O dia da caça
capítulo 34
DEZOITO HORAS –QUE PARECERAM dias – depois de eu deixar Washington, o voo de Frankfurt finalm ente aterrissou no Aeroporto Murtala Muham m ed, em Lagos, Nigéria.
Do avião, eu tinha observado a extensão inacreditável e de certa form a hipnótica do Saara, as savanas que o cercavam e, colado à cidade, o igualm ente vasto golfo da Guiné.
Então, quando desem barquei na pista, m e senti com o se estivesse em qualquer cidade dos Estados Unidos. Até onde eu sabia, aquele lugar poderia m uito bem ser Fort Lauderdale.
– Sinto m uito, m as não posso aj udá-lo aqui, irm ão – disse o padre Bom bata, aproxim ando-se e apertando m inha m ão novam ente antes de nos separarm os. Ele tinha m e dito que havia alguém à sua espera para agilizar sua chegada. – Ponha 200 nairas em um bolso vazio, m eu am igo – sugeriu ele.
– Para quê? – perguntei.
– Às vezes, a resposta é Deus; outras, é o dinheiro.
Sem pre sorrindo, o pequeno padre m e entregou seu cartão, se virou e saiu andando com um últim o aceno sim pático.
Descobri o que ele queria dizer cerca de três horas depois, tem po que eu havia passado suando na fila da im igração. Havia apenas dois funcionários m uito lentos no balcão para atender cerca de 400 pessoas.
Alguns passageiros eram liberados im ediatam ente, enquanto outros ficavam detidos por até 30 m inutos. Por duas vezes, vi alguém ser conduzido por um guarda arm ado até um a porta lateral em vez de obter perm issão para seguir para o term inal principal.
Quando finalm ente chegou m inha vez, entreguei m eu form ulário de im igração e m eu passaporte para o funcionário.
– Sim , e o seu passaporte? – perguntou ele.
Fiquei confuso por um instante, m as então m e lem brei do que o padre Bom bata tinha dito. Ele está esperando a propina.
Deslizei as 200 nairas por sobre o balcão. O funcionário pegou o dinheiro, carim bou m eu passaporte e cham ou o próxim o da fila sem olhar para m im duas vezes.