O dia da caça

James Patterson · Capítulo 22 de 165

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O dia da caça

capítulo 20

 

NAQUELA NOITE, NÃO DORMI MAIS que duas horas. Um policial e dois civis tinham m orrido – além de um dos assassinos m irins, o “terrorista mais jovem do mundo”, segundo a m anchete publicada pelo Washington Post na m anhã seguinte. Para com pletar, eu tinha que atender um paciente psiquiátrico às oito horas no St. Anthony.

Desde o caso Ty ler Bell no ano anterior, quando fui literalm ente atacado dentro do m eu próprio consultório, eu tinha sido obrigado a reavaliar m inha vida. Resultado: decidira que m uitas vezes m eus casos crim inais eram notórios dem ais para m anter a confidencialidade das m inhas consultas particulares. Agora, atendia som ente dois ou três pacientes por sem ana, geralm ente de graça, e estava satisfeito com isso. Quase sem pre, pelo m enos.

Mas não queria ver aquele paciente em especial – não naquele dia.

Era irônico que eu tivesse que atender Bronson “Pop-Pop” Jam es naquela m anhã. Ele tinha 11 anos e era, possivelm ente, o paciente dessa idade com o nível m ais avançado de sociopatia que eu j á vira. Quatro m eses antes, tinha se tornado notícia quando, j unto com um garoto de 17 anos, espancara dois sem -teto quase até a m orte. Eles haviam usado um bloco de concreto. Foi Pop-Pop quem deu a ideia. O prom otor público ainda não sabia com o abordar o caso, por isso Bronson estava sob a tutela do Juizado de Menores. A única coisa que tinha a seu favor era um a ótim a assistente social, que garantia que ele não faltasse às consultas com igo.

A princípio, achei que fosse m elhor afastar os acontecim entos da noite anterior da m inha m ente. Entretanto, assim que a consulta com eçou, m udei de ideia.

– Bronson, você ficou sabendo do que aconteceu na noite passada, naquele posto na Virgínia?

Ele estava sentado de frente para m im em um divã de vinil barato, se rem exendo o tem po todo, m ãos e pés sem pre em m ovim ento.

– Ah, sim , fiquei sabendo. Estavam falando disso no rádio. Que é que tem ?

– O m enino que m orreu tinha 12 anos.

Bronson sorriu e levou dois dedos à cabeça.

– Ouvi dizer que acabaram com ele.

Sua confiança era espantosa; dava-lhe um estranho ar de m aturidade... enquanto seus pés balançavam a uns 15 centím etros do chão do m eu consultório.

– Já pensou que um a coisa dessas poderia acontecer com você? – perguntei.

Ele riu, debochado.

– Todos os dias. Não tem nada de m ais.

– Então, por você está tudo bem ? Faz sentido? É assim que o m undo deve ser?

– É assim que o m undo é. Bam.

Corri os olhos pelo consultório e depois o encarei.

– Então, por que se dar o trabalho de sentar aqui e falar com igo? Isso não faz m uito sentido para m im .

– Porque aquela vaca da Lorraine m e obriga a vir.

Assenti.

– O fato de você vir aqui não significa que tenha que dizer algum a coisa. Mas você diz. Conversa com igo. Por que faz isso?

Ele fingiu ficar im paciente.

– Você que é o curandeiro, por que não m e diz?

– Você tem invej a de garotos com o esse que m orreu? Que trabalham para viver e andam por aí arm ados?

Ele m e encarou apertando os olhos, depois abaixou um pouco m ais a faixa com o nom e de um j ogador de basquete que trazia na cabeça.

– Do que você está falando?

– Você queria ser com o eles?

Ele tornou a sorrir, apenas para si m esm o. Então se afundou no divã e estendeu o dedo do pé para, com o que por acidente, derrubar na m esa entre nós dois o suco de laranj a que eu tinha lhe dado.

– Ei, tem bala na m áquina lá de baixo? Pega um pacote pra m im !

Não fiz o que ele pediu. Depois da consulta, levei Pop-Pop de volta para a sua assistente social e disse a ele que o veria na sexta-feira. Então fui para casa e apanhei Nana.

Fom os j untos ao funeral da fam ília Cox. Nos abraçam os e choram os com o todos os presentes.

Já não m e im portava m ais que as pessoas m e vissem chorando. Se fossem am igos, entenderiam . Se não fossem , o que pensavam de m im não im portava.

Essa filosofia, para dar crédito a quem o m erece, é um Nana-ísm o.