O dia da caça
capítulo 82
– NÃO PERDI SEU TIGER DE vista – disse Adanne enquanto seguíam os em frente penosam ente. – Ele recruta m eninos aqui. É fácil para ele.
– Você estava certa quanto ao horror, Adanne – falei.
Eu estava ansioso por falar com pessoas de diferentes setores do cam po, m as, quando chegam os a um a das poucas tendas hospitalares, tive que parar outra vez. Nunca vira nada tão desconcertante.
A tenda estava apinhada de pacientes doentes e m oribundos, dois ou m ais em cada leito. Corpos se encaixavam com o peças de um quebra-cabeça em cada espaço vazio. Para piorar a situação, havia longas filas do lado de fora: no m ínim o 300 m ulheres e crianças m uito doentes aguardando atendim ento ou um lugar m elhor para m orrer.
– Infelizm ente, não há m uito que fazer para dim inuir o sofrim ento deles – disse Adanne. – Os m edicam entos são escassos, a m aioria é roubada antes de chegar aqui. Há casos de inanição, pneum onia, m alária. Até diarreia pode ser fatal... e, com o a água e o saneam ento são um problem a, não há saída.
Vi um m édico e duas enferm eiras voluntários. E só. Essa era toda a equipe m édica para m ilhares de pessoas m uito doentes.
– Isto é o que eles cham am de “segunda fase” da crise – prosseguiu Adanne. – Mais gente m orrendo dentro dos cam pos do que fora deles. Milhares. Todos os dias, Alex. Eu avisei que era aterrorizante.
– Você am enizou a coisa – falei. – Isto é inim aginável. Todas estas pessoas... as crianças...
Eu m e aj oelhei ao lado de um a garotinha em um dos poucos leitos. Seus olhos estavam nebulosos e pareciam artificiais. Afastei um am ontoado de m oscas negras que zum biam em cim a da sua orelha.
– Com o se diz “fique com Deus”? – perguntei a Em m anuel.
– Allah ma’ak – respondeu ele.
– Allah ma’ak – repeti para a garotinha, m as não sei se ela m e ouviu.
Em algum m om ento eu tinha saído de um a investigação crim inal pavorosa e entrado num holocausto inacreditável. Com o aquilo era possível em um m undo com o o nosso? Milhares de pessoas m orrendo daquele j eito todos os dias!
Adanne colocou um a das m ãos em m eu om bro.
– Alex? Você está pronto para ir? Tem os que continuar. Você está aqui por causa de Tiger, não por isto. Não há nada que possa fazer a respeito.
Pelo tom de sua voz, eu podia notar que ela j á tinha visto tudo aquilo antes, provavelm ente m uitas vezes.
– Ainda não – falei. – O que precisa ser feito por aqui? Qualquer coisa.
A resposta rápida de Em m anuel não foi a que eu esperava:
– Isso depende. Algum de vocês sabe m anej ar um fuzil?