O dia da caça
capítulo 154
EU TINHA FALADO AOS MEUS interrogadores sobre a possível conexão entre a CIA e Tiger, m as isso não era im portante para eles. Afinal, haviam m e libertado. Poderiam negar tudo isso e, além do m ais, Tiger estava m orto. Eu tinha lim pado essa bagunça para eles.
Mas o que eu não lhes contei foi o verdadeiro tem a central da m atéria de Adanne: am ericanos, franceses, holandeses e várias corporações m uito im portantes estavam trabalhando com os chineses no Delta. A China precisava ainda m ais de petróleo do que os Estados Unidos. E estava querendo consegui-lo do j eito m ais fácil. Os chineses estavam dispostos a pagar caro e a fazer negócio a qualquer custo. E, por causa dessas negociatas, m ilhares de africanos tinham m orrido – hom ens, m ulheres e crianças. Essa era a única certeza que eu tinha. E era sobre isso que Adanne andara pesquisando e escrevendo.
Foi por causa disso que ela entrara em contato com Ellie Cox; Adanne tinha lhe falado sobre sua pesquisa. Por esse m otivo a fam ília de Ellie fora assassinada em Georgetown.
Adanne m e contara histórias apavorantes durante o tem po que passam os j untos, especialm ente sobre a vida e a m orte no Sudão. O estupro era um a arm a de guerra ali e garotas a partir de 5 anos sofriam abusos, às vezes por parte de soldados das “tropas de paz”. Centenas e centenas de valas com uns tinham sido descobertas, m as quase nunca eram denunciadas. A corrupção e a truculência policial, que eu m esm o havia testem unhado, eram generalizadas – endêm icas, na verdade – e sequestradores agiam com liberdade na área do Delta, especialm ente nas cercanias de Port Harcourt.
Enfim adorm eci no sofá que ocupava a sala de estar de Nana desde que eu era criança. Mas não dorm i com o um bebê. Esse era um tipo de sono que j am ais voltaria a ter. A verdade era que eu j á havia aceitado que m inha fam ília estava m orta, assassinada com o tantas outras antes dela. Nada j am ais voltaria a ser com o antes.