um a espécie de m ercado.
– Em troca de quê? – perguntei por fim .
Adanne sorriu de novo. Ela era m uito reticente... e esperta.
– Um a boa m atéria sobre um detetive am ericano atrás de um assassino com o Tiger... Seria difícil não publicar algo assim .
Coloquei as m ãos nos braços da cadeira, pronto para m e levantar.
– Não.
De repente, os olhos dela estavam cravados nos m eus.
– Detetive Cross, o senhor percebe o bem que um a m atéria com o essa poderia fazer? Esse m onstro é responsável pela m orte de centenas de pessoas, talvez m ais.
– Eu sei – respondi, m e esforçando para m anter a voz sob controle. – Um a delas era m inha am iga.
– E outra era m eu irm ão – disse Adanne. – Então talvez o senhor entenda por que quero escrever essa m atéria.
Suas palavras ecoaram no pequeno escritório. Ela não estava irritada, apenas com edida... e, por trás disso, passional.
– Sra. Tansi...
– Por favor, m e cham e de Adanne. É com o todos m e cham am .
– Adanne. Isto obviam ente é m uito im portante para você, m as não nos conhecem os. Queria poder confiar em você, m as não posso.
Seu olhar m e disse que eu ainda não a havia perdido.
– Mas espero que m e aj ude assim m esm o. A propósito, m eu nom e é Alex. É com o todos m e cham am .
Ela refletiu sobre o que eu tinha dito e pude ver que estava dividida. Era incom um ver isso num j ornalista, essa transparência... pelo m enos nos que eu conhecia em Washington.
Finalm ente, ela se levantou.
– Está bem – falou. – Vou ver o que posso fazer por você. Conte com igo.
Ela voltou a pegar a caneta, um a esferográfica prateada com ponta de ônix, do tipo que as pessoas costum am dar de presente.
– Onde posso encontrá-lo, Alex?
No abrigo da igreja: é lá que moro atualmente.
Não sei se ela notou m inha hesitação. Mesm o que não fosse a coisa m ais inteligente a fazer, percebi que queria im pressionar Adanne Tansi.
– Eu ligo para você – falei. – Am anhã bem cedo. Prom eto.
Ela assentiu, abrindo um sorriso em seguida.
– Acredito em você, detetive Cross. Pelo m enos por enquanto. Não m e decepcione.
Como eu poderia fazer uma coisa dessas, Adanne?