O dia da caça
capítulo 117
O EMBAIXADOR ROBERT OWELEEN TINHA CERCA de 60 anos, cabelos grisalhos, era alto e esbelto, quase m agro dem ais. Ele estava de pé atrás de sua m esa grande e antiga, ladeado pelas bandeiras dos Estados Unidos e da Nigéria. Dois assistentes continuaram sentados num pequeno sofá num dos cantos da sala.
– Sr. Cross. – Ele apertou m inha m ão sem sorrir. – Meu Deus, o que aconteceu com o senhor?
– Muita coisa. Não vou tom ar seu tem po. Estou aqui por causa de um hom em , um assassino conhecido com o Tiger. É um a questão de segurança nacional tanto para a Nigéria quanto para os Estados Unidos.
Ele dispensou m inhas palavras com um gesto.
– Sei por que está aqui, Sr. Cross. Tenho sofrido todo tipo de pressão de Abu Rock por sua causa.
– Me desculpe... Abu Rock?
– A capital. Parece que a única pessoa interessada em que o senhor continue na Nigéria é o senhor m esm o. A CIA até j á salvou sua vida aqui, não foi?
Dessa vez fiquei um pouco desnorteado, para com pletar m inha sensação geral de perplexidade e confusão por causa do que acontecera anteriorm ente. O em baixador am ericano sabia da m inha presença no país? Alguém estava espalhando outdoors a m eu respeito ou coisa parecida?
– Vam os m andá-lo para casa hoj e m esm o – prosseguiu Oweleen, em tom categórico.
Olhei para o chão e depois de novo para ele, tentando m anter a com postura.
– Senhor, o hom em que estou perseguindo é um assassino em m assa. Ele pode ter ligações com o governo daqui. Sem dúvida tem algum envolvim ento m isterioso com a polícia. Se houver algum a possibilidade de eu m e com unicar com m eu contato da CIA em Lagos...
Ele m e cortou.
– Qual exatam ente o senhor acha que é sua autoridade aqui, Sr. Cross? Neste país, o senhor é um turista, nada m ais que isso. Pode levar essa questão ao Departam ento de Estado se assim desej ar. Em Washington.
– Ele precisa ser detido, senhor. Ontem , m atou um a repórter do Guardian cham ada Adanne Tansi. Testem unhei o crim e. Ele tam bém m atou toda a fam ília dela. É responsável por pelo m enos oito m ortes em Washington.
Oweleen finalm ente explodiu.
– Quem o senhor pensa que é? Três dias atrás eu nunca tinha sequer ouvido falar no seu nom e e agora estou interrom pendo m eu trabalho para isto? Faz algum a ideia do que está acontecendo aqui?
Ele gesticulou para a TV de plasm a na parede.
– Ligue a televisão.
Um dos assistentes apertou um botão num controle rem oto. E então assisti às im agens num silêncio chocado, cheio de m edo.