O dia da caça

James Patterson · Capítulo 47 de 165

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O dia da caça

capítulo 45

 

UM BAQUE PESADO ME ACORDOU de um sono desagradável. Fazia calor e eu estava coberto de suor.

Talvez tivessem se passado apenas alguns m inutos. Meus olhos se abriram de súbito, bem a tem po de ver um tênis Adidas velho pular do teto para o capô do Peugeot.

– Que porra é essa? – perguntou Flaherty, virando a cabeça para trás.

Estávam os presos num engarrafam ento terrível. Havia carros à frente e atrás do nosso até onde a vista alcançava.

– Area Boy s. Eu j á devia ter im aginado – disse ele, franzindo o cenho e apontando.

Eu os vi prim eiro pelo retrovisor. Havia no m ínim o m eia dúzia deles. Adolescentes, ao que parecia. Iam de carro em carro, ignorando alguns e parando em outros para roubar m otoristas e passageiros.

– Area Boy s? – perguntei.

– Um a espécie de gangue, m as sem os penduricalhos de ouro. São só pivetes. Não se preocupe.

Dois carros atrás, um garoto com expressão vazia e um a cam isa velha dos Chicago Bulls enfiou a m ão por um a j anela e deu um soco no m otorista. Em seguida, retirou a m ão, trazendo um a m aleta.

– Deveríam os fazer algum a coisa, você não acha? – Estendi a m ão para a m açaneta, m as Flaherty m e deteve.

– Fazer o quê? Prender todos eles? Jogá-los no porta-m alas? Deixe que eu cuido disso.

Outro garoto, sem cam isa, com a cabeça raspada e o rosto cheio de acne, veio andando lentam ente pelo lado de nosso carro. Enfiou m etade do corpo pela j anela de Flaherty e ergueu o punho.

– Pode ir passando a porra da carteira, oyinbo – gritou ele, usando a palavra em iorubá para “hom em branco”. – Agora!

Flaherty j á estava enfiando a m ão debaixo do banco. Ele puxou um a Glock e, segurando-a no colo, a apontou para o garoto.

– Que tal você m e passar a sua carteira, otário? – disparou ele. O m enino recuou com as duas m ãos para cim a e um sorriso de desdém . – Ou talvez eu devesse dizer moleque? É isso aí, continue andando antes que eu m ude de ideia.

– Este aqui não, galera – gritou o garoto para os am igos, im itando um a arm a com o polegar e o indicador.

Ainda assim , um dos garotos batucou no porta-m alas enquanto eles passavam , m as o bando seguiu em frente. Não voltam os a ser incom odados.

Flaherty percebeu que eu estava olhando para ele.

– O que foi? Olhe só, quando eu estiver em Washington, você pode m e dizer o que é certo e o que é errado, o.k.? Por enquanto, tente se lem brar de onde está.

Eu m e virei, olhei pelo retrovisor e vi outro m otorista ser roubado enquanto nós apenas ficávam os sentados ali.

– É difícil esquecer – falei.