O dia da caça
capítulo 19
DESCI A TODA A VELOCIDADE um a estrada escura, de duas pistas, aproxim ando-m e depressa do Land Cruiser. Um a vala de escoam ento funda serpeava à nossa esquerda. Colei m eu carro no para-choque traseiro do Cruiser e o m otorista pareceu entrar em pânico. Ele deu um a guinada repentina para a direita, então fez um a curva de quase 90 graus sem desacelerar. O Land Cruiser saiu voando direto para a vala.
Por um instante, achei que ele conseguiria atravessá-la. O veículo estava em pleno ar, m as a parte da frente desceu rápido dem ais. Ele caiu com um estrondo, o chassi se partindo.
As rodas da frente ficaram presas na m argem oposta. Os pneus traseiros continuaram girando furiosam ente.
Bree e eu j á estávam os fora do carro e agachados atrás das portas abertas.
– Saiam do veículo! Agora! – gritei para o outro lado da vala.
Finalm ente, vi corpos se m ovendo dentro do Land Cruiser. O adulto estava no banco do m otorista. Ao seu lado, um a pessoa tão baixa que m al podia ser vista.
O vulto m ais baixo estendeu os braços para fora da j anela do carona. Colocou a palm a de um a das m ãos sobre o teto do veículo e depois a outra. Então, com eçou a erguer o corpo para sair.
– Para o chão! Agora! – gritou Bree. – Eu disse para o chão!
Mas ele não obedeceu. Em vez disso, subiu com o um torpedo para o teto, m agro e tão veloz quanto um gato. Havia sacado sua arm a e a apontava em nossa direção. Ele deslizou pelo teto, disparando três tiros rápidos.
Atiram os de volta. Um a bala o atingiu e ele caiu no chão. Mas então j á tinha dado tem po suficiente para que o adulto saísse. A porta do m otorista estava aberta. Eu não conseguia ver o hom em , m as sabia que ele estava fugindo.
Bree parou ao lado do garoto. Eu segui em frente. Desci a vala e então escalei a outra m argem .
Achei que haveria um a m ata depois do canal, m as tudo o que vi foi um a fileira de cedros e m ato alto.
De repente, ouvi um barulho. O hom em estava escalando um a cerca de aram e. Quando consegui ultrapassar as árvores, ele j á havia passado por cim a da cerca e atravessava correndo o pátio de um depósito.
Apoiei m inha arm a na cerca de aram e e descarreguei o pente. Mas ele j á estava m uito longe. Não achei m esm o que conseguiria acertá-lo. Ele se virou, deu um aceno debochado e desapareceu com o um gato na escuridão.
Inform ei nossa localização e voltei correndo para ver Bree. Ela ainda estava agachada rente ao chão, exatam ente onde eu a deixara. Havia coberto o rosto do m enino m orto com seu blazer. Era um gesto estranho para um a policial em um tiroteio, m as Bree gostava de fazer as coisas do seu j eito.
– Você está bem ? – perguntei.
Ela não ergueu os olhos.
– Ele devia ter uns 12 anos, Alex. No m áxim o. Com eteu suicídio por causa daquele cretino.
– Estava vivo quando você se aproxim ou? – perguntei.
Bree fez que sim com a cabeça.
– Disse algum a coisa?
– Disse. – Ela finalm ente olhou para m im : – Mandou eu m e foder. Essas foram suas últim as palavras.