O dia da caça
capítulo 89
ERA QUASE MANHÃ QUANDO FINALMENTE m e deitei na esteira de palha no chão de um a tenda. Ela havia sido providenciada para m im pelos agentes da Cruz Verm elha e eu estava cansado dem ais para argum entar que não precisava de um teto.
A aba da m inha tenda se abriu de repente e m e apoiei num cotovelo para ver quem era.
– Sou eu, Alex. Adanne. Posso entrar?
– É claro.
Meu coração batia forte no peito.
Ela entrou e se sentou ao m eu lado na esteira.
– Que dia horrível – falei, num sussurro rouco.
– Nem sem pre é tão ruim – disse ela. – Mas pode ser pior. Os soldados sudaneses sabiam que havia um a repórter no cam po. E um am ericano. Foi por isso que vieram afugentar os janjawid. Não querem que a im prensa fale m al deles, se puderem evitar.
Balancei a cabeça e esbocei um sorriso. Adanne tam bém . Não eram sorrisos felizes. Eu sabia que ela estava dizendo a verdade, m as aquilo tam bém era ridículo e absurdo.
– Tem os que dividir a tenda, Alex – disse ela por fim . – Você se im porta?
– Em dividir um a tenda com você? Não, acho que consigo lidar com isso. Vou m e esforçar ao m áxim o.
Adanne se estendeu na esteira. Pegou m inha m ão e a acariciou. Então segurei sua m ão na m inha.
– Você tem alguém ?... Nos Estados Unidos? – perguntou ela.
– Tenho. O nom e dela é Bree. Ela tam bém é detetive.
– Ela é sua m ulher?
– Não, não som os casados. Eu j á fui... um a vez. Minha prim eira m ulher foi assassinada. Faz m uito tem po.
– Desculpe-m e por fazer tantas perguntas, Alex. Nós deveríam os dorm ir agora.
Sim, nós deveríamos dormir.
Ficam os de m ãos dadas até adorm ecer. De m ãos dadas – nada m ais.