O dia da caça
capítulo 43
QUANDO OS GUARDAS ME ACORDARAM na terceira m anhã, tiveram de m e levantar à força. Eu não iria segui-los sem resistência. Não para a m inha própria execução. Meu peito ainda doía da surra do dia anterior. E m eu nariz parecia gravem ente infeccionado.
Dessa vez, dobram os à esquerda ao sairm os da cela. Não sabia se isso significava um a boa notícia ou apenas se a notícia ruim seria pior.
Segui o gafanhoto hum ano por um a escadaria de pedra íngrem e, depois atravessam os outro corredor e fizem os várias curvas, que m e levaram a pensar que eu j am ais conseguiria sair daquele lugar sozinho.
Finalm ente, chegam os a um espaço retangular e fechado. Era apenas um a am pla extensão de terra castigada pelo sol, com alguns tufos de m ato e um a cerca de três m etros de altura encim ada por aram e farpado. Se aquilo era o pátio de exercícios, era lam entável.
Eu não conseguia enxergar quase nada com aquela luz forte. E estava quente, no m ínim o 38 graus.
O guarda não parou até chegar ao portão alto do outro lado.
Um a porta trancada se abriu, revelando um a passagem que atravessava um prédio, outra porta e depois um portão, até o que parecia um estacionam ento ao longe.
Perguntei ao gafanhoto hum ano o que estava acontecendo. Ele não respondeu. Apenas abriu a porta e m e deixou passar.
Ele a fechou atrás de m im , trancando-m e em outra passagem .
– Já deram um j eito – falou.
– Em quê?
– Em você.
Ele j á estava voltando pelo m esm o cam inho, deixando-m e ali. Meu coração acelerou e m eu corpo ficou tenso. Fosse com o fosse, aquilo, sem dúvida, parecia um desfecho.
De repente, um a porta se abriu à m inha direita. Outro guarda esticou a cabeça para fora dela e gesticulou para m im com im paciência.
– Entre, entre.
Com o hesitei, ele estendeu a m ão e m e puxou pelo braço.
– Você é surdo? Ou é só idiota? Entre.
A sala tinha ar condicionado. Foi um choque para a m inha pele; então percebi que tudo o que ele queria era fechar a porta novam ente.
Eu estava em um escritório despoj ado, bastante com um , com duas m esas de m adeira e vários arquivos. Um segundo guarda, debruçado sobre um a papelada, m e ignorou. Ali tam bém estava o prim eiro hom em branco que eu via desde que tinha chegado ao aeroporto.
Ele estava à paisana, com um a calça leve, um a cam isa de botões folgada e óculos escuros. Eu arriscaria dizer que ele era da CIA.
– Flaherty ? – perguntei, um a vez que ele não m e disse nada.
Ele j ogou m inha carteira vazia para m im e por fim falou:
– Meu Deus, você está um trapo! Pronto para sair daqui?