O dia da caça

James Patterson · Capítulo 99 de 165

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O dia da caça

capítulo 97

 

QUANDO TERMINEI A LIGAÇÃO, TODOS estavam m e esperando no quintal – com vinho de palm a e noz-de-cola, que perm aneceram intocados até eu voltar.

Antes de com erm os, conform e a tradição iorubá, Uchenna abençoou as nozes e as crianças, Jam es e Calvin, as serviram para o grupo.

Adanne parecia estar achando m inha visita m uito prazerosa ou m uito engraçada, pois sorria o tem po todo. Dava para perceber sua felicidade por estar em casa.

Depois os m eninos m e convenceram a j ogar um pouco de futebol no quintal. Os gêm eos ou foram educados, ou realm ente ficaram im pressionados por eu conseguir m e virar um pouco com a bola, m esm o m e dando um banho. Foi gostoso correr com as crianças. Eles eram bons garotos. Não assassinos.

Jantam os egusi – um cozido de frango – e fufu – um a m assa de inham e para m olhar no caldo. Havia tam bém bananas fritas, servidas com um m olho de tom ate tão picante que poderia tirar a pintura de um carro. Aquele am biente fam iliar m e pareceu ao m esm o tem po conhecido e estranho, e a refeição foi de longe a m elhor que tive na África.

O assunto preferido de Uchenna era, sem dúvida, sua filha, Adanne. Descobri m ais sobre ela naquelas poucas horas do que em todo o tem po que havíam os passado j untos até então. Adanne se apressava a contar sua versão de algum as das histórias narradas pelo pai, m as, quando Som adina trouxe suas fotos de bebê, ela desistiu e foi para a cozinha lavar a louça.

Enquanto ela estava fora, a conversa ficou m ais séria. Seu pai falou sobre os trágicos assassinatos de cristãos no norte da Nigéria e depois sobre a retaliação dos cristãos, no leste. Contou-m e a história de um a professora cristã que, recentem ente, fora espancada até a m orte por seus alunos m uçulm anos.

Por fim , Uchenna falou dos artigos que sua filha escrevia toda sem ana e sobre com o eles eram perigosos.

Mas, naquela noite, foram as risadas que tom aram conta da casa. Eu j á m e sentia à vontade. Aquela era um a boa fam ília, com o tantas outras em Lagos.

Depois que Nkiru levou as crianças para a cam a e Adanne se j untou de novo ao grupo, a conversa voltou à política e aos assuntos de adultos. Naquela sem ana haviam ocorrido quatro bom bardeios no estado de Bay elsa, na região do Delta, perto dos cam pos petrolíferos. A pressão para a Nigéria ser dividida em estados independentes crescia ao ritm o da violência em todo o país.

– A culpa é toda dos hom ens e de sua m aldade. Sem pre foi – disse Adanne. – Está na hora de o m undo ser governado por m ulheres. Nós querem os criar, não destruir. Sim , estou falando sério, pai. Não, não bebi vinho dem ais.

– Foi a cerveja – decretou Uchenna.