O dia da caça
capítulo 44
EU ESTAVA MAIS DO QUE pronto para sair daquela prisão m edonha, m as tam bém estava pasm o com tudo o que tinha acontecido com igo desde que chegara a Lagos.
– Com o você m e encontrou? – perguntei a Flaherty antes m esm o de sairm os do escritório refrigerado. – O que está havendo? O que acabou de acontecer ali atrás?
– Agora não.
Ele atravessou a sala, abriu um a porta e gesticulou para que eu saísse prim eiro. Os dois guardas nem sequer ergueram os olhos. Um deles estava preenchendo um form ulário e o outro tagarelando ao telefone quando saím os. Tudo seguia norm alm ente ali, nas profundezas do inferno.
Assim que a porta se fechou atrás de nós, Flaherty agarrou m eu braço.
– Você precisa de aj uda?
– Meu Deus, Flaherty, obrigado.
– Eles quebraram seu nariz?
– Parece que sim .
– Parece m esm o. Conheço um cara. Tom e. – Ele m e entregou um a pequena garrafa d’água e com ecei a esvaziá-la goela abaixo. – Vá com calm a, am igo.
Flaherty m e conduziu até um velho Peugeot 405 estacionado perto dali, sob a som bra de um a árvore. Minha bolsa de viagem j á estava no banco de trás.
– Obrigado – repeti.
Assim que o carro se pôs em m ovim ento, perguntei:
– Com o você fez isso?
– Com o você não apareceu na quinta, deduzi que havia poucas possibilidades. Por 100 dólares, consegui seu nom e. Com m ais 500 tirei você de lá.
Ele pegou um cartão de visita do bolso da frente da cam isa e m e entregou. Era do Citibank, com um endereço de Lagos. No verso estava escrito, com um a caneta esferográfica, ACROSS9786EY4.
– É m elhor você trocar essa senha. E transfira m ais uns 1.000 dólares.
– E m inha fam ília? – De repente m e lem brei deles. – Você entrou em contato? Eles sabem o que está acontecendo?
– Olhe, não m e leve a m al, m as não sou seu assistente social. Sei que você deve estar se sentindo com o se tivesse passado pelo 18º círculo do inferno, ou coisa parecida, m as não conte com igo pra esse tipo de coisa, está bem ? Não quero ser indelicado, m as é assim que a banda toca por aqui atualm ente. Muita coisa está acontecendo neste m om ento.
Ele pegou um m aço de Cam el Light, tirou um cigarro, o acendeu e soprou dois filetes de fum aça pelas narinas.
– Você pode ligar para eles do hotel. Para a sua fam ília.
– Sua com paixão é com ovente.
Ele sorriu. Tive a im pressão de que nos entendíam os. A m inha história não devia ser a pior nem a m ais triste que Ian Flaherty tinha ouvido em Lagos. Nem de longe.
– Você tem algo para com er neste carro? – perguntei.
Ele estendeu a m ão e abriu o porta-luvas. Havia um a lata de achocolatado ali dentro. Estava quente e um pouco talhado, m as algo nunca m e pareceu tão gostoso.
Joguei a cabeça para trás, fechei os olhos e, pela prim eira vez em três dias, tentei relaxar. E, quem sabe, pensar friam ente sobre m inha investigação e sobre o que tinha acabado de acontecer com igo.