O dia da caça
capítulo 102
– POR QUE O SENHOR IRIA querer colaborar com um a investigação de assassinato? – perguntei, realm ente curioso.
– A Unilight International tem bastante interesse na Nigéria. Nosso setor de cosm éticos e tratam ento de pele, sozinho, cresceu o bastante para j ustificar a expansão que planej am os no sudeste do país. Esta é a realidade de m uitas m ultinacionais, não só das com panhias de petróleo.
– No Delta? – perguntei.
– Em Port Harcourt. E em Lagos, é claro. No entanto, algum as das organizações islâm icas extrem istas que estão chegando à região não parecem se im portar com as relações que tem os com as facções locais, quaisquer que sej am elas.
– O senhor está querendo dizer que Tiger é islâm ico? Porque isso é novidade para m im .
– Não. Quanto a isso, não faço a m enor ideia. Duvido que ele sej a um hom em religioso. Mas não é nenhum segredo que ele negocia produtos que financiam esses grupos: diam antes de sangue, petróleo bruto roubado, esse tipo de coisa. Essencialm ente, possibilita que essas organizações entrem na região e dificulta a vida de todas as em presas estrangeiras. E, com o o senhor j á deve saber, Tiger é o term o local para “assassino de aluguel”.
– E o senhor quer alguém para aj udá-lo a tirar o assassino, ou os assassinos, do seu cam inho?
Antes de responder, De Bues olhou para seu advogado, que assentiu.
– Só querem os colaborar com sua investigação. Som os os m ocinhos aqui, Dr. Cross. Com o o senhor. Isto não é um a “conspiração”, com o naqueles film es da série Bourne.
– Por que não recorre às autoridades locais?
Ele tornou a abrir seu m eio sorriso.
– O senhor está sendo condescendente com igo, Dr. Cross. A situação política aqui, com o nós dois sabem os, é com plexa. Podem os dizer que um a guerra civil é quase inevitável na Nigéria, m as a guerra é com o o fogo, não é? Por m ais que destrua algum as coisas, deixa o solo fértil.
Na África, eu tinha a sensação de, dia após dia, cair m ais através do espelho. Aquela conversa ia pelo m esm o cam inho. A CIA tinha m e encam inhado a um a em presa m ultinacional – ou um a panelinha dentro dela – para que ela m e aj udasse a solucionar um caso de assassinato?
Eu m e levantei.
– Obrigado pela oferta, Sr. De Bues. Preciso pensar no assunto.
De Bues m e acom panhou até a porta.
– Por favor, Sr. Cross – disse ele, estendendo um cartão de visita. – Pelo m enos fique com m eu núm ero. Querem os m esm o aj udá-lo.
– Obrigado – respondi.
De Bues balançou a cabeça enquanto eu saía de seu escritório.
– O senhor não entende, não é m esm o? Esta parte do m undo está prestes a explodir. E, se isso acontecer, a África pode ir pelo m esm o cam inho que o Oriente Médio. Esta é a chave para o seu caso, senhor.