O dia da caça
capítulo 37
AQUILO ERA SURREAL. ERA LOUCURA.
– Para onde vocês estão m e levando? Que história é essa? Sou um policial am ericano – protestei no banco de trás.
Ninguém parecia ouvir um a palavra do que eu dizia.
Eu m e inclinei para a frente e levei um forte golpe de cassetete no peito, seguido por outros dois no rosto.
Senti – e ouvi – m eu nariz se quebrar!
Im ediatam ente com eçou a escorrer sangue do m eu rosto para m inha cam isa. Não conseguia acreditar que aquilo estivesse acontecendo.
O policial no banco do carona se virou na m inha direção, com os olhos arregalados, pronto para m e dar outro golpe.
– É m elhor ficar quieto, branquelo. Am ericano de m erda, terrorista de m erda, policial de m erda.
Eu tinha ouvido falar que algum as pessoas ali não gostavam que os negros am ericanos fossem cham ados de afro-am ericanos. Agora, estava com provando isso em prim eira m ão. Respirei pela boca com dificuldade, tossindo sangue e tentando m e concentrar, em bora m inha cabeça girasse. A um idade e a fum aça de óleo diesel m e davam náuseas enquanto o veículo ziguezagueava pelo tráfego nos arredores do aeroporto e o m otorista buzinava sem parar.
Eu via carros passarem com o um borrão, brancos, verm elhos e verdes, assim com o vários ônibus am arelos. Mulheres andavam pelos cantos da pista, carregando seus bebês nas costas, em brulhados em faixas de pano. Algum as equilibravam cestos no topo da cabeça. Havia m uitos barracos, m as tam bém prédios m odernos, além de m ais carros, ônibus e carroças puxadas por anim ais.
Tudo à minha volta transcorria normalmente.
E, dentro daquela picape, tudo também era como de costume, eu tem ia.
De repente, o policial m e atacou outra vez. Ele estendeu o braço por sobre o banco e m e j ogou de lado com um em purrão. Eu m e preparei para outro golpe de cassetete, m as, em vez disso, senti suas m ãos m e apalparem .
Então m inha carteira deslizou para fora do m eu bolso.
– Ei! – gritei.
Ele sacou o m aço de dinheiro que havia ali – 300 dólares e 500 nairas – e depois j ogou a carteira vazia na m inha cara. Um a dor lancinante percorreu m inha cabeça até o fundo do crânio.
Tossi outro j ato de sangue, que caiu sobre o banco e m e rendeu outro golpe de cassetete no om bro.
De repente, o náilon azul-escuro que cobria o banco de trás fez sentido. Estava ali para evitar m anchas de sangue no estofado.
Eu estava desorientado, não fazia ideia do m otivo pelo qual aquilo estava acontecendo nem do que fazer a respeito.
Contrariando m eu próprio bom senso, voltei a perguntar:
– Para onde vocês estão m e levando? Sou um policial am ericano! Estou aqui para investigar um caso de assassinato.
O policial esbravej ou algo em um dialeto para o m otorista. O carro deu um a guinada e eu caí contra a porta quando param os rapidam ente no acostam ento.
Os dois saltaram . Um deles escancarou a porta do m eu lado e eu desabei no chão, algem ado e incapaz de am ortecer a queda.
Um m undo de poeira, calor e dor girava ao m eu redor. Com ecei a tossir, cuspindo poeira.
Então, senti m ãos fortes debaixo dos m eus braços, m e levantando. O policial, ou fosse lá o que fosse, m e pôs de j oelhos. Um a cam inhonete Audi passava por ali e, do banco de trás, um garotinho assistia àquela cena.
– Você é um hom em coraj oso. Tão coraj oso quanto estúpido, seu branquelo de m erda.
Era o m otorista quem estava falando agora. Era sua vez de m e agredir e ele m e estapeou com força, prim eiro no lado esquerdo do rosto, depois no direito. Lutei para continuar ereto.
– Vocês dois estão fazendo um ótim o trabalho...
Eu j á estava com pletam ente grogue. Já não m e im portava com o que aconteceria em seguida.
E o que aconteceu foi que tom ei um forte soco cruzado na têm pora. Ouvi um barulho estranho, de algo se esm igalhando dentro da m inha cabeça.
Não sei quantos socos vieram em seguida.
Acho que desm aiei depois do quarto.