O dia da caça
capítulo 74
O NOME DELA ERA ADANNE TANSI e, conform e o padre dissera, era um a das m ulheres m ais bonitas que eu j á tinha visto. Era repórter do Guardian, o m aior j ornal de Lagos.
Seu escritório devia ter uns 4 m etros quadrados, se tanto. Quando entrei, torci apenas para que eu não estivesse cheirando com o se houvesse passado a noite num abrigo para m oradores de rua lotado.
No decorrer da hora seguinte, Adanne m e contou que vinha investigando o Tiger original e seu bando havia dois anos, m as que ele ainda era um a espécie de figura nebulosa.
– Não tenho certeza se existe m ais de um Tiger. Mas tam bém ouvi esse boato. Pode ser um m ito do m undo do crim e. Talvez essa lenda até tenha sido criada por ele próprio. Enfim , quem sabe o que um hom em desses pode fazer contra um j ornal?
– Ou contra um a j ornalista? – perguntei.
Ela deu de om bros.
– Algum as coisas são m ais im portantes do que um a única vida. O senhor não está aqui se arriscando?
– Parece que sim – respondi, com um sorriso.
Por m ais que não quisesse ser indelicado, eu não conseguia desgrudar os olhos de Adanne Tansi. Ela era estonteante com o um a atriz de cinem a. Era im possível não notar suas m açãs do rosto destacadas e seus olhos negros com o os de um a corça, além de sua atitude. Parecia destem ida e eu m e perguntava o m otivo daquilo. Aquela m ulher tinha m uito a perder, m as não se deixava intim idar.
Ela pegou um a caneta. Não tinha percebido que estava com um bloco de notas à m ão no m eio da papelada em sua m esa de trabalho.
– Sem anotações – falei. – Isto não é um a entrevista. Sou apenas um turista. O que, aliás, j á fizeram questão de deixar bem claro.
Adanne largou a caneta im ediatam ente, sorrindo com o quem , ao m enos, tivesse tentado.
– A senhora tem algum palpite de onde Tiger está agora? Ou algum a ideia de com o eu posso descobrir?
– A resposta para a prim eira pergunta é “não” – respondeu ela. – Para a segunda, “acredito que sim ”.