O dia da caça
capítulo 101
UMA HORA DEPOIS, EU ESTAVA na sala de espera de um a suíte executiva no 30º andar da sede adm inistrativa da Unilight International em Ikej a. Sabia que a Unilight era um a das m aiores com panhias de bens de consum o do m undo, m as m eu conhecim ento acabava aí.
Fotografias brilhantes de m arcas fam osas de sabonete e pasta de dentes enfeitavam as paredes. Eu ainda estava tentando entender o que exatam ente fazia ali. Flaherty tinha m e deixado na frente do prédio depois de m e entregar um cartão de visita e o núm ero do andar. “Willem de Bues quer encontrá-lo e você tam bém quer se encontrar com ele.”
– Dr. Cross? – cham ou a recepcionista. – O diretor irá recebê-lo agora.
Fui conduzido por um corredor até um a porta dupla, que ela abriu para m im , revelando um escritório im enso, com j anelas que iam do chão ao teto.
Aquilo estava ficando cada vez mais estranho. O que um a m ultinacional de sucesso tinha a ver com um caso de assassinato?
Havia um a m esa gigantesca, perpendicular à porta, com duas cadeiras confortáveis de frente para ela. Dois sofás de couro ocupavam o outro canto da sala, onde dois hom ens de ternos escuros, cam isas brancas e gravatas listradas estavam se levantando.
– Dr. Cross – disse o m ais alto.
Ele era branco, tinha cabelos louros bem curtos e usava óculos retangulares de arm ação pesada. Aproxim ando-se de m im , apertou m inha m ão.
– Sou Willem de Bues. – Seu sotaque m e pareceu holandês. Ele indicou o outro hom em com um gesto. – Este é Thom as Lassiter, um advogado do nosso departam ento j urídico.
– É um prazer – falei, m esm o sem ter certeza se aquilo era verdade ou não.
Com o eu poderia saber? Eu m eio que esperava levar um a surra e acabar com o nariz quebrado de novo.
– Fom os inform ados de que o senhor está atrás de um nigeriano conhecido com o Tiger – disse De Bues, m e confundindo de vez.
Que tipo de relação aquele em presário poderia ter com um assassino de aluguel?
– Exato – respondi. – Vim de Washington, onde ele com eteu alguns crim es hediondos. Pelo m enos para os nossos padrões.
– Então precisam os conversar. Sente-se – disse o Sr. De Bues. Era óbvio que ele estava habituado a dar ordens. – Sua reputação com o policial o precede, naturalm ente. Seu histórico de casos difíceis solucionados...
– Que tal se antes o senhor m e dissesse o que está acontecendo? E por que seu advogado está aqui?
De Bues não perdeu a com postura. Na verdade, ele sorriu.
– Gostaríam os de aj udá-lo a encontrar Tiger. E, considerando que esta é um a situação bastante... irregular, quero m e certificar de que não vou dizer nem propor nada de ilegal nesta reunião. Fui honesto o suficiente? Por favor, sente-se, detetive. Sente-se.