O dia da caça
capítulo 144
ESTAVA ESCURO LÁ FORA, UM breu assustador, e frio com o se estivéssem os no auge do inverno. Nuvens baixas deslizavam pelo céu noturno, deixando apenas um a fatia da lua visível. Eu não via Tiger em lugar algum .
Mas então notei um leve m ovim ento à direita do cam inho de terra que tínham os seguido para chegar até a casa.
– Alex! – ouvi Bree gritar atrás de m im .
Não respondi ao seu cham ado. Saí correndo e torci para que ela não m e seguisse, que não conseguisse m e ver na escuridão. Queria chegar a Tiger prim eiro, só eu e ele.
– Alex! – gritou Bree de novo. – Não faça isso! Alex! Alex!
Continuei seguindo o m ovim ento, o vulto indistinto de um hom em correndo m ais à frente. Ou som ente barulho às vezes, o farfalhar dos galhos. Estava concentrado nisso quando um a som bra saiu do m ato e voou para cim a de m im .
Girei para o lado e atirei no peito de um assassino com um a cam isa branca com prida e um boné de beisebol da m esm a cor. Um dos m eninos! Ele soltou um gem ido e desabou no chão. Continuei correndo atrás de Tiger.
Ele se m ovia depressa, m as eu tam bém . Derrapei duas vezes ladeira abaixo em um a encosta escura. Estava m e aproxim ando um pouco dele, m as não o suficiente. Não gritei seu nom e. Apenas corri, dando o m áxim o de m im . Não tinha nada na m inha m ente a não ser o propósito de capturá-lo. Nenhum a cautela; não àquela altura. Nenhum tem or por m im m esm o.
Conseguia ouvir suas passadas pesadas e sua respiração, que parecia ofegante. Ainda assim , não cham ei seu nom e. Estendi m inha arm a e disparei duas vezes. Mirei baixo, para não m atá-lo. Precisava dele vivo para descobrir onde estava m inha fam ília.
Não achei que tivesse acertado, m as ele girou o corpo para trás e isso fez com que tropeçasse. Acelerei, num a explosão de velocidade. Estava chegando m ais perto agora. Conseguia identificar m ais detalhes, vê-lo com clareza.
Então mergulhei para agarrar suas pernas!
Quase errei, m as consegui segurá-lo pelos tornozelos e ele caiu de peito e cara no chão, sua testa se chocando com força contra um a pedra.
Subi nele, engatinhando sobre seu corpo. Então m e sentei e dei um soco com toda m inha força.
Meu punho se chocou contra sua m andíbula, fazendo espirrar suor e sangue.
– Filho da puta! Traidor! – gritou ele para m im , rosnando com o um gato selvagem sendo atacado.
– Minha fam ília, onde está? O que aconteceu com eles? – gritei.
Eu o esm urrei novam ente, com toda m inha raiva e m eu ódio em ebulição. Dessa vez Tiger perdeu um dente, m as era m uito forte, m esm o ferido. Por fim , conseguiu m e tirar de cim a dele.
Então veio para cim a de m im ! Protegi m inha cabeça com os braços e ele golpeou m eu pulso. Achei que poderia ter se quebrado, m as não ouvi som nenhum . Arqueei m eu corpo o m áxim o que pude. Consegui agarrá-lo pelo pescoço e segurar firm e. Não sabia de onde eu estava tirando tanta força ou quanto tem po ela iria durar.
Tentei lhe dar um a cabeçada e, por conta do ângulo em que estava, atingi seu pom o de adão. Ele engasgou, cuspindo catarro e sangue.
– Minha fam ília! – gritei outra vez.
– Sua fam ília que se foda! – praguej ou ele. – Seus filhos que se fodam ! Você que se foda!
Então ele sacou a faca de caça. Eu continuava pensando que precisava m antê-lo vivo; não que eu precisava sobreviver àquilo. Agarrei a m ão com que ele segurava a faca pelo punho, m as j á estava perdendo a firm eza. A luta estava virando para o lado dele. Estava acabado; era assim que eu ia m orrer. Jam ais saberia o que tinha acontecido com Nana, Ali e Jannie. Isso era o pior, não saber.
Um tiro ecoou na noite.
Tiger se em pertigou, m as então voltou a se inclinar na m inha direção com a faca.
– Morra – berrou. – Com o sua fam ília m orreu!
Um segundo tiro o atingiu no olho direito, que um instante antes m e encarava, furioso.
– Onde eles estão? – tornei a gritar. – Onde está m inha fam ília?
Ele não falou m ais nenhum a palavra. Seu olho bom era só ódio. O restante de seu rosto estava ensanguentado. Tiger j á não podia responder. Ele desabou em cim a de m im , m orto.
– Onde eles estão? – sussurrei.