O dia da caça

James Patterson · Capítulo 56 de 165

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O dia da caça

capítulo 54

 

TALVEZ EU JÁ SOUBESSE MAIS do que queria sobre aquele país pequeno e triste cham ado Serra Leoa. Os rebeldes dali tinham m atado m ais de 300 m il pessoas nos últim os anos, às vezes decepando prim eiro suas m ãos e seus pés, ou incendiando casas onde fam ílias dorm iam , ou arrancando fetos do útero de suas m ães. Eles criavam “anúncios de terror”, m ensagens entalhadas nos corpos das vítim as que escolhiam poupar e usar com o cartazes am bulantes.

Peguei um voo noturno de um a com panhia cham ada Bellview Air para Freetown, depois um avião a hélice que desafiava a m orte até a fronteira oriental de Serra Leoa, onde aterrissam os aos solavancos num a pista coberta de gram a que servia à cidade de Koidu. Dali, tom ei um dos dois táxis disponíveis na região.

Trinta e seis horas depois de Ian Flaherty m e aconselhar a não viaj ar, eu estava em pé no terreno da Running Recovery, um a das várias m inas de diam antes ativas em Koidu.

Eu ainda não sabia se Tiger tinha ou não feito negócios com alguém naquela m ina, m as, segundo Flaherty, a reputação da Running Recovery era péssim a.

Caso estivesse em Washington, com eçaria colhendo inform ações. Então foi o que decidi fazer ali, um a m ina de cada vez, se fosse necessário.

Tinha voltado a ser um detetive.

E j á sabia disso.

A Running Recovery não era exatam ente um a m ina, e sim um cam po de diam antes aluviais. Parecia um cânion em m iniatura – um a extensão equivalente a dois cam pos de futebol am ericano de terra am arela escavada, com valas de no m áxim o 10 m etros de profundidade.

Os trabalhadores, vergados sob o calor extrem o, usavam picaretas e peneiras. A m aioria estava afundada até a cintura em um a água m arrom barrenta.

Alguns tinham o tam anho de crianças de escola prim ária e, pelo que eu via, eram exatam ente isso. O rap de Kany e West “Diam onds from Sierra Leone” tocava repetidam ente em m inha cabeça. Dam on escutava bastante essa m úsica e agora eu m e perguntava se ele ou seus am igos j á haviam parado para pensar sobre o verdadeiro significado dos seus versos.

A segurança naquela parte de cim a da m ina era incrivelm ente fraca. Havia diversas pessoas vagando pelo terreno, fazendo negócios ou sim plesm ente observando, com o eu.

– Você é j ornalista? – perguntou alguém atrás de m im . – O que está fazendo aqui?

Eu m e virei e deparei com três hom ens m ais velhos m e olhando torto. Todos eram am putados de “guerra”. Provavelm ente não eram soldados, m as alguns dos m ilhares de civis que tinham sofrido algum a brutalidade típica do conflito que se estendeu por 10 anos em Serra Leoa, em grande parte travado pelo controle da indústria de diam antes.

As m inas j á haviam feito com aquele país a m esm a coisa que o petróleo estava prestes a fazer com a Nigéria. Não havia lem brete m ais inexorável desse fato do que aqueles hom ens parados na m inha frente.

– Jornalista? – falei. – Não, m as gostaria de conversar com alguém lá em baixo, com um dos trabalhadores. Algum de vocês sabe quem está no com ando?

Um deles apontou com o cotoco do cotovelo.

– Tehj an.

– Ele não falar com j ornalista – disse um dos outros, que tinha as duas m angas da cam isa pendendo vazias j unto ao tronco.

– Não sou j ornalista – repeti.

– Isso não interessa para Thej an. Você é am ericano, então é j ornalista.

Levando-se em conta a cobertura que a im prensa tinha feito sobre aquelas m inas, a preocupação excessiva era quase com preensível.

– Alguém ali em baixo estaria disposto a conversar com igo? – perguntei. – Um dos trabalhadores? Vocês conhecem algum desses hom ens? Têm am igos lá em baixo?

– Talvez hoj e à noite na taberna da cidade – disse o prim eiro hom em que havia falado com igo. – Depois de um as rodadas, as línguas se soltam .

– Onde fica isso?

– Posso m ostrar a você – disse o m ais falante dos am putados.

Eu o encarei e, enquanto ele sustentava m eu olhar, perguntei-m e com o era possível que a paranoia não tivesse devorado viva aquela parte da África. Então, decidi confiar nele.

– Meu nom e é Alex. Com o você se cham a?

Trocam os um aperto de m ãos, os dois usando a esquerda.

– Moisés – disse ele.

Ao ouvir aquilo, sorri e pensei em Nana. Ela tam bém teria sorrido e lhe dado um tapinha nas costas.

Mostre-me o caminho, Moisés.