O dia da caça
capítulo 33
– AH, SOYINKA! UM AUTOR INSPIRADOR. Já leu algum livro dele antes?
Não tinha percebido que alguém havia parado no corredor bem ao lado do m eu assento. Levantei a cabeça, m as som ente um pouco, e olhei para o padre m ais baixo que j á vi na vida. Não o hom em m ais baixo, m as o padre, sem dúvida. Seu colarinho branco ficava exatam ente na altura dos m eus olhos.
– Não, este é o prim eiro – respondi. – Foi um presente de despedida de m inha avó.
Seu sorriso ficou ainda m ais radiante, seus olhos m ais arregalados.
– Ela é nigeriana?
– Só um a am ericana que lê bastante.
– Ah, ninguém é perfeito – disse ele, gargalhando antes que eu pudesse sequer pensar que aquilo era um insulto. – T’agba ba nde, a a ye ogun ja. É um provérbio iorubá, sabia?
– O senhor é iorubá? – perguntei.
Seu sotaque parecia nigeriano, m as eu não era capaz de diferenciar iorubá de ibo, hauçá ou qualquer outro dialeto.
– Iorubá cristão – disse ele, acrescentando com um a piscadela: – Cristão iorubá, com o o bispo prefere. Mas não vá m e dedurar, hein? Prom ete?
– Não vou contar a ninguém . Seu segredo está seguro.
Ele estendeu o braço com o se fosse m e cum prim entar, então, quando retribuí o gesto, cobriu m inha m ão com as suas. Ele tinha m ãos m inúsculas, que transm itiam am izade e talvez algo m ais.
– O senhor aceitou Jesus Cristo com o o seu salvador, detetive Cross?
Puxei m inha m ão de volta.
– Com o o senhor sabe m eu nom e?
– Porque, considerando-se a viagem que o senhor está prestes a fazer, talvez este sej a um bom m om ento para isso. Para aceitar Jesus, quero dizer.
O padre fez o sinal da cruz na m inha frente.
– Sou o padre Bom bata. Fique com Deus, detetive Cross. Vai precisar da aj uda dEle na África. Este é um período m uito difícil, talvez até de guerra civil.
Ele m e convidou a m udar para o assento vazio ao lado do dele e passam os horas conversando. Mas ele nunca me contou como sabia meu nome.