O dia da caça
capítulo 48
GOSTEI DO QUE NANA TINHA acabado de dizer e tam bém do som da voz de Bree quando entrou na linha. Ouvi um a porta se fechar e soube que estavam nos dando um pouco de privacidade.
– Até que enfim – falei.
– Eu sei. Nana é durona, não é? Mas ela tam bém pode ser um doce.
Eu ri.
– Ela está pegando leve porque você está aí. Já está m anipulando você.
– Por falar nisso, não venha m e enrolar, Alex. Onde você se m eteu nos últim os três dias?
– Detetive Stone, é você? – perguntei. – Sentiu m inha falta?
– É claro que senti. Mas fiz um a pergunta séria. Passei três dias m orrendo de preocupação. Todos nós, especialmente Nana.
– O.k., vou contar o que aconteceu. Tem a ver com o caso. É a única explicação. Fui preso no aeroporto.
– Preso? – indagou Bree com um sussurro que dem onstrava um a nova preocupação. – Por quem ? No aeroporto? Baseado em quê?
– Baseado no fato de que os direitos fundam entais são um conceito relativo em diferentes partes do m undo, im agino. Fiquei num a cela por dois dias e m eio. Em nenhum m om ento fui acusado de nada.
A voz dela falhou um pouco, m ais Bree e m enos detetive Stone.
– Foi m uito ruim ?
– Num a escala de 1 a 10, eu diria 15, m as até que estou bem agora. Estou no Superior Hotel. Não que ele faça j us ao nom e, claro. Não tem nada de superior nesta espelunca.
Olhei pela j anela, na direção de nuvens carregadas que avançavam por sobre o golfo. Dez andares abaixo, as pessoas com eçavam a deixar a área da piscina. Era difícil acreditar que eu tinha acordado em Kirikiri naquela m esm a m anhã.
– Olhe, Alex, não sei se você quer ouvir isto agora, m as tivem os outro hom icídio m últiplo na noite passada. Outra fam ília foi m assacrada em Petway. Dessa vez, os pais eram sudaneses.
Eu m e sentei na cam a.
– O m esm o modus operandi dos dois prim eiros? – perguntei.
– Sim . Arm as brancas grandes, possivelm ente facões, perversidade extrem a. Brutalidade e crueldade gratuitas. Mesm o que o seu rapaz e sua gangue não estej am aqui, aposto que o pessoal dele está m etido no crim e.
– Parece que o assassino é cham ado de Tiger. Estou num safári. Ele poderia ter ordenado um crim e de qualquer lugar.
– Tem razão. Ou talvez tenha voltado a Washington, Alex. Você pode estar aí, enquanto ele está aqui.
Antes que eu pudesse responder, houve um clarão repentino do lado de fora e um a trovoada estrondosa ecoou pelo céu. As luzes do quarto oscilaram e então se apagaram , cortando a ligação.
– Bree? – cham ei. – Bree, está m e ouvindo?
Mas a linha estava m uda. Merda. Não tinha sequer dito a Bree quanto sentia sua falta.
Eu tinha visto velas e pelo m enos um gerador no saguão, então im aginava que esse tipo de coisa fosse com um no Superior. Deitei-m e na cam a e fechei os olhos, pensando em descer para investigar um pouco caso a energia não voltasse logo.
Enquanto isso, fiquei im aginando quais seriam as consequências dos novos assassinatos em Washington. E o que eles significavam para m im .
Será que Tiger, o assassino que eu perseguia, ainda estava na Nigéria?
Ou será que eu tinha viaj ado até ali... só para que quebrassem m eu nariz?