O dia da caça
capítulo 39
QUANDO MINHAS IDEIAS CLAREARAM UM pouco, notei que m inha carteira tinha sum ido. Meu cinto tam bém .
Tateando m eu corpo, percebi que o brinco da m inha orelha esquerda não estava m ais lá. O lóbulo tinha um a casquinha de ferida no lugar do pequeno aro de prata, que Jannie m e dera de aniversário.
Para onde eles me trouxeram? A que distância estou do aeroporto? Será que ainda estou na Nigéria?
Por que ninguém tentara impedir que eles me sequestrassem? Será que era comum que aquilo acontecesse?
Não fazia ideia de quais eram as respostas a essas perguntas.
– Estam os em Lagos? – perguntei, por fim .
– Sim . Em Kirikiri. Som os prisioneiros políticos. Pelo m enos foi o que nos disseram . Eu sou j ornalista. E você?
Um barulho de m etal veio da direção da porta quando ela foi destrancada e, em seguida, escancarada.
Vi dois guardas com uniform es azuis se deterem sob a luz num corredor cim entado antes de entrarem e serem engolidos pelas som bras. Logo em seguida, um deles correu o facho de um a lanterna por nós.
Ao chegar ao m eu rosto, ele m anteve a luz parada por vários segundos.
Tive certeza de que foram ali para m e buscar, m as, em vez disso, pegaram o hom em que estava duas posições ao m eu lado – o que tinha dito ser j ornalista.
Eles o puseram de pé com truculência. Então um dos guardas sacou um a pistola e a pressionou contra a têm pora do prisioneiro.
– Ninguém fala com o am ericano. Ninguém! – advertiu o guarda para todos. – Estão m e ouvindo?
Então, enquanto eu observava, incrédulo, o j ornalista foi espancado com a coronha da arm a até desm aiar. Em seguida, foi arrastado para fora da cela.
A reação dos outros prisioneiros foi um a resignação silenciosa. Apenas dois hom ens se queixaram , m as, cobrindo a boca, abafaram seus resm ungos nas próprias m ãos. Ninguém se m exeu; eu ainda conseguia ouvir alguns deles roncando.
Fiquei onde estava, contendo-m e até que os guardas brutais fossem em bora. Então fiz a única coisa que era possível: voltei a m e deitar no chão e cada m ovim ento de respiração, curto e rápido, fazia um novo lam pej o de dor percorrer m eu peito.
Em que tipo de inferno eu havia m e m etido?