O dia da caça
capítulo 99
NA MANHÃ SEGUINTE, ADANNE LEVANTOU cedo e fez café e suco para todos. Depois da refeição, se ofereceu para m e levar de carro a m eu encontro com Flaherty. Estava m ais séria e form al, do j eito que eu estava acostum ado a vê-la longe da fam ília.
– Por que você está usando essa gravata idiota? – perguntou ela. – Parece um advogado. Ou um banqueiro. Eca!
– Não faço ideia – respondi, com um sorriso. Agora era eu quem sorria à toa. – Mais um m istério nigeriano, acho.
– Você é o m istério – disse ela. – É o que eu acho.
– Você não é a única.
Ela parou o carro em frente ao banco na Broad Street.
– Tom e cuidado, Alex. – Ela m e deu um beij o rápido no rosto. – É perigoso lá fora, agora m ais do que nunca.
Saltei do carro, acenei para Adanne e ela foi em bora. Decidi tirá-la da cabeça im ediatam ente, m as não conseguia pensar em m ais nada além dela: no seu sorriso, na noite anterior em sua casa, nas coisas que não fizem os.
Flaherty!, forcei-m e a lem brar. O que ele quer comigo?
No entanto, não havia nem sinal do agente da CIA. Já havia esperado cerca de 20 m inutos, o suficiente para com eçar a ficar paranoico, quando seu Peugeot parou, derrapando, no acostam ento.
– Venha logo. Não tenho tem po a perder.
Assim que entrei, vi que havia um a pasta azul em cim a do banco e a peguei.
– O que é isto?
Flaherty estava suj o, suado e parecia estressadíssim o, m ais escorregadio do que de costum e. Ele saiu do acostam ento e pegou a estrada. Com o de praxe, não se deu o trabalho de responder à m inha pergunta.
Abri a pasta. Continha apenas a cópia de um form ulário de um a página, com um a foto tam anho passaporte de um m enino gram peada nele.
– Docum entos de adoção?
– São arquivos de um orfanato. Este é o seu Tiger. O nom e dele é Abidem i Sowande. Nascido em Lagos, em 1972, filho de pais ricos. Os dois m orreram quando o m enino tinha 7 anos. Não havia nenhum parente vivo. Pelo j eito, o pequeno Abi não era o que você cham aria de exem plo de saúde m ental. Acabou sendo internado por um ano depois da m orte dos pais. Quando saiu, toda a fortuna da fam ília tinha sum ido.
– O que aconteceu com ela?
Flaherty deu de om bros. A fum aça de seu cigarro entrou em um de seus olhos, que ele estreitou e esfregou.
– Sowande deveria ficar sob a tutela do Estado, m as, em algum lugar entre o hospital e o orfanato, ele desapareceu. Pelo j eito, era um garoto esperto. Tinha QI alto, pelo m enos. Passou dois anos em um a universidade na Inglaterra. Então sum iu até reaparecer aqui há alguns anos. Isso é tudo o que tenho. Não há m ais nenhum registro de espécie algum a até agora. Acham os que ele pode ter trabalhado com o m ercenário.
Olhei para a fotografia na m inha m ão. Será que aquele menino podia ser o homem que eu tinha visto em Darfur? O responsável pela m orte de tantas pessoas ali e em Washington? O assassino de Ellie?
– Com o podem os saber se é ele? – perguntei.
– Sabe o cara que m orreu no Sudão, Moham m ed Shol? Um a fonte nos inform ou que ele vinha se gabando de estar fazendo negócios com “o Tiger”. Supostam ente sabia algum as coisas a respeito dele. Parecia um tiro n’água, m as então alguém desencavou esse registro e nós conseguim os um a digital com patível na cena do crim e na casa de Shol. Bom , né?
– Não sei, não – falei, erguendo a pasta. – Sinceram ente, o que posso fazer com isto? Parece um pouco conveniente essa inform ação aparecer assim , do nada.
Flaherty m e fuzilou com o olhar e perdeu a direção por um instante, saindo da pista.
– Meu Deus, Cross, você ainda quer m ais aj uda?
– Aj uda? – falei. Minha vontade era de bater nele. – Prim eiro você m e vira as costas, depois aparece e m e dá o nom e de um a pessoa que pode m uito bem nem existir m ais. Um m ercenário, talvez, m as quem sabe? É desse tipo de aj uda que você está falando?
– Estou lhe dando um presente, detetive. Desde o prim eiro dia, falei para você não contar com igo.
– Não, você m e disse isso no quarto dia, depois de eu ter passado três noites na cadeia.