O dia da caça
capítulo 66
AQUELA PARTE DA ÁFRICA NÃO era recom endável para m ochileiros ou safáris turísticos. Os uivos das hienas eram um lem brete constante de onde eu estava. Assim com o as placas que alertavam para coisas com o: PERIGO – LEÕES – CROCODILOS!
Voltar de Serra Leoa para a Nigéria estava sendo m ais com plicado do que eu havia previsto. Além de perigoso e traiçoeiro.
Como nesse momento. Dois j ipes m ilitares estavam atravessados na estrada, com os para-choques colados, bloqueando o cam inho. Mas aquilo não era um controle de fronteira com um . Estávam os a m enos de um a hora de Koidu.
– Esses caras são m esm o do governo? – perguntei a Moisés. – Tem os com o saber isso?
Ele deu de om bros e se rem exeu, incom odado, no banco da cam inhonete.
– Podem ser da FRU.
Pelas m inhas contas, havia seis hom ens, todos usando um a m istura de uniform e de cam panha e roupas civis, calçados com as habituais sandálias de dedo. Estavam arm ados e havia um atirador na traseira do j ipe.
Um suj eito m agricela com um a boina m arrom veio andando a passos largos até m inha j anela. Seus olhos estavam inj etados, com se estivesse drogado. Ele levantou seu rifle com um dos braços e estendeu a outra m ão.
– Docum entos.
Tentei m e m anter tranquilo enquanto lhe m ostrava a autorização da polícia e m eu passaporte.
Ele m al os olhou.
– Cinquenta dólares. É o preço do seu visto.
Independentem ente de aqueles hom ens serem do governo ou não, eu soube que aquilo era um golpe, puro e sim ples. Um assalto.
Levantei a cabeça e encarei seus olhos verm elhos.
– Falei com a em baixada dos Estados Unidos em Freetown esta m anhã. O vice-em baixador Sassi m e garantiu pessoalm ente que m eus docum entos estão em ordem . Então qual é o problem a?
Ele m e encarou firm e, m as não hesitei. Dois dos outros guardas com eçaram a vir do acostam ento, m as ele ergueu a m ão para que eles não se dessem o trabalho.
– Ainda assim , são 10 por passageiro. Vinte, se for em leones.
De algum a m aneira, nós dois sabíam os que dessa vez eu iria pagar. Não queria abusar da sorte. Eu lhe dei duas notas de 5 dólares e então seguim os viagem – pelo m enos até o próxim o bloqueio.
Passam os por quatro antes da fronteira de verdade. Em cada um o ritual era basicam ente o m esm o. A cada um ficava m ais e m ais barato. Quando enfim cruzam os para a Libéria na cidade de Bo Waterside, tive que pagar som ente m ais 15 dólares.
O que perdem os de m ais precioso foi tem po.
Só conseguim os chegar a Monróvia depois de escurecer e, com o não havia garantia de que fôssem os conseguir suprim entos ao sair dali, tivem os que pernoitar na cidade.
Passei a noite inteira preocupado e não dorm i m uito bem . Estávam os seguros até aquele m om ento, m as viaj ávam os a um a velocidade que nem se com parava à de Tiger.
Ele estava fugindo de novo.